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Furto de carteiras cresce em todos os municípios

Carlos Paulino | Menongue

O director provincial da Educação, Ciência e Tecnologia do Cuando Cubango, Miguel Kanhime, manifestou-se indignado, quinta-feira passada, na cidade de Menongue, pelo aumento de furto de carteiras e mesas nas escolas para o uso doméstico.
Miguel Kanhime, que falava durante um encontro com os directores das escolas do município de Menongue, disse que , por causa desta situação, em muitos estabelecimentos escolares os alunos são obrigados a  sentar-se em latas ou pedras.

Poucas salas de aulas têm todos os apetrechos nas esolas situadas nas comunidades da província
Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro | Cuando Cubango

A Direcção da Educação,  segundo  Miguel Kanhime, controla na província 272 escolas com  1.600 salas de aulas e a maioria está desprovida de mobiliário. “Muitas carteiras foram desviadas e estão a ser utilizadas em cerimónias de casamento, cultos religiosos e reuniões nas comunidades. Os marginais roubam essencialmente carteiras e vendem nas comunidades”, informou.
O responsável da Educação no Cuando Cubango anunciou que a instituição que dirige está a fazer esforços, junto do Comando Provincial da Polícia Nacional, para a recolha dos  materiais furtados nas escolas. “Exorto  os alunos, encarregados de educação, autoridades tradicionais e religiosas e a população em geral, que têm carteiras ou qualquer objecto furtado em escolas a devolvê-los. Quem não devolver  vai ser  responsabilizado criminalmente. É vergonhoso para as pessoas que ocupam cargos na administração serem responsabilizados judicialmente ao invés de tomarem a iniciativa de entregar os meios do Estado.”
O director provincial da Educação sublinhou que o principal motivo que tem contribuído  para o aumento do furto de carteiras e mesas é a falta de segurança. “É por isso que retiram estes meios e levam para  uso doméstico. É também por isso que se verificam alguns actos de destruição nas escolas.”  revelou.

Reconfirmação de matrículas

Miguel Kanhime anunciou  que o processo de confirmação de matrículas no Cuando Cubango vai fazer-se mediante o pagamento de uma quantia módica, desde o ensino primário até ao primeiro ciclo, por serem  subsistemas de ensino gratuitos.
“A reconfirmação das matrículas começa no próximo dia 18 e os encarregados de educação vão pagar  apenas 100 kwanzas para matricularem os filhos no ensino primário, 250 kz para o primeiro ciclo e 500 kwanzas para o segundo ciclo. Já para a confirmação de matrícula o valor é de 200 kwanzas para o ensino primário, 500 kwanzas para o primeiro ciclo e 1.000 kwanzas para o segundo ciclo”, anunciou,  justificando que, com o valor cobrado as escolas vão comprar papel e tinteiros, para fazerem listas e pautas e utilizar nos trabalhos de limpeza e manutenção.
“Isso deve-se ao facto de as escolas do Ensino Primário e do Primeiro Ciclo, sobretudo na província do Cuando Cubango, não beneficiarem de nenhuma quota financeira para cobrir as despesas correntes. Vamos convidar os directores das escolas para tratarmos do assunto da comparticipação dos pais.”  
Ainda a respeito da comparticipação das famílias em algumas despesas nas escolas, Miguel Kanhime sublinhou que  vai haver uma “gestão transparente” dos valores por forma a evitar conflitos e nenhuma escola está autorizada a cobrar além dos valores estipulados.

Aproveitamento escolar
Apesar de o ano lectivo ainda não ter terminado, Miguel Kanhime considerou   que   o grau de aproveitamento foi positivo. “O aproveitamento  ronda os 75 por cento”, adiantou para acrescentar que “comparado com os outros anos, 2017 foi é o mais produtivo”.
“Este bom aproveitamento foi possível graça ao empenho e dedicação de muitos directores das escolas e professores, assim como dos estudantes. É notório o semblante satisfeito da maioria  alunos e dos pais”, disse Miguel Kanhime. 

Jovens fora do ensino
Miguel Kanhime informou  que o sector da Educação no Cuando Cubango já informou as entidades competentes que o número de professores é insuficiente para cobrir as necessidades da província, que tem cerca de 40 mil crianças fora do sistema de ensino nos nove municípios. 
“A província tem 4.300 professores, número irrisório para assegurar as 272 escolas, que perfazem mais de 1.600 salas de aulas.”   Segundo Miguel Kanhime, as localidades têm 12 salas de aulas,  mas apenas três ou quatro turmas estão em funcionamento, por haver um reduzido número de professores.  “Em termos de infra-estrutras estamos bem, porque o Governo local  construiu escolas em todos os municípios e comunas, mas no que toca a docentes,  a província está  muito mal”,  disse.
Sobre o concurso público para admissão de mais professores realizado em Dezembro de 2016,  o director da Educação disse  que a decisão para o enquadramento ou não dos candidatos apurados  é do Governo Provincial.
 Miguel Kanhime disse que o seu elenco passou “a pente fino” a folha salarial do quadro docente, retirando dezenas de nomes de falecidos, reformados e de  professores que pediram  transferência para outras regiões,  e ainda de “fantasmas” que já trocaram de sector.

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