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Actos de vandalismo com dias contados

Mário Clemente | Huambo

O chefe do Departamento do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF) da Direcção Provincial da Agricultura do Huambo manifestou-se ontem preocupado com o aumento, nos últimos tempos, do abate indiscriminado de árvores.

Devastação da floresta está a criar sérios problemas ambientais como por exemplo a contaminação das águas e alterações climáticas
Fotografia: Eduardo Pedro

Andrade Baú disse ser urgente a tomada de medidas para se pôr cobro os actos de vandalismo que se registam nos últimos tempos e lembrou que o Governo Provincial tem em vista acções que visam desencorajar os prevaricadores e também de protecção dos polígonos florestais existentes na província.
O abate indiscriminado de árvores está a criar sérios problemas ambientais, como a desflorestação, erosão, surgimento de ravinas, seca, produção agrícola, alteração do ciclo hidrológico, diminuição da fertilidade dos solos, contaminação das águas e alterações climáticas.
O secretário de Estado dos Recursos Florestais, Francisco André Moda, visitou a província do Huambo, onde fez uma avaliação do sector e inteirou-se  estado do polígono florestal do Cuima, na Caála, do abate indiscriminado de árvores e das queimadas.
Francisco André Moda não gostou do que viu e recomendou o reforço dos serviços de fiscalização para se evitar o abate indiscriminado de árvores, como se tem registados nos últimos tempos.  “Vamos enviar alguns meios para ajudar a proteger o polígono florestal do Cuima, visto ser o maior e o único do Huambo, já que o de Sanguengue foi extinto devido a esta má prática. Por isso temos de proteger  o do Cuima para não corremos o mesmo risco”, alertou. Para se conter a onda de abate indiscriminado de árvore, o Instituto de Desenvolvimento Florestal tem aplicado multas pesadas aos  transgressores, mas muitos escapam porque normalmente actuam  na calada da noite.
O chefe do Departamento do Instituto de Desenvolvimento Florestal, Andrade Baú, reconheceu que a falta de meios tem contribuído para o fraco  desempenho no serviço de fiscalização, sublinhado que anteriormente os fiscais estavam munidos de armados, mas com o processo de recolha de armas complicou ainda mais trabalho. “Temos um protocolo com a Polícia Nacional e quando surgem situações de vandalismo nos polígonos florestais, accionamos o comando para a pronta intervenção”, precisou.
Andrade Baú considerou preocupante o processo de exploração de madeira na província e disse  não existir equilíbrio entre a exploração e a reposição de árvores. Em função do actual quadro, o Instituto de Desenvolvimento Florestal vai  ainda este ano exigir que todas as empresas que exploram madeira reponham o que extraem, sob pena de lhes serem retirado o contrato de exploração.
Na próxima campanha, que começa em Novembro próximo, e até Fevereiro de 2016, estão previstas a plantação de várias árvores que se encontram nos viveiros. Vão ser repostos eucaliptos, pinhos, cedro e outras plantas de menor quantidade, como casuarinas, acácias e as árvores ornamentais.

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