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A Cidade que nasceu para ser capital de Angola

Estácio Camassete| Huambo

Amanhã, domingo, o Huambo comemora mais um aniversário da elevação a cidade.

Governador durante a inauguração de um empreendimento social na província
Fotografia: Dolina Miguel

Amanhã, domingo, o Huambo comemora mais um aniversário da elevação a cidade. No dia 8 de Agosto de 1912, deixou de ser uma vila de ferroviários, e passou a ser o grande centro do Planalto Central que o seu fundador, Norton de Matos, concebeu para ser a capital de Angola. O então alto-comissário da colónia assinou a portaria da nova cidade a 21 de Setembro.
Segundo o historiador da cidade, Festo Sapalo, a cidade do Huambo tem dois momentos dignos de registo. Em primeiro lugar, diz o especialista, o dia 8 de Agosto de 1912 que marca a fundação da cidade e o 21 de Setembro, do mesmo ano, data da portaria de Norton de Matos que oficializa a existência da capital do Planalto Central.
Em 1928, o projectista do Huambo, o engenheiro Vicente Ferreira, foi nomeado governador-geral da então colónia de Angola e atribui à cidade o nome de Nova Lisboa. Retomava o antigo projecto de Norton de Matos que consistia em deslocar a capital para o Planalto Central.
A data coincide também com a chegada do primeiro comboio à região. A linha do caminho-de-ferro entre o Lobito e o Planalto Central ficou concluída em 1912 e  a chegada do primeiro comboio foi testemunhada pelo alto-comissário Norton de Matos, que inaugurou a nova estação ferroviária, oficinas e armazéns.
 
Centro de comércio

Segundo o historiador Festo Sapalo, o nascimento do Huambo surge muito antes de 1912, com o fim das campanhas militares. As tropas ficaram do Forte da Quissala e os civis concentraram-se no Huambo onde criaram um importante entreposto comercial.
Os primeiros comerciantes instalaram-se naquela que é hoje a Rua do Comércio, onde surgiu também a primeira igreja. Depois os comerciantes e homens de negócios espalharam-se para todos os pontos da região, sobretudo para o Bailundo e terras do Bié.
Norton de Matos substituiu Cabral Moncada no cargo de governador-geral de Angola, em 1909, quando projectou a cidade do Huambo. O alto-comissário aboliu a construção de casas de madeira cobertas a capim e impôs aos moradores a construção de casas definitivas, em alvenaria. Foi assim que aos poucos surgiu a nova vila do Huambo, que por sua vez passou a ser cidade no 21 de Setembro de 1912, mais por razões políticas do que pela sua grandiosidade. Na verdade continuava a ser uma pequena vila mas o “visionário” Norton de Matos queria desenvolver a região e colocar ali a capital da então colónia.
 
Vicente Ferreira e a nova cidade

A futura cidade foi dotada com indústrias cerâmicas de tijolo e telhas, que revolucionaram a construção das primeiras estruturas definitivas na Rua do Comércio e das primeiras igrejas, nas localidades do Bailundo, Catchiungo, Tchipeyo e outras, na província.
“Quando se verificou que já havia um nível de desenvolvimento na vila, surgiu a ideia da criação da cidade. Norton de Matos convidou o engenheiro Vicente Ferreira, seu colaborador nas Obras Públicas, em Luanda, que fez o projecto da cidade, definiu as áreas de expansão urbana, as áreas de comércio e os terrenos para o canal e estruturas do Caminho-de-Ferro de Benguela”, realçou o historiador. Foi também o engenheiro Vicente Ferreira que definiu todas as ruas, o palácio, o edifício do banco, os correios e outros serviços sociais que hoje compõem a cidade do Huambo e cujos edifícios originais ainda estão de pé, apesar das destruições da guerra. Alguns foram reconstruídos depois da paz.
O esboço da cidade estava quase concluído em 1911 e em 1912 foi fundado o Huambo como cidade. Nesta época foram redigidos os decretos e portarias publicados no mês seguinte. A inauguração da cidade tem uma acta que oficializa o acto e que nomeia Manuel Justino Patacho como o seu primeiro administrador.
 Festo Sapalo disse que depois da inauguração da cidade, a actual biblioteca Constantino Kamoli, foi uma das primeiras estruturas definitivas a ser concebidas em 1912, na parte alta da cidade. O Museu do Huambo, que foi a casa de passagem dos trabalhadores dos Correios, e a actual Clínica da Polícia Nacional são edifícios da época da fundação.
 Surgiu o primeiro bispado, e em frente ao Registo do Huambo, onde ainda existe uma residência antiga, foi a primeira escola primária da cidade.
O historiador recordou que o Rádio Clube do Huambo funcionava na Rua do Comércio e o Hospital Central funcionava por trás do actual edifício da Angola Telecom, antes de serem instalados nos actuais lugares.
A primeira fábrica de sabão nasceu no bairro Benfica. Mas o berço da cidade, de acordo com Festo Sapalo, é a região da Quissala, onde estavam concentradas as tropas de ocupação portuguesa.

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