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Governador de Cabinda ouve preocupações da população

Bernardo Capita e Pedro Suculate | Cabinda

O governador Marcos Nhun-ga começou a jornada de trabalho com a deslocação à aldeia de Tchizo, “bastião da tradição de Cabinda”, para receber a “bênção tradicional”, ritual dedicado a todo o novo governante da província. A cerimónia é fei-ta pelos anciãos da aldeia, com a exibição dos bakama, símbolo da cultura e do po-der ancestral.

Fotografia: António Soares | Edições Novembro

Depois da bênção tradicional, o governador deslocou-se ao município de Cacongo, onde se reuniu com os membros do Conselho de Auscultação e Concertação Social, a que se seguiram visitas a empreendimentos sociais, com destaque para a Escola de Formação de Professores, as obras de constru-ção do novo hospital municipal e às do reservatório de água potável, inseridos no projecto de abastecimento de água à cidade de Cabinda e arredores. O posto fronteiriço de Massabi também recebeu a visita do novo governador.

Em Cacongo, existem 1.330 alunos fora do sistema de ensino, por falta de salas de aula. O governador Marcos Nhunga prometeu, a partir do próximo ano lectivo, inverter o quadro, com a construção de escolas em diversas aldeias do município. Para o sector da Saúde, o governador prometeu, igualmente, não só dar sequência às obras do novo hospital municipal, paralisadas há mais de três anos, como também construir e apetrechar mais postos e centros.

Tal como o fez em Ca-congo, Buco-Zau e Belize, o governador anunciou a se-quência das obras no sector social, para levar dignidade às populações, que brindaram a delegação com uma calorosa recepção. Em cada um dos municípios, Marcos Nhunga reuniu-se, em separado, com as autoridades locais, para se inteirar da realidade social das duas municipalidades.
As preocupações e sugestões apresentadas, quer pelos dois administradores municipais, quer por membros dos respectivos conselhos de Auscultação e Concertação Social, foram convergentes. Solicitaram ao governo da província mais atenção na resolução dos problemas que, teimosamente, continuam a dificultar o desenvolvimento dos municípios do interior.
Os intervenientes reconheceram os esforços do governo da província para a melhoria das condições de vida das populações, mas lembraram haver ainda muita coisa por fazer. Apontaram como exemplo a reabilitação das estradas principais, secundárias e terciárias. A este respeito, as autoridades tradicionais, sobretudo as do município mais a norte, Belize, apontaram a péssima situação em que se encontra a úni-
ca estrada que liga a localidade do Alto Sundi à sede municipal, numa extensão de aproximadamente 100 quilómetros. Pontes e pontecos estão totalmente danificados e ravinas ameaçam cortar a circulação.
Depois da realidade constatada nos três municípios - Cacongo, Buco-Zau e Belize -, o governador exortou os gestores públicos (administradores) a uma maior responsabilidade e transparência no exercício de funções. Lembrou que o país está com sérias dificuldades financeiras e que os poucos recursos disponibilizados devem ser rigorosamente utilizados em prol das populações. Sublinhou a necessidade de uma maior transparência nos processos de contratação e adjudicação de obras, evitando a sobre-facturação. “Quem violar as normas, pode contar que irá para a cadeia”, advertiu Marcos Nhunga.
Em relação à reabilitação de estradas e vias secundárias e terciárias e a outras preocupações sociais e projectos estruturantes dos municípios, o governador garantiu tudo fazer para os atender e assim oferecer melhores condições aos cidadãos que habitam nessas localidades.

Apelo ao combate ao tribalismo

Na sua primeira visita ao interior de Cabinda como governador, Marcos Nhunga não se ficou pelos projectos sociais para melhorar as condições de vida das populações. Apelou também ao fim de práticas e tendências tribais.
No discurso para as populações de Belize, Cacongo e Buco-Zau, durante a sua apresentação como novo governador, Marcos Nhunga fez questão de condenar o “tribalismo e o regionalismo” e de apelar para a harmonia e unidade da população de Cabinda, em particular, e de Angola, de um modo geral. Garantiu que está na província para servir a todos por igual.
“O tribalismo e o regionalismo são dois males que impedem o desenvolvimento dos povos e, principalmente, dos países africanos”, sublinhou. Marcos Nhunga apelou ainda para necessidade de a sociedade civil, sem discriminação de cor, raça, etnia, crença religiosa ou partidária, ajudar o Governo a combater o tribalismo e o regionalismo.
As autoridades tradicionais e religiosas, enquanto líderes das comunidades, foram também chamadas a contribuir, com mensagens de amor ao próximo, de modo a irradiar o tribalismo e a promover o respeito, a união e a irmandade.
“É preciso que o povo saiba e entenda que a província de Cabinda vai do Miconge ao Yema e de Massabi ao Zenze de Lucula, daí que somos todos um e único povo”, lembrou. O governador respondia às pessoas segundo as quais os cidadãos de Cabinda naturais de Maiombe estão agora melhor servidos, com a governação de Marcos Nhunga, por este ser natural de Buco-Zau.
“Como governador da província, não irei tolerar actos de tribalismo ou de intolerância, principalmente, evidenciados por membros do governo, que têm como principal missão servir o povo, sem discriminação étnica, proveniência ou cor partidária”, advertiu.
O governador disse que “se está a criar a ideia de que, com a minha nomeação, haverá privilégios para um determinado grupo. Estão completamente enganados os que assim pensam. Estou aqui para servir todos por igual”, assegurou.
Cabinda tem quatro municípios e sete grupos etno-linguisticos: bawoyo, bakwacongo, bacotchi, balindgi, bayombe, bavili e bassundi.

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