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A fábrica do Huambo que resistiu à guerra

Angola bebe Coca-Cola há muitas décadas e no início dos anos 70, para responder às necessidades do mercado, foi constituída a Sociedade de Empreendimentos Fabris (SEFA) para fabricar o refrigerante no Planalto Central. O Huambo nessa época era já o segundo maior centro industrial do país.

A nova linha de enchimento está em fase de testes
Fotografia: Rogério Tuti

Angola bebe Coca-Cola há muitas décadas e no início dos anos 70, para responder às necessidades do mercado, foi constituída a Sociedade de Empreendimentos Fabris (SEFA) para fabricar o refrigerante no Planalto Central. O Huambo nessa época era já o segundo maior centro industrial do país.
Coca-Cola e Fanta eram fabricadas em Luanda, nos Coqueiros. Mas em 1972, Angola começou a consumir os refrigerantes da Sociedade de Empreendimentos Fabris produzidos na então Nova Lisboa. A nova fábrica estava equipada com uma linha de enchimento com capacidade para 5.000 grades por dia. O engarrafamento de Coca-Cola foi constante até 1975, altura em que foi criada a famosa “ponte aérea” para Lisboa, que esvaziou de técnicos as indústrias do Huambo. A guerra levou os responsáveis da empresa a suspender a produção, à espera de dias melhores.
Com a expulsão dos “karkamanos”, em 1976, a fábrica retomou a produção de Coca-Cola. Mas dadas as dificuldades de obtenção de concentrados, a empresa começou a produzir refrigerantes de laranja, limão e cola.
Os trabalhadores da empresa mantiveram a produção sem falhas e garantiram a manutenção da linha de enchimento. Com os acordos de paz, em 1991, a a Sociedade de Empreendimentos Fabris de Angola ganhou novo impulso e reatou o contrato com a Coca-Cola. O mercado angolano foi novamente abastecido com o famoso refrigerante que lidera vendas no mundo. A produção subia de mês para mês, mas a guerra que surgiu depois das eleições obrigou ao encerramento da fábrica.
Assim que a cidade do Huambo voltou à normalidade, em 1996, a Sociedade de Empreendimentos Fabris de Angola retomou as suas actividades e a Coca-Cola de fabrico nacional voltou ao mercado. Dois anos depois a empresa iniciou a produção da Fanta laranja e ananás. Este ano, a Sociedade de Empreendimentos Fabris de Angola deu um grande passo em frente e adquiriu uma nova linha de enchimento que acabou de ser montada. Técnicos alemães estão neste momento a fazer testes e quando derem a linha como concluída, a Coca-Cola vai certificar o equipamento para posteriormente entrar em laboração.

Defesa da fábrica

A Sociedade de Empreendimentos Fabris de Angola viveu momentos de grande turbulência ao longo da sua existência. Quando iniciou a produção de Coca-Cola, em 1972, registou de imediato grande sucesso. Em breve obteve uma importante quota do mercado que se foi consolidando até 1975, ano em que estava no auge.
Logo a seguir ao Acordo do Alvor, que definiu o processo de transição até à Independência Nacional, em 11 de Novembro de 1975, começaram graves confrontações militares.
A cidade do Huambo foi ocupada por forças estrangeiras que invadiram o Huambo e a empresa teve de interromper a sua ascensão vertiginosa no mercado. Para agravar a situação, muitos técnicos abandonaram a empresa. Mas os trabalhadores nunca viraram a cara à luta e ficaram nos seus postos, protegendo as instalações e equipamentos da fábrica. Foi a sua determinação que permitiu o retomar da produção em 1976, quando as tropas invasoras foram obrigadas a abandonar Angola.
Os trabalhadores da empresa foram obrigados a defender a empresa e os seus equipamentos quando rebentou a guerra pós eleitoral.
Ficaram nas instalações, dia e noite, impedindo actos de vandalismo e assaltos. A velha linha de enchimento montada no início dos anos 70 continuava operacional, pronta a trabalhar.
Quando a cidade do Huambo regressou à normalidade, em 1996, os trabalhadores viram os seus esforços recompensados. A empresa voltava a colocar no mercado Coca-Cola e os outros refrigerantes que produz. Desde então, nunca mais foram obrigados a guardar a empresa onde trabalham para sustentar as suas famílias.
A administração da Sociedade de Empreendimentos Fabris de Angola elogia o comportamento dos seus trabalhadores ao longo dos anos. Protegeram as instalações fabris em duas fases de guerra aberta na cidade do Huambo. A sua acção permitiu que hoje a fábrica mantenha a produção e conquiste uma importante quota de mercado.
A administração da empresa faz tudo para retribuir a dedicação dos seus trabalhadores e pôs à sua disposição uma creche que neste momento é frequentada por cinco crianças.

Novos equipamentos

A administração da Sociedade de Empreendimentos Fabris de Angola decidiu adquirir uma nova linha de enchimento na Alemanha, que no máximo da produção pode atingir mais de 10.000 grades por dia.
A linha que arrancou com a fábrica em 1972 tem capacidade máxima para 5.000 grades diárias. A produção neste momento é de 3.500 grades por dia. Com a nova linha de enchimento, que já está em fase de testes, a produção pode triplicar.
Além da Coca-Cola, a empresa produz Fanta Laranja e Fanta Ananás. A fábrica tem ao seu serviço 133 trabalhadores. Uma equipa de dez técnicos especializados garante a manutenção dos equipamentos, a produção e o controlo de qualidade, em laboratórios com equipamentos modernos.
A Sociedade de Empreendimentos Fabris de Angola aposta na segurança no trabalho e tem ao seu serviços técnicos especializados nesta área. A qualidade da Coca-Cola fabricada no Huambo exige uma aposta séria também na segurança ao longo das várias fases da produção.
A empresa tem ao seu serviço técnicos de Ambiente, uma área essencial para o êxito da produção. As regras ambientais são respeitadas com grande rigor. O lixo é separado: cartões, vidro e resíduos orgânicos. A empresa está a construir uma Estação de Tratamento das Águas Residuais (ETAR) para que os efluentes cheguem à rede de esgotos da zona industrial da Chiva sem elementos poluentes.
Os produtos químicos utilizados na fábrica são neutralizados pelos técnicos, para não provocarem danos ambientais. E há uma vigilância permanente para impedir contaminações. A fábrica da Coca-Cola do Huambo respeita o Ambiente e cumpre com rigor as normas ambientais.
Os técnicos alemães estão a fazer testes na nova linha de enchimento. Em breve o novo equipamento vai ser submetido à aprovação dos técnicos certificados da Coca-Cola. Quando a linha de echimento entrar em funcionamento, a empresa fica em condições de disputar uma importante quota do mercado de refrigerantes em Angola.
A nova linha de enchimento é das mais modernas do mundo e representa um investimento superior a 20 milhões de dólares. A qualidade do produto, a experiência e dedicação dos trabalhadores, a modernização do equipamento, dão garantias de que o retorno de tão avultada verba vai acontecer num futuro breve.
A nossa reportagem assistiu aos ensaios da nova linha de enchimento e vimos a antiga linha a funcionar ao máximo.
O Huambo tem na Sociedade de Empreendimentos Fabris de Angola uma unidade fabril que vai contribuir para o desenvolvimento económico e a criação de mais postos de trabalho qualificados. Em breve o Centro e Sul de Angola vão consumir Coca-Cola e Fanta fabricadas na província.

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