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Aumenta a procura de geradores

Victoria Quintas | Huambo

As falhas no fornecimento de energia eléctrica têm obrigado centenas de pessoas a acorrer diariamente aos mercados espalhados pela cidade do Huambo para adquirir geradores.

Os preços dos geradores de diversas origens e marcas variam entre 25 e 70 mil kwanzas
Fotografia: Eduardo Pedro

As falhas no fornecimento de energia eléctrica têm obrigado centenas de pessoas a acorrer diariamente aos mercados espalhados pela cidade do Huambo para adquirir geradores.
José Coelho, vendedor de geradores de origem chinesa, disse que o número de clientes tem registado um aumento considerável, principalmente nesta altura em que, por várias vezes, os cortes no fornecimento da energia da rede geral surpreendem cada vez mais.
O gerador, esse dispositivo utilizado para a conversão da energia mecânica, química ou de outro tipo, em energia eléctrica, ajuda a população do Huambo e de outras regiões do país a colmatar as lacunas da rede pública.
Os preços dos geradores domésticos de diversas marcas e origens variam entre 25 mil e 70 mil kwanzas, para os de menor capacidade, e os de maior potência vão dos 80 mil a 150 mil kwanzas.
A maioria das pessoas compra os geradores nos mercados informais pela possibilidade que têm de discutir os preços com os vendedores, como disse Maximiano Carlos, um dos comerciantes do mercado da Quissala, também conhecido por mercado da Alemanha.
Pedro Candumbo, que já comprou dois geradores durante este ano, disse que estes produtos, apesar da sua utilidade, pecam pela incapacidade de suportar alguns electrodomésticos e em aguentarem as várias horas que ficam ligados. Também a falta de manutenção regular faz com que os geradores avariem com maior facilidade para alegria dos técnicos de reparação.
Mas, a grande preocupação dos utentes destes meios são os riscos de incêndio que podem ser causados por curto-circuito ou por fuga de gasolina e o Serviço provincial de Protecção Civil e Bombeiros tem registado muitos casos, segundo o seu responsável, João Ricardo.

Periferia à frente da lista

Mais de metade da população do Huambo que vive na periferia da cidade recorre ao uso de geradores, por ausência da energia da rede geral.
A energia da cidade do Huambo é distribuída através da central térmica do bairro Benfica, que possui 18 grupos geradores, correspondentes a uma potência total de produção de 15 mega watts, instalados em 2009, para reduzir as dificuldades energéticas da província.
Enquanto as obras de reabilitação da barragem hidroeléctrica do Ngove, localizada no município da Caála, prosseguirem, os geradores vão continuar a ser a alternativa para muitos. Segundo o governo local, a barragem só vai produzir energia a partir de Fevereiro de 2011.
A electricidade surgiu no Huambo em 1937, através da central hidroeléctrica do Kuando, propriedade do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB).
Com o crescimento económico verificado na região, no início da década de 60, foi instalada a primeira central térmica no bairro Benfica, como complemento à produção da hídrica do Kuando.
Em Janeiro de 1965, as cidades do Huambo e Caála passaram a ser alimentadas pela então hidroeléctrica do Alto Catombela, através de uma linha de transporte de 150 quilovolt.Nessa altura, a subestação térmica do Benfica passou a ser a principal fonte de energia, até 1983, momento em que o aproveitamento do Lomaúm deixou de existir, devido à guerra.
A potência registada na altura foi de 7.0 mega watts. Em 1980 e devido às constantes acções de sabotagem na linha de transporte Biópio – Lomaúm e Alto-Catombela – Huambo, foi instalado na subestação do Benfica um grupo de turbina a gás de 10 mega watts de potência nominal, como fonte de energia alternativa.
De 1988 a 1990, devido ao escasso abastecimento de combustível (gasóleo), são instalados grupos electrogéneos, de menor consumo de combustível. Estes, por sua vez, foram destruídos por acção da guerra de 1992.
A partir da Subestação do Benfica, através de linhas de 30 kilovolts, eram alimentadas as localidades de Katchiungo e Tchicala-Tcholohanga, no Huambo, e Chinguar, na província do Bié. Actualmente, tais linhas encontram-se destruídas.

História do gerador

1886 é considerado o ano do nascimento da máquina eléctrica, pois foi nessa altura que o cientista alemão Werner von Siemens inventou o primeiro gerador de corrente contínua auto-induzida.
A máquina que revolucionou o mundo, em poucos anos, foi o último estágio de estudos, pesquisas e invenções de muitos outros cientistas, durante quase três séculos.
O gerador de corrente contínua é uma máquina capaz de converter energia mecânica em energia eléctrica (gerador) ou energia eléctrica em mecânica (motor).
A energia eléctrica utilizada hoje em dia na distribuição e transporte da mesma é a corrente alternada. Porém, os motores de corrente contínua têm grandes aplicações na indústria por serem eles que permitem a variação de velocidade.

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