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Golungo Alto dá passos rumo ao desenvolvimento

Adalberto Ceita

O administrador municipal do Golungo Alto, Cirilo Mateus, afirmou, ao Jornal de Angola, que o que recebe do Orçamento Geral do Estado “é insuficiente para o conjunto de necessidades”, mas que o “trabalho em prol de melhores condições de vida dos munícipes vai continuar”.

 

O administrador municipal do Golungo Alto, Cirilo Mateus, afirmou, ao Jornal de Angola, que o que recebe do Orçamento Geral do Estado “é insuficiente para o conjunto de necessidades”, mas que o “trabalho em prol de melhores condições de vida dos munícipes vai continuar”.
O fraco investimento empresarial no município, o deficiente fornecimento de energia eléctrica, as poucas infra-estruturas desportivas e culturais, o débil saneamento básico e a escassez de água potável, que propicia o aparecimento de doenças diarreicas, são referidas por Cirilo Mateus como “principais factores de fragilidade na circunscrição”.
Mas, no Golungo Alto não existe espaço para a letargia. Timidamente, a construção e reabilitação de várias infra-estruturas conquistam espaço. O administrador municipal sublinhou que a metodologia de trabalho em vigor na repartição do Golungo Alto está integrada no Programa de Intervenção Municipal (PIM).
O PIM, disse, tem raízes na descentralização financeira das administrações municipais a nível do país. Com o olhar no futuro, um Plano Anual de Actividades e Orçamento Municipal (PLAOM), para 2010, foi já elaborado.
Deste plano, constam diversos projectos nos sectores da saúde, educação, energia e águas, agricultura e agro-pecuária, saneamento básico e obras públicas. Cirilo Mateus sustenta que o “programa pretende reduzir, significativamente, em quatro anos, as actuais dificuldades”.
A iniciativa, esclareceu, partiu do levantamento feito no seio das comunidades e das preocupações levantadas pelos membros do Conselho de Auscultação Social. Sem negligenciar outros problemas que afectam o município, a essência dos subsídios apresentados pelos dois lados convergiram na questão da energia eléctrica e da água potável.

Saúde e educação

“Temos projectos de construção e reabilitação das estruturas hospitalares, escolares, centros de formação profissional e postos de abastecimento de combustível. Vamos, também, munir os camponeses de material indispensável, com o propósito de aumentar e diversificar a produção agrícola e, consequentemente, reduzir os níveis de pobreza”, disse.
Além do empenho no PLAOM, Cirilo Mateus garantiu que passos estão a ser dados para a elaboração do plano director de desenvolvimento municipal.
O empenho no combate à malária, que nesta altura é a enfermidade mais frequente, conta como o reforço da capacidade de internamento do hospital municipal, que passou a ter 80 camas disponíveis. Os serviços de pediatria e de maternidade têm tido muita procura. Quatro postos de saúde, três médicos e 48 enfermeiros complementam o quadro geral no domínio da saúde.
Neste particular, o PLAOM incluiu a reabilitação, ampliação e apetrechamento do hospital municipal, a aquisição de uma ambulância e a “extensão da rede sanitária até às localidades mais longínquas”.
No sector da Educação, além da ampliação da escola do 1º ciclo do ensino primário nº 19, está em fase de apetrechamento em mobiliário uma outra do 2º ciclo do ensino secundário, o que aumenta para 42 o número de estabelecimentos de ensino.
Um centro profissional e uma casa destinada à juventude entram nas contas. Ao todo, 193 professores têm a responsabilidade de acompanhar pouco mais de 6.717 alunos inscritos no sistema de educação. Cirilo Mateus acrescentou que o caderno de encargos elaborado contempla, também, a reabilitação das administrações comunais de Kambondo e Kilwanje, a construção de um mercado municipal e de dois campos de futebol.

