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Aldeia da Cumbila mudou de imagem

Estácio Camassete|Londuimbali

A comuna da Cumbila, no município do Londuimbale, a maior produtora de feijão na província do Huambo, mudou de imagem, depois da recuperação das infra-estruturas económicas e sociais.

O Programa de Investimento Municipal tem permitido a recuperação das infra-estruturas da comuna
Fotografia: Estácio Camassete

A comuna da Cumbila, no município do Londuimbali, a maior produtora de feijão na província do Huambo, está com nova imagem, depois da recuperação das infra-estruturas económicas e sociais levadas a cabo pelas autoridades locais com o apoio do governo da província.
Delimitada a Sudoeste pelo município do Balombo, província de Benguela, e a Oeste, pelo município de Kassongue, província do Kwanza Sul, e com uma população de nove mil habitantes, maioritariamente camponesa, a comuna da Kumbila é um ponto estratégico na ligação entre as províncias do centro e sul do país.
Cumbila, também conhecida por Katukuluka, dista 38 quilómetros da sede do Londuimbali e durante muito tempo viveu no isolamento devido ao acentuado estado de degradação das suas infra-estruturas, factor que contribuiu para a fuga para outras regiões dos seus melhores produtores e criadores de gado. O sector comercial deixou de existir e o tecido humano ficou reduzido quase a zero.
Hoje, a comuna começa a apresentar uma nova imagem e a vida renasce, dando esperança àquele povo trabalhador em dias melhores. O administrador Afonso Sambongue disse que o Programa de Investimento Municipal tem permitido a recuperação das infra-estruturas da comuna, que começou com a reabilitação das principais vias de acesso, o edifício da administração, a casa do administrador, habitações para os quadros da administração pública, casas comerciais, centro de saúde e escolas.
A grande dificuldade da comuna é a falta de transportes para escoamento dos produtos agrícolas para os principais mercados do município. O administrador garante que o problema já foi colocado às instâncias superiores, estando a aguardar pela chegada de meios que podem atenuar a escassez de transportes e o aumento da oferta de bens de consumo aos seus habitantes.
Cumbila é, até hoje, considerado o celeiro do município do Londuimbali, porque produz de tudo um pouco. Até 1973, foi o maior produtor de feijão e fornecia o produto a toda província do Huambo. Era também conhecida como a comuna do feijão.  O administrador comunal acredita que este ano vai haver boa colheita, tendo em conta as abundantes chuvas que caíram e os altos níveis de produção alcançados pelos camponeses. Afonso Sambongue realçou que no futuro a tendência é aumentar a produção, pois existe um programa de criação de cooperativas agrícolas que vão acelerar o processo de aumento das áreas de cultivo. 
 
Água e energia eléctrica

Outros serviços sociais básicos estão também em pleno funcionamento. Na sede da comuna a água jorra normalmente nas torneiras e nalguns bairros periféricos a água potável chega ao consumidor nos chafarizes. As populações há muito deixaram de consumir água das cacimbas, imprópria para o organismo humano. A vida tornou-se mais alegre na vila, com a montagem de um gerador com capacidade de 60 KVA, que desde 2006 fornece diariamente energia eléctrica das 18 às 22 horas, sempre que há gasóleo.
Segundo o administrador da comuna, a população nunca passou longos tempos sem luz e a preocupação da administração é ampliar a rede e arranjar outro gerador para responder às necessidades, visto que a comuna está a crescer a olhos vistos.
“O nível de desenvolvimento da comuna e das populações subiu bastante, mas há muito trabalho para fazer. Quando viemos para aqui só havia casas de capim e agora tudo isso desapareceu”, reconheceu.
  
Educação e saúde
 
A sede da comuna tem uma nova escola do ensino primário e secundário, com três salas de aulas, o que faz um total de nove escolas, para atender 3.120 crianças matriculadas neste ano lectivo.
Pela primeira vez, na comuna de Katukuluka o ensino vai da iniciação à 10ª classe, e as aulas são dadas por 64 professores. O administrador revela que a comuna tem 1.350 alunos fora do sistema normal de ensino, precisando, por isso, de mais 92 professores e igual número de salas de aulas.
Além das escolas construídas no quadro do Programa dos Investimentos Públicos, existem outras escolas construídas pelas comunidades de cada ombala.
No quadro da saúde, Kutukuluka tem apenas um Centro de Saúde com quatro camas e funciona com 16 enfermeiros, em serviço permanente. Na falta de uma ambulância para evacuar os doentes mais graves para o Hospital Municipal, faz-se recurso aos carros da administração. “Na ausência destes meios, os doentes são transportados em motorizadas até à sede do município, o que não faz bem à saúde”, disse o administrador.
Para além do centro de saúde da comuna, só a aldeia do Tchimbungue tem um posto de saúde, que atende as populações das aldeias vizinhas, e muita gente para ter assistência nesta unidade hospitalar tem de percorrer uma distância de 20 quilómetros.
Cumbila precisa de 20 técnicos de saúde para cobrir as cinco ombalas, que não têm assistência médica e medicamentosa.
A comuna tem registadas 22 parteiras tradicionais que têm contado com o apoio da administração comunal e da direcção municipal da saúde, através de subsídios.
O administrador comunal defende, todavia, o enquadramento de pessoal especializado nesta área, embora reconheça o bom trabalho efectuado pelas parteiras  tradicionais. “As parteiras tradicionais têm feito, até agora, um excelente trabalho, mas é preciso modernizar os serviços de assistência materno-infantil”, disse.

Cumbila e a História
 
Conta a história que o povo de Cumbila também sentiu os efeitos da vingança colonial aos actos protagonizados por nacionalistas na madrugada do 4 de Fevereiro e no 15 de Março de 1961. Um exemplo concreto foi o massacre da Kumbila, que aconteceu no dia 21 de Abril de 1961.
Na manhã desse dia, o chefe de posto Fernando Moreira convocou todos os negros assimilados, como eram chamados na época, entre eles professores e catequistas, concentrando-os no pátio do posto administrativo. Depois deu ordens para a execução de mais de três dezenas de homens, recolhidos nas localidades de Galanga, Usoque, Kamota e Tchawayala.
Destacam-se como sobreviventes deste massacre os nomes de Domingos da Silva, Costa Sakalandula e Afonso. Na altura a comuna da Katukuluka pertencia ao concelho do Balombo, distrito de Benguela.
Eliseu Camassete foi, em 1969, o primeiro negro a trabalhar com a função de escrivão do posto administrativo da Cumbila, altura em que a comuna já pertencia ao distrito de Nova Lisboa, actual província do Huambo.  

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