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Homenagem aos defuntos marcada pela consternação

Camuanga Júlia e Flávia Massua | Saurimo


O choro descontrolado de uma senhora rompeu o silêncio e atraiu a atenção de pelo menos mais de cinquenta pessoas, que por volta das 9h30m de segunda-feira, dia 2, limpavam, sem pressa, as campas dos seus entes queridos, no cemitério municipal de Saurimo, vulgo Catorze, sob um céu cinzento.

 

O choro descontrolado de uma senhora rompeu o silêncio e atraiu a atenção de pelo menos mais de cinquenta pessoas, que por volta das 9h30m de segunda-feira, dia 2, limpavam, sem pressa, as campas dos seus entes queridos, no cemitério municipal de Saurimo, vulgo Catorze, sob um céu cinzento.
Muetcheno Madalena, aparentando ter mais de trinta anos, continua inconformada com a morte súbita do esposo, ocorrida a menos de uma semana.
“És um ingrato. Partiste sem dizer nada. É triste meu amor”, diz, estatelada sobre o monte de terra da campa.
Enquanto Muetcheno Madalena chora pela partida prematura do marido, o cemitério vai registando a entrada de mais pessoas que levam consigo baldes, vassouras, para limpeza das campas, e coroas de flores para depositarem nos túmulos dos ente-queridos. />A reportagem do Jornal de Angola ouviu alguns dos presentes. Joaquina Rodrigues, 44 anos, considera que “o dia dos finados, além de lembrar os que já partiram, serve, também, para reflectir sobre os maus actos praticados por muitos jovens nos campos santos”.
O ancião Armando Mutambi, 76 anos, que foi ao cemitério depositar uma coroa de flores na campa da sua mulher, que deixou o mundo dos vivos há 19 anos, disse que “o dia é de muita tristeza e que não tenho muito para dizer”.
Um outro ancião criticou duramente os jovens, e não só, que fazem festas e demostram alegria durante os cortejos fúnebres, assim como aqueles que fazem passagem de modelo, exibindo as melhores marcas de roupa, em vez de aparecem com roupas de cores escuras, que simbolizam tristeza.

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