Água e agricultura

Enquanto se aguarda pela realização do programa comunitário “Água para todos”, com os meios à sua disposição a administração reabilitou e activou mais de uma dezena de chafarizes e poços de água nas comunas de Kambondo e Cêrca. Para o êxito desta empreitada, salientou Cirilo Mateus, o “apoio da população foi valioso”.
Com a entrada em funcionamento dos chafarizes foi possível reduzir, de forma significativa, os casos de cólera e doenças diarreicas.
Com o objectivo de facilitar a circulação automóvel, a par da restauração das ruas do município, foram ampliadas e reabilitadas as principais vias de acesso ao Golungo. A terraplanagem foi o primeiro passo. Mais de 200 quilómetros de estradas estão praticamente preparadas para receber a camada de asfalto, inclusive as vias que há mais de vinte anos se encontravam intransitáveis.
“Anteriormente, no trajecto Golungo Alto-Ndalatando as pessoas eram obrigadas a viajar quase metade do dia. Hoje, o mesmo percurso pode ser feito em uma hora”, garantiu.
Cirilo Mateus adiantou que as acções se estenderam à construção de infra-estruturas agrícolas. Como exemplo, referiu a construção de uma aldeia rural, em Canaúl. A agricultura manual foi substituída pela mecanizada, para rentabilizar as vantagens da riqueza dos solos e rios com fluxo constante. O número de área de cultivo ainda é reduzido, não garantindo o sustento alimentar da população, mas a fome tem diminuído.
“Precisamos de ter esperança e de juntar os esforços de todos os filhos da terra, com ideias e actos, individuais ou colectivos, mas de maneira organizada, com os do Governo. Aos que desejarem realizar projectos empresariais, estamos aqui para ajudar em benefício do Golungo Alto”, declarou.

Regresso aos campos de cultivo

O ambiente de paz no país foi bastante elogiado pelo soba grande do Golungo Alto, Paulo Queta, que não escondeu a satisfação pelo regresso dos camponeses aos campos de cultivo, o ressurgimento dos poços de água e a construção de escolas nas três comunas. “Por si só, esta situação tem vindo a reavivar a esperança em dias melhores no seio das populações. O exemplo está no ano agrícola passado, que teve boas colheitas”, disse, acrescentando:
“Tivemos boa colheita de produtos como milho, mandioca, feijão e jinguba. Ainda não é aquilo que todos desejamos, mas, com apoio, no tempo certo podemos fazer melhor”.
Uma das reclamações de Paulo Queta tem a ver com o surto de paludismo na região e com a “confirmação de cinco casos de Gripe A/ H1N1”. A situação motivou uma intensa campanha de prevenção para impedir a propagação da doença. Além de Paulo Queta, o Golungo Alto tem 56 representantes da autoridade tradicional.

Fundação e origem

No dia 21, o Golungo Alto completou 53 anos de existência. A data coincide com as comemorações de “Santo Hilarião”, padroeiro da região, facto que levanta divergências acerca da verdadeira origem da sua fundação.
Antiga capitania-mor, concelho e distrito, reza a história que o Golungo Alto teve várias designações e sofreu diversas transformações. Zenza do Golungo, Icolo-Golungo constituem exemplos. A sua ocupação deveu-se ao curso do Bengo que, a partir das lagoas do Cabiri, para montante se passa a chamar Zenza e ainda pela fertilidade dos seus terrenos e até benignidade do seu clima, que, não fosse a propagação da mosca do sono, era dos melhores da região. O Zenza do Golungo compreendia o Alto Dande e Icolo-Bengo.
No ano de 1760 recebe a denominação de Icolo-Golungo, dando origem ao concelho da Barra do Bengo. Antes de se chamar Golungo Alto, sofreu, ainda, uma cisão, em 19 de Novembro de 1810.
A circunscrição Civil do Golungo Alto foi criada em 1911, por ocasião do estabelecimento do regime de circunscrições. Entre os naturais e descendentes da terra, a discussão continua em aberto, mas as comemorações do município são realizadas tendo como ponto central o dia 21 de Outubro.

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