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Governos priorizam formação

Edson Fontes | Caxito e Delfina Victoriano | Malanje

As autoridades provinciais do Bengo estão a traçar uma série de estratégias que visam abrir mais oportunidades para que as mulheres mais jovens tenham maior acesso à formação académica e técnico-profissional.

Políticas traçadas pelo governo em prol da melhoria de vida das mulheres e suas famílias é estendida a várias regiões
Fotografia: Nuno Flash | Edições Novembro

Nos últimos tempos, a direcção provincial da Família e Promoção da Mulher, sob orientação do Governo do Bengo, tem levado a cabo vários ciclos de formação que têm a ver com o empreendedorismo, corte e costura, horta familiar e outros.
Para que este objectivo se materialize, a directora provincial da Família e Promoção da Mulher, Isabel Pereira dos Santos, apelou as mulheres mais jovens à aderirem cada vez  mais aos programas de formação, a fim de  facilitar  a sua inserção no mercado de emprego e contribuírem para o desenvolvimento do país e, em particular, da província do Bengo.
Isabel Pereira dos Santos falava em Caxito, durante uma palestra subordinada ao tema “A mulher africana empoderada e partícipe nos processos de desenvolvimento, rumo a uma África pacífica e integral”.
Durante o encontro, foram abordados temas relacionados com “A penalização ou despenalização do aborto à luz do Código Penal” e a “Violência doméstica (separação do casamento e suas consequências)”.
Na reunião, as mulheres foram advertidas ainda para os cuidados a ter com os riscos da gravidez e do casamento precoce, suas causas e consequências, uma vez que têm sido dois  dos grandes factores do abandono escolar a nível da província do Bengo.
“A mulher tem actualmente grande responsabilidade com o Estado, dai chamar a atenção para que as mesmas participem mais nas acções que o governo da província criou, no sentido de todos combaterem os males que enfermam ainda esta camada da sociedade”, disse Isabel Pereira dos Santos, que acrescentou que as políticas traçadas pelo governo em prol da melhoria de vida das mulheres e suas famílias vão ser estendidas a todas as localidades da região, no sentido de que elas saibam a importância do género no seio da sociedade. Relançamento de cooperativas Isabel Pereira dos Santos revelou que são vários os projectos de integração para a mulher no Bengo, com destaque para o relançamento das cooperativas e das associações de camponesas.
A presidente da Ordem dos Enfermeiros  do Bengo, Guilhermina Guilherme, disse que o encontro deu prioridade à abordagem sobre o aborto à luz do Código Penal, em função da importância que o tema representa actualmente. Guilhermina Guilherme explicou não existir causas definidas, mas factores como é o caso da gravidez precoce, da rejeição do parceiro e, às vezes, dos pais, do sentimento de renunciar aquilo que são os seus sonhos. “São estes alguns motivos que levam ao aborto provocado”, rematou.

Acto em Malanje

O vice-governador provincial de Malanje para o Sector Económico solicitou na segunda-feira o envolvimento da sociedade no combate ao casamento precoce no seio de muitas famílias, que continuam  a multiplicar-se a nível das comunidades. Domingos Eduardo, que discursava nas festividades do 31 de Julho, data consagrada à Mulher Africana, que decorreu sob o lema “Mulher Africana imponderada e participe nos processo de desenvolvimento rumo a uma África pacífica e integral”, disse que os casos de casamento precoce continuam a ser uma preocupação para o Governo, porque embaraçam o desenvolvimento de uma determinada sociedade.
Domingos Eduardo disse ser imprescindível que as jovens mulheres africanas  concluam os ciclos de ensino e não vivenciem circunstancias de casamentos e gravidezes precoces, que constituem barreiras para a sua efectiva participação e edificação de uma África pacifica, próspera e integral. O vice-governador provincial aconselhou   as mulheres a apostarem na formação académica, com vista a garantir a sua independência financeira e contribuírem para o desenvolvimento do país. Domingos Eduardo acrescentou que é a formação que permite ocupar os cargos de destaque e não só, pois a mulher africana está particularmente marcada pela discriminação, que tem a ver com a falta do livre exercício do seu direito cívico, político e económico.
Com vista a mudar o actual contexto, Domingos Eduardo disse que as agendas dos Governos    africanos começam hoje a ter como principal foco os direitos das mulheres, referindo que actualmente a mulher ocupa pelo menos 50 por cento dos cargos na função pública a todos os níveis.
O vice-governador disse que, devido ao facto de as mulheres representarem o grande potencial na vida económica do país, elas devem  participar massivamente na festa democrática de 23 de Agosto, na escolha dos novos governantes.

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