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Hospital Geral do Cuando Cubango à espera de especialistas há anos

Weza Pascoal | Menongue

Cerca de três anos depois da sua inauguração, os serviços de maxilofacial, cardiologia, neurologia, psicologia clínica, fisioterapia e urologia do Hospital Geral do Cuando Cubango continuam encerrados ao público, por falta de profissionais especializados, para as respectivas áreas.

Área de estomatologia é uma das que mais necessita de técnicos especializados
Fotografia: Nicolau vasco | Edições Novembro | Menongue

O porta-voz da unidade sanitária, Victorino Vicente, disse ao Jornal de Angola que apesar das áreas acima descritas estarem devidamente equipadas com tecnologia moderna e serem importantes no tratamento da população, até agora não funcionam por falta de especialistas.
Victorino Vicente informou que a unidade sanitária foi contemplada com cinco médicos de clínica geral e igual número de técnicos de saúde, estando neste momento a aguardar por mais seis médicos, admitidos no último concurso público, mas ainda assim o número de médicos e enfermeiros não satisfaz a demanda de pacientes, que veêm de diversos pontos do Cuando Cubango e de outras províncias.
O não funcionamento das referidas áreas, acrescentou Victorino Vicente, faz com que muitos pacientes tenham que recorrer às províncias da Huíla, Huambo ou Luanda, ou ainda, a países como a Namíbia, Zâmbia e África do Sul, em busca de assistência médica.
Actualmente, o hospital conta com vários médicos, distribuídos em diferentes especialidades, dos quais 15 cubanos, nove angolanos, seis coreanos, três russos, 41 enfermeiros e 120 técnicos de enfermagem, disse Victorino Vicente.
Dos médicos em serviço no Hospital Geral do Cuando Cubango, oito são de clínica geral, quatro de medicina interna, quatro ortopedistas, quatro de cirurgia geral, três de diagnóstico e terapêutica, dois de ginecologia e obstetrícia, um de fisioterapia e outro de saúde pública, informou Victorino Vicente.
O Hospital Geral do Cuando Cubango tem ainda, um médico de anatomia patológica, um estomatologista, um de oftalmologia, um otorrinolaringologista, de microbiologia, um neonatalogista, um intensivista, um gastroenterologista, um pediatra, um especialista de laboratório, um ecografista, um electro-médico e dois anestesistas, segundo Victorino Vicente.

Doenças mais frequentes
Victorino Vicente disse que no primeiro semestre do ano em curso o Hospital Geral do Cuando Cubango atendeu 26.652 pacientes, dos quais 200 morreram, e apontou a malária, tuberculose, VIH/Sida, hipertensão arterial e diabetes como as doenças mais frequentes. “Os casos de acidentes de viação são muito frequentes no hospital, provocados na sua maioria pela condução em estado de embriaguez, o mau estado de algumas vias de acesso, bem como pelo desconhecimento do código de estrada, principalmente, entre mototaxistas.”
Victorino Vicente disse que muitos pacientes que falecem por malária chegam ao hospital já em estado grave, porque primeiro recorrem a tratamentos tradicionais ou às igrejas e acrescentou que a área de medicina interna registou o falecimento de 19 neonatos prematuros, 18 mortes por anemia, 13 por enfermidades cardiovasculares, dez por traumatismos cranianos provocados por acidentes, quedas, bem como dez por tuberculose. Foram diagnosticados 187 casos de tuberculose,dos quais 58 internaram e 68 estão em seguimento.
A área da pediatria registou 10.347 casos de malária, dos quais 85 crianças morreram, 581 novos casos de VIH, dos quais 25 morreram, 1.887 casos de doenças respiratórias e 680 casos de doenças diarreicas agudas, informou Victorino Vicente.

Maternidade

A área da maternidade realizou no período em balanço 347 partos, dos quais 326 nados vivos, 21 nados mortos e 26 foram submetidos à terapia de corte de transmissão vertical, para evitar o contágio do vírus do VIH/Sida da mãe para o filho durante o parto, reportou Victorino Vicente, tendo acrescentado que o hospital registou a morte de onze parturientes. O hospital registou 300 novos casos de VIH, 581 em crianças e 11 em mulheres grávidas, que têm recebido o tratamento anti-retroviral. “Foram ainda realizadas 216 cirurgias de urgência e 184 cesarianas.”

Oftalmologia

Mais de 120 pacientes diagnosticados com cataratas no Hospital Geral do Cuando Cubango, durante o primeiro semestre do ano em curso, foram transferidos para o hospital da província de Benguela, por falta de um especialista para a realização de cirurgias, disse Victorino Vicente, que precisou que actualmente o Hospital realiza simplesmente consultas de oftalmologia e optometria, para o diagnóstico e tratamento dos casos menos graves, distribui de alguns fármacos e recomenda o uso de lentes graduadas, para a correcção de alguns problemas de visão.
“A área de oftalmologia tem um especialista para atender toda a província e necessita de medicamentos e materiais como biómetros, lâmpadas de fenda, ultra-sons oculares, microscópio corneal, material cirúrgico ocular, suturas oculares, lentes intra-oculares, entre outros”, para funcionar em pleno e realizar operações.
“A área de oftalmologia atendeu no período em balanço 2.106 pacientes, dos quais 525 foram diagnosticados com conjuntivites, sobretudo em crianças menores de cinco anos. Diariamente, acrescentou, são atendidos cerca de 11 pacientes”, disse Victorino Vicente.
Na área de estomatologia foram atendidos 890 pacientes, dos quais 242 com celulite dentária, 231 com cárie dentária e 179 com odontalgia, adiantou. “A referida área está bem equipada, mas não fazemos operações e próteses dentárias por falta de especialistas e de algum material”.

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