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Avenidas do Huambo são requalificadas

Victória Quintas | Huambo

O programa de requalificação de imóveis, espaços verdes e saneamento básico, iniciado há cerca de cinco meses, está a dar uma nova imagem à cidade do Huambo.

Das iniciativas que integram o programa fazem parte o projecto "Cimento e tinta" e a plantação de palmeiras nas avenidas
Fotografia: Francisco Bernardo

O programa de requalificação de imóveis, espaços verdes e saneamento básico, iniciado há cerca de cinco meses, está a dar uma nova imagem à cidade do Huambo.
Das iniciativas que integram o programa, fazem parte o projecto “Cimento e tinta” e a plantação de palmeiras nas avenidas da Independência e São Pedro Urbano, que estão a ser levadas a cabo pela administração municipal do Huambo e por outros órgãos do governo provincial.
O administrador municipal do Huambo, José Marcelino, referiu que, relativamente à área de saneamento, estão a ser feitos alguns trabalhos paliativos, destinados à recuperação de imóveis degradados. As autoridades estão ainda a desenvolver trabalhos de recuperação de esgotos domésticos, sobretudo nalguns prédios que apresentam grandes problemas de saneamento básico.
Em termos de recolha de resíduos sólidos, o trabalho está a cargo de duas operadoras privadas, sendo que a administração actua apenas como agente fiscalizador. As referidas empresas possuem dez contentores e igual número de camiões de recolha, colocados em algumas áreas da capital, para melhorar o saneamento nos bairros periféricos.
Apesar de reconhecer os progressos, José Marcelino disse que ainda há muito trabalho por fazer, razão pela qual espera poder contar com a colaboração dos munícipes. “Vamos obrigar as operadoras a pôr contentores nos lugares certos para que os cidadãos possam fazer a sua parte da melhor forma”, referiu.


Toneladas de lixo recolhidas


A recolha de lixo na cidade do Huambo ronda as cinco mil toneladas por mês. O processo está orçado em cerca de um milhão de kwanzas, apenas para os custos directos, uma vez que os indirectos podem fazer triplicar os montantes.
Quanto à questão da requalificação de imóveis, o administrador disse estar em curso, desde Fevereiro, a segunda fase do projecto “Cimento e tinta”, destinado a melhorar a imagem dos edifícios.
O director provincial das Obras Públicas, Adolfo Morguier, disse que foram disponibilizados pelo governo local mais de 70 milhões de kwanzas, para a requalificação dos edifícios públicos degradados devido à guerra.
Esta segunda fase vai abranger edifícios e residências da avenida da Independência, por ser a principal entrada na cidade, e os edifícios degradados da avenida principal do bairro Benfica.
Posteriormente, os trabalhos vão prosseguir nas outras avenidas e ruas da cidade do Huambo. A primeira fase do programa “Huambo-Cimento e Tinta” teve início em 2005, com o propósito de apagar os sinais deixados pela guerra.


Locais de lazer 


Os jovens da cidade do Huambo vão passar usufruir, nos próximos tempos, de alguns locais de lazer, disse José Marcelino. Os projectos existentes nesse sentido destinam-se a requalificar a estufa-fria, a zona envolvente do edifício da seguradora AAA, a parte baixa da cidade e a avenida Amílcar Cabral. Todos eles já foram aprovados e a sua execução pode arrancar em breve.
A estufa-fria vai ser uma zona de lazer destinada a peões, com oferta de serviços sociais, como campos de treino e pavilhões desportivos. Em termos de construção de imóveis, vão ser realizadas poucas alterações, para se manter o estado original da arquitectura da cidade como zona verde. A requalificação vai ser feita a partir do pavilhão Osvaldo Serra Van-Duném, passando pela zona da Granja até ao edifício da seguradora.


Outras acções


As autoridades têm desenvolvido vários esforços no sentido de mudar cada vez mais a imagem da província, através da construção e reabilitação de infra-estruturas.
No âmbito destas acções, a via que liga a cidade do Huambo ao bairro do Cavongue, antes intransitável, recebeu obras de terraplanagem há cerca de dois meses, destinadas a evitar o surgimento de ravinas ao longo daquele troço. No quadro do Programa de Combate à Pobreza, foram reconstruídas duas pontes e igual número está em fase de conclusão, nos bairros de São Luís e Santo António. Nestas localidades, foi terraplanado um total de 12,5 quilómetros de estrada, trabalhos que custaram cerca de 15 milhões de kwanzas. O administrador esclareceu que cada quilómetro, sem adição de inertes, ronda o milhão de kwanzas.


Anarquia embaraça trabalhos


O administrador José Marcelino referiu que muitos projectos ainda não foram executados devido a problemas relacionados com as construções anárquicas.
Em relação ao Jardim Zoológico, disse que pode manter a sua originalidade, apesar da alteração em termos de dimensões. Esta situação surge devido ao facto do zoo deixar de ter, dentro em breve, apenas espécies de pequeno porte, como aves.


Ravinas tiram o sono


Algumas artérias da cidade têm sido invadidas por ravinas, situação que está a preocupar as autoridades provinciais. José Marcelino disse que são um fenómeno natural, mas muitas vezes resultam da acção do homem, que constrói em zonas de risco, desmata zonas ribeirinhas, entre outras.
No ano passado, a administração municipal teve de intervir, através de um projecto conjunto com o governo provincial, na contenção de quatro ravinas, na zona da Calomanda, periferia da cidade.
José Marcelino garante que a situação é complexa, mas controlável. Basta que as pessoas não continuem a atentar contra a natureza, para que as ravinas deixem de ser um grande problema.

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