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Baixo nível de água reduz produção de energia

António Canepa | Huambo

A actual capacidade de produção de energia eléctrica destinada às cidades do Huambo e do Cuito está longe de satisfazer a demanda dos consumidores, devido aos baixos níveis de água na albufeira da barragem, disse ontem o director provincial da Energia e Águas do Huambo.

As chuvas caem com frequência na região mas são insuficientes para acumular a água na albufeira da barragem do Ngove
Fotografia: Francisco Bernardo

Simão Canda, disse ao Jornal de Angola que a província tem um défice de produção de 40 por cento em relação à capacidade necessária para cobrir a procura.
Com capacidade instalada de 70 megawatts, a província do Huambo tem apenas disponíveis cerca de 37 megawatts, devido à baixa do nível de água na albufeira da barragem do Ngove, causada pelas fracas chuvas nos últimos dias.
Simão Canda referiu que, apesar de caírem com frequência, as chuvas ainda não são intensas neste período, o que não permite às bacias acumularem água suficiente para passarem ao Ngove. “A principal matéria para se produzir energia numa barragem hidroeléctrica é a água e em caso da falta desta fica difícil produzir níveis desejados de energia eléctrica, para a nossa província”, afirmou.
O director provincial da Energia e Águas explicou que da energia produzida na barragem hidroeléctrica do Ngove, inaugurada em 2012, dos 24 megawatts que a cidade do Huambo e arredores recebem cinco destinam-se à cidade do Cuíto, capital do Bié, e quatro são para a cidade da Caála. A barragem gasta cerca de três centímetros de água por dia na albufeira e tem, na sua exploração, um nível máximo de 1.588 metros e um mínimo de 1.573 metros, estando hoje com 1.578, que permitem fornecer apenas 24 megawatts da capacidade de 60 instalados na barragem.
Para se manter este nível de exploração tem de se ter água disponível na albufeira, mas como a chuva não cai com a intensidade desejada o Governo Provincial do Huambo tem feito o necessário para manter o fornecimento de energia dentro destas limitações. Enquanto persistir a situação, o director da Energia e Águas disse que o Governo adquiriu uma central térmica, localizada no bairro Benfica, para conciliar com a barragem do Ngove e cobrir o défice da produção. 
A referida central tem uma capacidade instalada de 15 megawatts, que somados aos 24 produzidos actualmente na barragem do Gove dão aproximadamente 39 megawatts.
Simão Canda explicou que esta capacidade instalada não é a real e, por isso, considera que a central produz aproximadamente 13.2 megawatts, mas também nem sempre estão disponíveis, devido a avarias técnicas, serviços de manutenção e outras operações inerentes à exploração. Há um mês que a central funciona com capacidade de nove megawatts, devido à falta de peças sobressalentes, o que leva ao recurso a outras províncias, onde também existem centrais térmicas.
O abastecimento de energia tem sido também prejudicado por perturbações na rede, causada por indivíduos de má fé, que, para conseguirem energia, recorrem às chamadas "puxadas".
“Quando há perturbações na rede a central térmica dispara, sai do serviço e as vezes quando isso acontece tem de se esperar muito tempo, porque não é a mesma coisa quando nós desligamos conscientemente”, esclareceu o director provincial de Energia e Águas.
A província conta com 135 postos de transformação de energia eléctrica, dos quais 45 privados, que são também responsáveis pela perturbação no fornecimento de energia, já que nem sempre cumprem com requisitos técnicos necessários para a instalação destes postos.
“Ao fazerem as suas instalações ou manutenções eles puxam um cabo de um lado ao outro e isto cria uma perturbação na rede, porque as fontes de alimentação são linhas que vêm do Ngove ou da central térmica e acabam por criar transformações em toda a rede”, sublinhou o director de Energia e Águas.
Os gestores de postos de transformação privados não pagam impostos, mas Simão Canda explicou que o Governo vai tomar rapidamente "medidas duras" para punir os que insistirem em não licenciar as instalações eléctricas, incluindo grupos geradores, estando já em estudo o respectivo projecto.
Simão Canda explicou que, depois de licenciados, os donos dos postos de transformação terão também a licença de exploração.
O Governo tem também o projecto de massificar, nos próximos tempos, o sistema pré-pago de energia, para rentabilizar melhor estes serviços e criar ao mesmo tempo uma cultura de consumo regrado de energia. O sistema pré-pago vai ser convencional e será adoptado por todos os cidadãos. A rede de média tensão da província encontra-se em mau estado e  está em curso o processo da sua requalificação.

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