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Aldeia SOS pronta para acolher crianças vulneráveis

Tatiana Marta e Victória Quintas | Huambo

Um centro de acolhimento, denominado “Aldeia SOS”, com capacidade para albergar 120 crianças, construído na zona do Casseque III, arredores da cidade do Huambo, entra em funcionamento dentro em breve.

As crianças vão ter apoio integral, desde alimentação, educação, saúde, vestuário e todos os serviços necessários para o seu crescimento
Fotografia: Victória Quintas

Um centro de acolhimento, denominado “Aldeia SOS”, com capacidade para albergar 120 crianças, construído na zona do Casseque III, arredores da cidade do Huambo, entra em funcionamento dentro em breve.
O projecto enquadra-se no programa do governo de apoio às crianças necessitadas e custou aos cofres do Estado quatro milhões de dólares americanos.
Frederico Capim, assistente social, disse que o centro está pronto e, numa primeira fase, vai acolher 60 crianças e funcionar com as famílias adoptivas que vão acompanhar o seu desenvolvimento até a idade adulta.
“A criança, uma vez sob os nossos cuidados, tem apoio integral, desde alimentação, educação, saúde, vestuário e todos os serviços necessários para o seu crescimento e desenvolvimento, até atingir a idade adulta e conseguir emprego”, realçou o assistente social.
De acordo com o responsável, a criança só sai do centro quando se sentir segura, formada e com um emprego assegurado no mercado. “O nosso trabalho só termina quando a criança tiver a sua vida independente”. No primeiro ano de funcionamento, o centro vai albergar crianças vulneráveis das diversas áreas da cidade do Huambo, para, a partir do segundo ano, acolher também crianças de outros municípios. Crianças do Huambo solicitaram à Procuradoria-Geral da República a instalação de Julgado de Menores, para assegurar a protecção judicial de crianças e adolescentes em conflito com a lei. O pequeno Alves Justo, em representação das crianças, endereçou o pedido, por ocasião da semana da legalidade, que decorre de 26 a 30 deste mês, no âmbito do 31º aniversário da Procuradoria-Geral da República (PGR).
“Temos estado a observar as cadeias cheias de gente que cometem crimes, ultrapassando a capacidade destas. Há vezes que as crianças ficam presas com os adultos, perigando assim a vida delas”, disse Alves Justo.
Os reclusos da Comarca do Huambo auguram que, durante a semana da legalidade, seja reflectida a situação carcerária dos reclusos, fundamentalmente na morosidade dos processos de instrução preparatória.
“A semana da legalidade vai contribuir de forma significativa para a resolução de diversificadas situações da vida carcerária dos reclusos, nas respostas aos processos submetidos ao Tribunal Supremo, bem como nos pronunciamentos das sentenças”, disse a reclusa Lídia Viegas. Ainda no quadro da semana da legalidade, os magistrados judiciais e do Ministério Público estão, desde segunda-feira, a auscultar os 536 reclusos, internados na Comarca para se inteirar sobre a situação de cada um.
Serão realizadas palestras, visitas às cadeias das esquadras dos municípios sede do Huambo, Mungo, Tchindjendje, Ekunha e Londuimbali e consultas de processos em instrução preparatória na Direcção Provincial de Investigação Criminal (DIPIC).

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