Províncias

A Caála em festa de anos

João Constantino | Huambo

A Caála celebrou 40 anos desde que ascendeu à categoria de cidade. A antiga vila Roberto Williams esteve sempre ligada à produção de bens industriais e alimentares de primeira necessidade, fruto da sua ligação ao Caminho-de-Ferro de Benguela

Pormenor da zona central da cidade e do monumento à cultura do milho que simboliza a prosperidade local
Fotografia: Francisco Lopes

A Caála celebrou, no dia 15, quarenta anos desde que ascendeu à categoria de cidade. A antiga vila Roberto Williams, a 22 quilómetros da cidade do Huambo, esteve sempre ligada à produção de bens industriais e alimentares básicos.
A cidade da Caála teve um rápido desenvolvimento económico, em grande parte, devido à proximidade com a cidade do Huambo e às suas condições naturais. Está situada na linha rodoviária e ferroviária principal que entrelaça o litoral sul ao centro e leste do país. Tinha, até antes da deterioração geral provocada pelo conflito armado, uma das principais estações de comboio do Caminho-de-ferro de Benguela. 
A cidade já chegou a ser o segundo maior parque industrial da província do Huambo, com várias fábricas de produtos alimentares e de bebidas espirituosas, gráficas e algumas de manufactura. Como tantas outras infra-estruturas produtivas e sociais não foram poupados pela guerra.
Para a recuperação das infra-estruturas sociais da vila, e do município no seu todo, o Governo concebeu um orçamento, para os próximos anos, de mais de cinco mil milhões de kwanzas. Mais escolas, centros e postos médicos e casas para os técnicos vão ser construídos no quadro do programa do Governo.  
Já se notam mudanças na cidade e seus arredores, facto que está a permitir o regresso significativo e consistente de quadros que se encontravam a residir noutras províncias, A qualidade de vida, em geral, melhorou bastante. 
O verde da relva e das plantas reapareceu nos largos e jardins. Muitos estabelecimentos de prestação de serviços voltaram ao funcionamento normal. Nos arredores estão a ser erguidas novas unidades fabris para acelerar o desenvolvimento da região.
Vários estabelecimentos comerciais e hoteleiros estão também a ressurgir. A cidade conta já com uma rede dinâmica destes serviços. Cerca de 420 unidades, entre restaurantes, bares e hospedarias servem os munícipes, homens de negócios e visitantes.
O administrador municipal, Miguel Somakessendje, afirmou, ao Jornal de Angola, que, apesar de alguns atrasos que se registam no acabamento de certas obras em reabilitação, a Caála é um dos municípios que mais investimentos estão a receber na província do Huambo.
“Até ao ano de 2008, as obras decorriam a bom ritmo. Mas devido à crise económica e financeira que abalou o mundo, no ano passado, houve um pequeno recuo”, disse Somakessendje, mostrando-se optimista quanto à recuperação económica da região.
O abalo económico provocou também a redução do ritmo da recuperação das estradas secundárias e terciárias, a reconstrução e construção de mais escola, postos de saúde, sistema de iluminação pública e distribuição de água.

Educação e saúde

O sector da educação está entre as prioridades das autoridades locais. Com a construção de mais escolas, a maioria dos alunos e estudantes deixou de ter de se deslocar à capital da província para prosseguir os estudos. Evitam-se assim inúmeros constrangimentos causados pela distância e pelo transporte.
A Caála tem muitos professores com elevado nível profissional, que garantem o processo de ensino e aprendizagem em todas as localidades do município. Mesmo assim, referiu o chefe da repartição municipal da Educação, Mateus Sousa, há ainda algumas crianças fora do sistema de ensino, sobretudo as que vivem em zonas distantes do centro da cidade.
Mateus Sousa garantu que o quadro se vai inverter com a recuperação de algumas escolas, a construção de várias e a admissão de mais professores, de modo a fazer com que as crianças deixem de percorrer longas distâncias.
“Podemos encontrar em algumas turmas do ensino primário, salas com 75 alunos. Há localidades onde um professor lecciona desde a primeira à 4ª classe”, lamentou.
No sector da saúde, o quadro não é preocupante, pois o município tem unidades sanitárias em bom número e de qualidade. O paludismo e as doenças diarreicas agudas são as mais frequentes.
Na sede do município funciona um hospital com capacidade para internar 158 doentes, dispõe de cinco médicos, três técnicos superiores de enfermagem, 173 enfermeiros e 157 enfermeiros auxiliares. 
Albino Duma Ernesto, chefe de repartição municipal da Saúde, referiu, ao Jornal de Angola, que o número de técnicos é satisfatório: “Nunca tivemos tantos técnicos”.
São aproximadamente 500, os técnicos de saúde que trabalham no sector da saúde, por isso, Albino Duma diz que estão bem servidos. A rede sanitária foi também ampliada para acudir as populações das ombalas e de algumas aldeias distantes da cidade.
Ainda assim, o sector, sublinhou, necessita de quadros, que possam responder às necessidades das populações, tanto da sede como dos arredores. 
 
Energia e água

Os munícipes da Caála estão privados de água canalizada desde 2008. Para as necessidades diárias, as populações abastecem-se nas cacimbas, com a desvantagem de que no Cacimbo elas secam.
No quadro do programa do Governo “Água para Todos”, ela pode jorrar nas torneiras depois da conclusão dos projectos de captação, tratamento e distribuição, previstos para o próximo ano. Além deste projecto, existe um outro, de âmbito central, que prevê a construção de uma central de captação no rio Kunhongamwa para fornecer água aos municípios da Caála e do Huambo.
 “O futuro vai ser melhor”, garantiu o administrador, optimista.
A energia é fornecida por um grupo gerador, que ainda não cobre toda a cidade. Apenas cinco, das principais ruas, têm iluminação.
A esperança é a barragem do Ngove, cujo conclusão está prevista para o primeiro trimestre do próximo ano.
“Energia suficiente só mesmo com a entrada em funcionamento da barragem do Ngove, para abastecer todo o município e também as indústrias que estão a ser construídas”, sublinhou o administrador do município.
 
Agricultura e comércio

A Caála é conhecida como a cidade Rainha do Milho por ter sido, em tempos idos, um dos maiores celeiros do sul do país.
O milho está em primeiro lugar entre as principais culturas e produtos alimentares comercializados na região. A actual produção feijão, batata-doce rena e de hortícolas já atinge níveis bastante aceitáveis, comparáveis aos anos anteriores.

Tempo

Multimédia