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Gerir os negócios a "crédito jovem"

João Upale| Namibe

O projecto “Crédito Jovem”, inscrito no programa “Angola Jovem,” criado pelo Governo Central à luz do Programa de Apoio à Juventude, veio dar outro alento aos jovens no que toca à melhoria de vida e do seu bem-estar social.

Programa criou postos de trabalho
Fotografia: Jornal de Angola

O projecto “Crédito Jovem”, inscrito no programa “Angola Jovem,” criado pelo Governo Central à luz do Programa de Apoio à Juventude, veio dar outro alento aos jovens no que toca à melhoria de vida e do seu bem-estar social.
Domingos Mussaba Muhongo é o presidente da cooperativa “Sangue do Povo”, localizado no bairro 5 de Abril, o mais populoso do Namibe, dedicada à actividade do comércio e indústria. Inscreveu-se no projecto “Crédito Jovem” há mais de um ano. Foi contemplado com uma betoneira e uma máquina de fazer blocos.
Conta que com o trabalho que faz agora, já consegue pagar a propina na escola e suprir algumas dificuldades no seio da sua família e amortizar pontualmente a dívida que contraiu junto ao Banco de Poupança e Crédito do Namibe. Conseguiu ainda empregar outros dez jovens que agora engrossam a cooperativa, aumentando assim a produção para 450 blocos/dia, feitos á mão, já que a máquina de fazer blocos não funciona por se encontrar avariada.
“Este projecto veio numa boa hora e realmente está a ajudar muitos jovens. No nosso caso, fomos ajudados porque parámos de estudar há muito tempo, por falta de dinheiro. Agora com este projecto temos valores pecuniários que nos facilitam pagar as propinas nas escolas e a compra de materiais escolares, para além de ajudar a manter alguma estabilidade familiar” disse Domingos Mussaba Muhongo.
Mas afinal nem tudo é um “mar de rosas” para a cooperativa “ Sangue do Povo”. Domingos Muhongo lamenta o facto de não possuir um terreno apropriado para uma eficaz execução do seu trabalho, aliado á inoperância da máquina de fazer blocos desde que a recebeu em Outubro do ano passado. Os governos provinciais e municipais, disse Domingos Mussaba Muhongo, “devem facilitar a estruturação e legalização das associações, a concessão dos espaços e terrenos para a instalação dos serviços e dar protecção e segurança aos grupos ou associações mutuárias”.
A cooperativa “ Sangue do Povo” funciona num espaço de aluguer com um reservatório de água que lhe custa 50 mil kwanzas. Paga a área que ocupa, compra o cimento e paga salários aos trabalhadores. “Não temos um terreno apropriado para realizar a nossa actividade. Este espaço onde estamos a trabalhar é de aluguer. Não temos um espaço dado pelo Governo Provincial, conforme está escrito no seu próprio estatuto de crédito jovem. São essas dificuldades que nós temos aqui na província, mas o projecto foi bem sucedido”, desabafou o jovem trabalhador.
Com um orçamento inicial de um milhão de kwanzas, Domingos Muhongo disse que a sua cooperativa está a cumprir junto do banco credor, tendo começado a pagar inicialmente 126 mil kwanzas, e agora reduziu para os 64 mil por mês. “E com este dinheiro temos muitas dificuldades por causa da máquina de fazer blocos que não funciona. Estava previsto fazer uma cooperativa habitacional, mas já não é possível.”
O director provincial da Juventude e Desportos, Narciso da Costa, revelou á nossa reportagem que a primeira fase do projecto Crédito Jovem abrangeu 20 jovens. Justificou que devido à crise financeira houve uma suspensão nos financiamentos “mas Agora vamos dar sequência.”
Para os jovens que adquiriram o crédito, Narciso da Costa garantiu que as 15 cooperativas estão em pleno funcionamento. A grande dificuldade reside na solução dos problemas das cooperativas de indústrias de construção, no fabrico de material, mas tem estado a tentar a resolver essas questões para que continuem a trabalhar.
“Os financiamentos têm sido atribuídos no momento certo. Estamos na segunda fase do projecto e vamos alinhavar os processos para darem entrada no banco e este por sua vez vai fazer a sua parte, atribuindo o crédito aos jovens de acordo com o que está determinado no contrato”, garantiu Narciso da Costa.
O director da Juventude e Desportos do Namibe admitiu ter havido cepticismo por parte de alguns jovens por não acreditarem no programa.
“A paragem que tivemos na primeira fase faz com que nesta segunda alguns jovens mostrem cepticismo, porque ficamos um longo tempo parados. Uns porque a mensagem não chegou e outros continuam ainda a não acreditarem no projecto”, disse.
Narciso da Costa constatou que os beneficiários da primeira fase estão a demonstrar um maior empenho: “Há cooperativas que estão a trabalhar lindamente, algumas inclusive já solicitaram um outro crédito fora do âmbito do Crédito Jovem, principalmente as cooperativas do ramo do comércio, de prestação de serviços e de pesca artesanal que também continuam a dar o seu melhor. Mas todas essas cooperativas da primeira fase, na sua maioria, estão no fim de pagamento da prestação do crédito que lhes foi concedido”.
 
