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Huambo elevado a cidade há 108 anos

Estácio Camassete | Huambo

A 8 de Agosto de 1912, através da portaria 10.40, de 8 de Agosto de 1912, assinada pelo então general e político português José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos, o Huambo foi elevado à categoria de cidade.

Zona emblemática da cidade do Huambo que hoje completa 108 anos da sua fundação
Fotografia: DR

O acto político e cultural da fundação fora realizado no largo junto ao prédio do Pica-Pau, onde foram traçadas as metas do desenvolvimento da cidade em termos demográfico e urbanístico da futura capital do Planalto Central.  

Segundo narrações, a cidade teve dois momentos importantes e marcantes da sua história: o dia 8 de Agosto de 1912, da fundação, e o 21 de Setembro, do mesmo ano, como o da inauguração, 43 dias depois de exarada a portaria, de elevação a cidade, que viria a ser designada, em 1928, de Nova Lisboa. 

A inauguração da cidade do Huambo, conforme explicações do historiador Festo Sapalo, coincidiu com a realização da primeira viagem do comboio do Caminho de Ferro de Benguela (CFB), que trouxera Norton de Matos, facto que marcou abertura das ligações ferroviárias entre a cidade portuária do Lobito e o Leste do país.

Em 1909, Norton de Matos substitui Cabral de Moncada, no cargo de governador-geral da Província Ultramarina de Angola, tão logo conheceu a região do Planalto Central.  O alto-comissário, assim que assumiu as rédeas do poder, aboliu a continuidade de edificação de casas de madeira, cobertas de capim, e impôs a construção de casas definitivas de alvenaria, com o intuito de projectar uma nova cidade.

O desenvolvimento da cidade, segundo documentos, surge antes de 1902, com o fim das invasões militares na região do Forte da Quissala, onde se localizava a única unidade militar portuguesa na época. O berço da cidade do Huambo, recorda Festo Sapalo, é o Forte da Quissala, na zona onde funciona o mercado com o mesmo nome.

A Quissala fora o local que recebera os primeiros comerciantes portugueses, provenientes de Benguela, mais tarde encaminhados para a outra zona comercial da cidade, hoje conhecida como bairro da Rua do Comércio, onde, à época, apareceram os principais centros comerciais.

De Wambu para Nova Lisboa

A actual cidade do Huambo era denominada Wambu, em homenagem a um dos seus primeiros habitantes, o lendário caçador Wambu Kalunga, vindo da região de Seles, Cuanza-Sul, que perseguia um elefante e que acabou de o abater nas imediações do rio Cunhoñgamua, próximo das pedras Ganda La Kawe, no município da Caála.

Nesta municipalidade acabara por montar o seu acampamento, para a secagem da carne. Por fim, de tanto gostar da região, foi à terra de origem em busca da família para se fixar no novo território descoberto.  

Em 1928, o engenheiro Vicente Ferreira e então governador-geral da Província de Angola, projectista da cidade, atribui ao Huambo o nome de Nova Lisboa, com o propósito de que esta passasse a ser a capital de Angola, bem como de todas as províncias ultramarinas, tendo em conta a sua arquitectura e o clima da região, que se assemelha à capital da metrópole, Lisboa, segundo fez saber o historiador, Festo Sapalo.

Em função da mudança de nome, as casas cobertas de capim da nova vila deram lugar a construções de carácter definitivo e edifícios dos órgãos administrativos e religiosos. A vida da nova urbe, com esta dinâmica, começara a progredir. Mas o crescimento, repentino, do Huambo ocorreu nos últimos anos da década de sessenta, com o aparecimento de um parque industrial forte e a intensificação da actividade económica diversificada.

O esboço da cidade, traçado pelo engenheiro Vicente Ferreira, terminara em 1911, segundo as orientações de Norton de Matos, tendo este preparado parcelas de terrenos e indicado os espaços para arquitecturas civil, militar, religiosa, funerárias, e definidas todas as ruas. 

 Entre os primeiros edifícios definitivos construídos, na parte alta da cidade, destaca-se a actual biblioteca Constantino Kamoli, que funcionara como Câmara Municipal, a residência dos padres, actualmente Centro Médico da Polícia Nacional, a primeira escola, junto do agora prédio do registo civil, e casa de passagem dos serviços de telecomunicações, transformada, nestes tempos, em museu.

A fundação do Huambo é antecedida do surgimento das primeiras missões católicas, destacando-se a missão do Cuando, fundada, em 1910, por Monsenhor Luís Alfredo Keilling que, antes de ser construída no actual espaço, funcionava no centro da cidade, junto à Biblioteca Municipal Constantino Kamoli.

O missionário tinha intenções de erguer, antes, a missão junto à zona, mas a ideia fora inviabilizada pelo facto de ter sido o local onde Norton de Matos projectara a passagem do Caminho de Ferro de Benguela (CFB). A situação obrigara Monsenhor Keilling a escolher, em 1911, um outro local, perto do rio Cuando, a 18 quilómetros de onde funciona até hoje.

A paróquia da Sé do Huambo surgira 20 anos depois da fundação da cidade, em 1932. O local escolhido por Monsenhor Luís Alfredo Keilling, talhão registado sob o número 284, fora atribuído pelo governador-geral Lopes Mateus e a construção esteve a cargo do engenheiro Marques Trindade, que teve o patrocínio do Banco de Angola e de outros benfeitores.

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