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Gestores aconselhados a apostar na educação integral

João Luhaco | Lubango

A directora provincial da Cultura na Huíla, Marcelina Gomes, defendeu recentemente a necessidade de os gestores escolares obterem mais competência, para auxiliarem as crianças.

Simpósio realizado na cidade do Lubango traça estratégias para que as crianças possam aprender nas escolas muito mais do que ler e escrever
Fotografia: Arimateia Baptista | Edições Novembro-Lubango

Ao falar num simpósio organizado no Lubango pela direcção local da Educação sobre o programa de desenvolvimento e animação cultural, Marcelina Gomes considerou que os gestores devem desenvolver a dança, música, artes plásticas, literatura e artesanato, entre outras disciplinas que não têm sido implantadas nas instituições escolares.
Os documentos que regem o sistema de ensino dão atenção à educação integral da criança. “Isto significa que, além das competências que nós podemos desenvolver nos menores, como ler, escrever e contar, entre outras, temos também que desenvolver a arte com trabalhos manuais”, disse, sublinhando que esta é uma situação que poucos professores realizam nas escolas.
Para colmatar as insuficiência que se registam neste processo, Marcelina Gomes aconselha a criação de parcerias com os animadores culturais, o que depende, em parte, da dinâmica que a escola tiver, principalmente dos gestores que devem incluir nos seus projectos acções ligadas ao desenvolvimento cultural das crianças. A directora explicou que a instituição escolar é a detentora do processo de educação integral da criança e, por esta via, é possível garantir sempre a sua identidade cultural.
“A criança traz muitos conhecimentos de casa, mas eles são sistematizados na escola e, se não serem realizados, o menor fica amputado naquilo que é a sua identidade”, sublinhou. A chefe de departamento de infância e adolescentes da direcção provincial da Assistência e Reinserção Social na Huíla,  Adelaide Cambinda, propôs a melhoria da parceria com várias instituições afins no reforço de programas de promoção e protecção à criança, atendendo à sua identidade cultural. Durante o simpósio sobre o programa de desenvolvimento e animação cultural, a responsável informou que o Governo traçou várias acções, através do Ministério da Assistência e Reinserção Social, para a criança vulnerável e outros grupos do mesmo nível. Relativamente às acções para a criança vulnerável, citou os programas não institucionalizados ligados aos projectos de Mães tutelares, Leite e Papa, Promoção e Protecção da Criança e o de Localização e Reunificação Familiar.

Reintegração social

A responsável disse que estes programas visam apoiar a criança na reintegração e reinserção social, que precisam da intervenção de todos os activistas sociais.
Contudo, reconheceu que nos referidos programas existe uma grande parceria com todas as instituições públicas, particularmente as ligadas à educação, saúde e à justiça, uma vez que o acompanhamento à criança implica visitas domiciliares, apoio psico-social, encaminhamento e reintegração.
No caso das crianças sem cédulas de registo civil, disse que é obrigatório recorrer à Justiça para efectuar a inscrição nas instituições escolares.
Marcelina Gomes destacou o papel das mães tutelares, por estas acolherem dezenas de recém-nascidos abandonados pelas progenitoras a nível da cidade do Lubango. “Estas mães cuidam das crianças durante dois anos, sem nenhuma troca, o que chamamos de uma resposta social”, afirmou.

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