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Aposta do Bailundo no sector da saúde

António Canepa | Bailundo

Com a entrada em funcionamento do Hospital da Missão Evangélica do Chilume, anunciada para breve, pelo governo da província, o município do Bailundo está em condições de voltar a ser uma referência no sector da saúde a nível regional nos próximos tempos.

O Governo Provincial do Huambo anunciou o equipamento com meios técnicos modernos as dependências do Hospital do Chilume
Fotografia: Francisco Lopes

Com a entrada em funcionamento do Hospital da Missão Evangélica do Chilume, anunciada para breve, pelo governo da província, o município do Bailundo está em condições de voltar a ser uma referência no sector da saúde a nível regional nos próximos tempos.
Situado a pouco mais de dois quilómetros da vila, o hospital foi fundado em 1963. Na época era conhecido pelo nome de Hospital Webster, em memória do seu fundador, canadiano de origem.
Durante vários anos, antes da sua paralisação, em 1995, prestou serviços médicos de qualidade à população do município do Bailundo e às populações vizinhas do Londuimbali, Catchiungo, Mungo e Waku Kungo, no Kwanza Sul. A unidade hospitalar de excelência tinha o apoio das igrejas evangélicas canadianas e americanas.
 A sua entrada em funcionamento vai melhorar e reforçar a rede sanitária do município do Bailundo e proporcionar aos utentes mais e melhores serviços de saúde. Nesta unidade eram atendidas várias especialidades, desde a medicina geral, a Raios X, estomatologia, análises clínicas e cirurgia geral.
Alfeu Mateia, enfermeiro reformado, depois de 39 anos de serviço no Hospital da Missão Evangélica do Chilume, recorda que a unidade hospitalar prestava todo o tipo de atendimento e assistência médica. Lembra ainda que tinha muitos postos de saúde espalhados pelas aldeias e chegava a efectuar entre sete e oito intervenções cirúrgicas por dia, facto que fazia com que o número de pacientes que se deslocava ao Hospital Central do Huambo fosse reduzido: “As pessoas só iam para os grandes hospitais quando os recursos locais estivessem esgotados”, recordou.
O velho enfermeiro considera que com a entrada em funcionamento do Hospital da Missão Evangélica do Chilume, as populações do Bailundo e das regiões vizinhas deixam de se deslocar constantemente à sede da província e as enchentes no Hospital Municipal também vão deixar de existir.
Araújo Kandengue, funcionário administrativo do hospital, desde 1985, recordou, com saudades, os velhos tempos em que o Hospital do Chilume era um centro médico de referência, com grandes movimentações de pessoas que procuravam e encontravam saúde naquela instituição.
O Governo Provincial do Huambo anunciou recentemente o equipamento com meios técnicos modernos de todas as dependências do Hospital do Chilume. Com esta unidade e o Hospital Municipal vai ser possível aumentar a qualidade do atendimento ao público e melhorar os serviços sanitários no município.
 Neste momento falta reabilitar a residência dos médicos, o reequipamento técnico do bloco operatório, a lavandaria, os laboratórios, cozinha e outras áreas de apoio hospitalar.
 “O Bailundo tinha os serviços de saúde muito bem estruturados, com os dois hospitais a funcionar em pleno”, afirmou Araújo Kandengue. O hospital tem todas as suas estruturas físicas em condições, o abastecimento de água potável é feito por gravidade, enquanto a energia eléctrica é fornecida por um grupo gerador que abastece também o complexo escolar da Missão Evangélica do Chilume.
    
Hospital Municipal
 
O Hospital Municipal do Bailundo passou a ser a única unidade importante na região, com a eclosão do conflito armado, que deixou praticamente todas as infra-estruturas de saúde do município destruídas.
O governo da província, em parceria com a Fundação Eduardo dos Santos (FESA), iniciou a sua reabilitação há alguns anos. Mas, hoje, volvidos cinco anos, as obras continuam paralisadas e os doentes estão internados em naves pré-fabricadas, enquanto decorrem as obras. As enfermarias, com capacidade para cem camas, revelam-se insuficientes, para o elevado número de doentes que diariamente acorrem aos serviços médicos.
O director do Hospital Municipal do Bailundo, Evaristo Paulino Tchissende, afirmou que o município pode tornar-se numa referência regional no sector da saúde, com o alargamento dos serviços médicos e a reabilitação das suas estruturas. Mas lamentou que até hoje as obras ainda não estejam concluídas, por razões que disse desconhecer.
Evaristo Paulino Tchissende, médico de clínica geral, disse que o Bailundo tem potencialidades para melhorar a prestação de serviços de saúde aos cidadãos, com os recursos humanos que tem.
 Porém, acrescenta, “a falta de infra-estruturas condignas, deita por terra as aspirações imediatas das autoridades hospitalares”. O médico afirma que, apesar de tudo, já se presta um atendimento aceitável no Hospital Municipal.
A unidade hospitalar funciona com três médicos, um angolano e dois de nacionalidade cubana, duas enfermeiras de obstetrícia e ginecologia, também cubanas, e o banco de urgência é assegurado por técnicos médios de enfermagem. Presta serviços de medicina, pediatria, maternidade, estomatologia (Projecto Sorriso), radiologia, pequenas cirurgias e tem um centro nutricional terapêutico, além dos programas de saúde pública da luta contra a tuberculose e lepra, VIH/Sida, malária e o Programa Alargado de Vacinação (PAV).
 O director do hospital considera aceitável a capacidade de 130 camas e de internamento de 60 a 80 pacientes por mês, mas, ainda assim, diz que esta capacidade pode ser melhor explorada, com o aumento de mais serviços e a acomodação de doentes em instalações de carácter definitivo.
O Hospital Municipal do Bailundo presta assistência a doentes das quatro comunas e também dos vizinhos municípios do Londuimbali, Catchiungo, Mungo e Waku Kungo. Estão em curso projectos que visam o melhoramento das condições dos laboratórios e consultas externas.
As principais enfermidades são a malária, doenças respiratórias e diarreicas agudas, má nutrição e intoxicação medicamentosa, derivada de tratamentos errados.
 
Meios e serviços
 
Duas ambulâncias do Projecto Cruz Azul apoiam os doentes, além de uma carrinha e o carro do médico. O director do hospital revelou que existem medicamentos suficientes para atendimento das principais doenças no hospital.
 Dentro dos serviços, o hospital conta também com um banco de sangue, que, de acordo com Evaristo Paulino, tem sido assegurado por organizações filantrópicas como igrejas e organizações da sociedade civil  “Podemos afirmar, sem medo de errar, que o nosso hospital não tem dificuldades de sangue”, garantiu o director.
O Hospital Municipal do Bailundo é abastecido pela rede geral de energia eléctrica e como alternativa foi instalado um grupo gerador, que garante o funcionamento das instalações em permanência. Aos pacientes e aos trabalhadores do hospital estão asseguradas duas refeições, mas o director diz que o propósito é melhorar a dieta alimentar e a qualidade do seu atendimento. O alargamento dos serviços às especialidades de cirurgia, orto-traumatologia, dermatologia, serviços de imageologia (ecografia) e a abertura de um bloco operatório, constituem os grandes desafios do hospital, para os próximos tempos.

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