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Gestantes evitam contágio a bebés

Lourenço Bule | Menongue

Um total de 1.443 partos foram realizados de Janeiro a Setembro deste ano na Maternidade Provincial de Menongue, e destes 89 resultaram do corte de transmissão vertical, terapia que evita o contágio do vírus do VIH/Sida da mãe para o filho durante o parto, informou ontem a directora da maternidade. 

Muitas gestantes na província insistem em realizar o parto em casa e só recorrem à maternidade quando surge uma complicação grave
Fotografia: Nicolau Vasco | Menongue

Delfina Jamba explicou que dos partos realizados, 1.327 são nados-vivos, 116 nados-mortos e 173 por cesariana. Acrescentou que houve31 mortes maternas e quatro ocorrências de aborto provocado.
No período em análise, 1.719 mulheres acorreram ao Centro de Aconselhamento de Testagem Voluntária (CATV), o que resultou em 89 casos positivos e 1.620 casos negativos.
A directora da maternidade considerou positiva a atitude das mulheres que diariamente se dirigem voluntariamente ao CATV, mas disse que a grande preocupação tem a ver com os casos de mortes maternas que continuam a crescer pelo facto de muitas gestantes se furtarem às consultas pré-natais.
“Muitas gestantes insistem em fazer o parto em casa e só recorrem à maternidade quando surge uma complicação. Acho não ser uma boa atitude para quem pretende ter um parto saudável. eprovamos completamente esta atitude e apelamos às mulheres para terem um outro tipo de comportamento”, disse. O banco de urgência da Maternidade Provincial durante o período em referência registou a afluência de 4.319 pacientes, com destaque para o trabalho de partos, consultas pré-natais e planeamento familiar.
O hospital materno-infantil, com capacidade de 42 camas de internamentos, funciona com 161 trabalhadores, dos quais 91 técnicos clínicos e quatro médicos que diariamente realizam entre dez a 12 partos.   Delfina Jamba informou que das 4.319 consultas pré-natais e partos efectuados no período em análise, a maioria ocorreram em adolescentes, uma situação que está a tomar contornos preocupantes, daí ter apelado às autoridades e encarregados de educação no sentido de  adoptarem políticas para a redução ou eliminação da gravidez precoce.
Infelizmente, 60 por cento dos casos registados na maternidade provincial são de parturientes com idades inferiores a 18 anos, uma situação que  Delfina Jamba considerou grave e que deve ser urgentemente revisto.  A directora da maternidade admitiu que se está  perante a uma situação difícil de se combater os casos que vêem ocorrendo e disse ser necessário que os encarregados de educação dos adolescentes tenham uma participação mais activa na vida sexual dos filhos, abordando temas como o uso adequado da camisinha e outros métodos que evitem a  gravidez precoce.

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