Províncias

Gestão dos solos com as províncias

Arão Martins | Lubango

Mais de 100 mil agricultores das províncias da Huíla, Bié, Huambo e Malanje passam a integrar o programa de resiliência climática nos sistemas de produção agrícola e pastoris, através da gestão de fertilidade do solo em áreas vulneráveis, com a utilização de escolas de campo construídas nas referidas regiões.

Projecto vai também beneficiar agricultores que vão desenvolver e implementar novas abordagens que permitem aumentar a resiliência ao clima
Fotografia: Arão Martins | Lubango

O projecto, que está a ser desenvolvido pelo Governo de Angola, através do Ministério do Ambiente e a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e o Fundo Global para o Ambiente (GEF), foi lançado quarta-feira, na cidade do Lubango,
O vice-governador provincial da Huíla para o Sector Económico, Sérgio da Cunha Velho, garantiu que o projecto vai igualmente beneficiar 150.000 agricultores, que vão desenvolver e implementar novas abordagens e práticas que permitam aumentar a resiliência ao clima.
Sérgio da Cunha Velho considerou prioritária para o país a problemática das alterações climáticas, referindo que as autoridades têm demonstrado, desde 2000, o seu posicionamento quanto à ratificação da Convenção Quadro, das Nações Unidas, sobre o assunto.
Em 2011, salientou, o país adoptou o seu Programa Nacional de Acção de Adaptação (PNAA), com vista a contribuir para a redução das vulnerabilidades em relação às consequências negativas das alterações climáticas, assim como para a criação de condições de adaptação a nível sectorial.
O projecto surge em resposta aos desafios que se apresentam nas mudanças climáticas e tem como finalidade o fortalecimento da resiliência ao clima dos sistemas de produção agro-pecuária em áreas vulneráveis chaves nas províncias da Huíla, Bié, Huambo e Malanje. 
O vice-governador provincial da Huíla para o Sector Económico, Sérgio da Cunha Velho, explicou que o projecto assenta em quatro componentes: fortalecer o conhecimento e a compreensão da vulnerabilidade e adaptação às alterações climáticas, a intensificação de práticas melhoradas de adaptação às alterações climáticas e a gestão sustentável da terra através das escolas de campo. O projecto inclui aspectos como o de fortalecimento de adaptação dos ministérios do Ambiente, da Agricultura e do Comércio, governos provinciais, sociedade civil, Instituto Nacional de Meteorologia (Inamet) e funcionários do Gabinete de Segurança Alimentar.
Segundo o responsável, o programa vai permitir treinar formadores e facilitadores das escolas de campo, para disseminar as estratégias e práticas de resiliência ao clima. Sublinhou que os educadores vão ainda manter uma estreita ligação com os escritórios sub-regionais da FAO para a África Austral e Rede das Escolas de Campo, no sentido de minimizar o apoio ao desenvolvimento das mesmas e construir capacidade institucional. Deste programa, espera-se também que haja fortalecimento e coordenação intersectoriais para a implementação de abordagens que permitam integrar a adaptação às alterações climáticas no desenvolvimento rural e no sector agrícola.

Mudanças climáticas


Sérgio da Cunha Velho ressaltou que Angola viveu um período difícil que afectou as infra-estruturas meteorológicas e, como resultado, as análises das mudanças climáticas são difíceis devido à falta de dados dos últimos anos. As projecções disponíveis, disse, apontam para um declínio na duração do período de crescimento agrícola no sul de Angola e ao longo da costa. Acrescentou que caso as previsões se tornem realidade, a dependência das precipitações da maioria das culturas básicas, associada às práticas agrícolas insustentáveis e à erosão do solo predominante, resultaria em impactos com graves consequências sobre os pequenos agricultores.
A consultora do Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) em Angola, Georgina Amado, disse que, para a consumação do programa, foi feito, desde 2015 e até este ano, um trabalho de consulta será realizado através dos objectivos ambientais e de desenvolvimento.
Georgina Amado esclareceu que os objectivos ambientais e de desenvolvimento vêm reforçar a pretensão do Governo de Angola, na matéria de luta contra a pobreza e na adaptação às alterações climáticas que afectam cada vez mais a população, em particular as mais vulneráveis.
“Hoje em dia, a actividade agrícola não pode estar separada da sustentabilidade ambiental e o Governo de Angola tem recomendado à FAO o desafio de fornecer apoio técnico e metodológico, para garantir o desenvolvimento agrícola”, disse.
O Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação continua comprometida a dar apoio técnico e metodológico ao Executivo angolano. Com base neste projectos, além da sua execução, a organização vai também apoiar outros programas em curso, tanto a nível central como local.

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