Inscrições para habitação
 
O director da Juventude e Desportos, Narciso da Costa, informou que estão abertas, desde o dia 7 do corrente, as inscrições para que os jovens da província tenham o acesso à habitação nas casas construídas no âmbito do programa do Governo Central.
“As obras estão no fim e nós já comunicámos ao Ministério da Juventude e Desportos que abrimos as inscrições para os jovens da província, afim de terem acesso à habitação”, disse Narciso da Costa. O responsável provincial da Juventude e Desportos acredita que até Fevereiro de 2010, todas as casas estão concluídas. Este mês, 20 casas estão concluídas e em Janeiro outras habitações ficam prontas: “Então poderemos abrir o sorteio para atribuição de casa aos jovens que se inscreverem”.
Narciso da Costa referiu que a construção das habitações para a juventude resulta de uma parceria entre o Ministério da Juventude e Desportos e o BPC. A concessão das casas tem crédito garantido.

Formação de empresários

O representante dos serviços provinciais do Instituto Nacional de Apoio às Pequenas e Médias Empresas, João Leite Calolo, disse ao Jornal de Angola que a sua instituição está a participar no programa “Angola Jovem” e tem como responsabilidade formar os jovens para os novos desafios com maior segurança e confiança naquilo que vão fazer e poderem entrar no mundo dos negócios sem o medo da competência a que hoje estão sujeitos.
Este é o terceiro curso que realiza mas que já pertence à segunda fase do programa. Os formandos aprendem matérias ao mundo dos negócios. “Como iniciar a sua pequena empresa” é um dos cursos ministrados pelo Instituto Nacional de Apoio às Pequenas e Médias Empresas que durou um mês, de 30 de Novembro a 5 de Dezembro.
 “Para este programa do Crédito Jovem nós temos disponíveis os cursos, ‘como iniciar a sua pequena empresa’ e ‘como administrar a sua pequena empresa’. Dentro de 30 dias começa um novo curso.  João Calolo explica que no primeiro curso, os jovens puderam ter noções básicas sobre “qual é o perfil que o empreendedor deve ter. É um desafio e ele tem que saber como se comportar para ter êxito. Neste curso nós passamos essa informação”. No curso “como administrar”, os alunos aprendem técnicas de administração e de gerência do seu negócio, “porque depois de terem disponíveis os financiamentos precisam destas noções. É isso que nós transmitimos aos jovens,” afirmou.
 João Leite Calolo informou que o Instituto Nacional de Apoio às Pequenas e Médias Empresas no Namibe já realizou 20 cursos, que dependem muito da adesão dos empresários. Disse que os seus serviços estão sempre abertos para fazerem inscrições para que os eventuais interessados façam e se habilitam a participar nessas formações.
 O responsável do Instituto Nacional de Apoio às Pequenas e Médias Empresas no Namibe acredita que alguns empresários na província continuam distraídos e “pensam que fazer negócio é como quem compra um armazém e logo começa a vender na esquina os produtos. É muito mais do que isso”.
Os candidatos a montar o seu próprio negócio precisam de uma formação empresarial, que é garantida pelos cursos do Instituto Nacional de Apoio às Pequenas e Médias Empresas. “Atendendo à nossa realidade e sabendo que o empresariado angolano é novo, para entrarmos no mundo dos negócios precisamos do mínimo de conhecimentos, para não sermos surpreendidos a meio da nossa actividade, e de determinadas técnicas indispensáveis à nossa actividade. E nós devemos estar vocacionados para isso”, disse José Leite Calolo.
O Instituto Nacional de Apoio às Pequenas e Médias Empresas, nos seus cursos, transmite conhecimentos sobre o comportamento e a definição do empreendedor, do empresariado, da escolha do sócio, das cautelas na escolha, dos critérios para admissão do pessoal e determinados conceitos que são importantes para que o empreendedor saiba caminhar.

 Satisfação dos empreendedores

Julião Diogo, 21 anos, é um dos formandos do curso realizado pelo Instituto Nacional de Apoio às Pequenas e Médias Empresas. Disse que a formação teve muita importância para a sua vida, pois adquiriu os primeiros conhecimentos de como formar uma empresa. Está também inserido numa cooperativa de pesca artesanal designada “Cinco Estrelas”, na qual desempenha a função de presidente fiscal, cujo arranque está condicionado à falta de financiamento.
“Sou estudante, já tenho alguns conhecimentos de economia, através do ensino médio. E com esta matéria que fui adquirindo durante a formação, acredito que estou preparado para abrir a minha empresa”.
João Manuel Chacupomba, pai de cinco filhos, é o presidente da cooperativa “Cinco Estrelas”. Disse que o seu projecto está inserido na actividade pesqueira. A cooperativa pediu um crédito para comprar uma lancha e “ vou trabalhar no meu ramo para desenvolver a nossa actividade. A cooperativa ainda não arrancou, estamos na fase de criação das condições. E para que tal aconteça, estamos a aguardar os financiamentos do banco”.
João Manuel Chacupomba acrescentou que “a nossa cooperativa vai ser instalada na Praia Amélia. Vamos gerir bem os nossos projectos para ultrapassarmos as dificuldades financeiras que vivemos hoje e garantir uma vida sadia no seio familiar”.
Linda Morais afirmou que depois da formação vai montar o seu próprio negócio no comércio e prestação de serviços. Na qualidade de empreendedora vai optar para um ramo no qual está especializada.
“Logo que a direcção da Juventude e Desportos juntamente com o Instituto Nacional de Apoio às Pequenas e Médias Empresas fizerem a entrega dos projectos e do financiamento, vamos ver qual será o mês a determinar, para iniciarmos a actividade. Estou mais ou menos especializada no ramo das pescas, para a província é mais uma contribuição porque vou servir a população na distribuição de pescado”, disse Linda Morais.

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