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Barragem do Cuando atrai milhares de turistas

Victória Quintas | Huambo

O sector do Cuando, na comuna da Calima, tornou-se num dos pontos turísticos mais visitados a nível da província do Huambo, nos últimos tempos. A barragem hidroeléctrica e a Missão Católica local são as principais atracções.

No Rio Cuando foi construída uma barragem hidroeléctrica que deu origem à albufeira onde diariamente os turistas buscam a diversão
Fotografia: Jornal de Angola

Os turistas, quando alcançam a província, procuram conhecer as potencialidades naturais que o sector, que se situa a cerca de 20 quilómetros do Huambo, possui.
A fundação da Missão do Cuando surgiu por iniciativa de um grupo de missionários católicos da congregação do Espírito Santo, chefiados por Monsenhor Luís Alfredo. Na altura, os evangelizadores instalaram a missão no recinto onde está erguida actualmente a Biblioteca Constantino Camõli.
Com a construção da cidade do Huambo, a instituição foi instalada, em 1910, na localidade do Cuando, próximo do rio que deu nome à área, tornando-se uma das maiores atracções turísticas.
O pároco da Missão, André Kalupesi, explicou que oito dias após várias buscas do lugar onde reinstalar a missão, os missionários pernoitaram na margem do rio Cuando, tendo eles determinado que seria ali o espaço ideal para a sua construção.
A construção da Missão Católica do Cuando visou, em primeiro lugar, espiritualizar e promover o homem, através da evangelização e da aprendizagem, salientou o padre Kalupessi.
Desde então, os primeiros missionários preocuparam-se com a construção de escolas, postos médicos, internatos e centros de artes e ofícios.
A partir do rio Cuando foi construída uma barragem hidroeléctrica, pertença dos Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB), que deu origem à albufeira onde diariamente nativos e turistas buscam a diversão. A barragem gera até hoje e­nergia eléctrica para a Missão Católica, CFB e às zonas residenciais dos bairros São João e 8 de Fevereiro. Neste momento, o Jornal de Angola constatou que nas margens do rio Cuando estão a nascer alguns complexos hoteleiros, para oferecer aos visitantes melhor alimentação e acomodação.
Paralelamente ao divertimento, a outra margem do rio é utilizada para a lavagem de viaturas, onde os jovens e adolescentes cobram por este serviço.
O pequeno João, de 12 anos, aluno da 6ª classe, mora nos arredores da missão e exerce esta actividade. Diariamente, o rapaz lava entre três a quatro carros. Parte do dinheiro que consegue com estas lavagens compra material escolar, enquanto outra serve para ajudar a família.
Algumas donas de casa também buscam daí o sustento das famílias, com a comercialização de bebidas e petiscos. “Nos dias de semana, andamos a vender pouco, mas aos sábados e domingos vem muita gente aqui passear”, disse Marta Nambuale.
Apesar da beleza do local e da água ser bastante convidativa para mergulhos, a albufeira é inapropriada para os banhistas, tendo em conta a quantidade de lodo que existe no fundo do rio. Aliás, os moradores contam que tem havido muitas mortes por afogamento no local. E, para prevenir mais mortes, todos os fins-de-semana, os Serviços de Protecção Civil e Bombeiro têm patrulhado o local com lanchas, assim como leva a cabo campanhas de sensibilização junto dos turistas, informando os perigos que correm naquele rio, caso banhem na albufeira.

Formação profissional

A Missão Católica do Cuando tem uma área de formação feminina, onde adolescentes e jovens recebem educação espiritual e profissional, orientada pelas Irmãs da Congregação do Santíssimo Salvador, desde 1936.
Neste momento, naquela missão, que tem Nossa Senhora das Vitórias como padroeira, cerca de 40 raparigas de localidades vizinhas do Cuando aprendem costura, tricote, culinária e frequentam aulas de disciplinas do ensino regular.
As obras de construção da Missão Católica do Cuando, que eram levadas a cabo por missionários e os nativos, de acordo com o padre André Kalupesi, nunca foram concluídas.
O sacerdote salientou que ali há um espaço para construção de duas torres, para a colocação do sino e outra reservada à imagem da padroeira.
No passado havia uma cerâmica no local, que produzia tijolos e telhas. Actualmente, as infra-estruturas da Missão Católica e da zona residencial têm recebido alguma pintura, com vista a apagar as marcas da guerra e do tempo.
O sacerdote disse que a perspectiva é de concluir com a obra, mas faltam recursos financeiros para o efeito. “Pedimos apoios para que tornemos a Missão mais acolhedora”, avançou.
Na sequência da construção da Missão do Cuando, os missionários construíram no recinto uma escola de artes e ofícios, para a formação profissional dos internados e dos nativos. Hoje, dessa infra-estrutura sobraram apenas ruínas.
O padre André Kalupesi referiu que o seu maior desejo é ver aquelas estruturas da escola de artes e ofícios recuperadas, para que os jovens daquela região tenham alguma ocupação.
A Missão do Cuando possui ainda uma escola do primeiro ciclo, com oito salas de aulas, que funcionam nos dois períodos do dia (manhã e tarde). Com paredes degradadas e falta de carteiras, a instituição acolhe alunos internos e meninos residentes nos seus arredores.
Possui igualmente um posto médico, para acudir os casos de saúde menos complexos que ocorrem naquela localidade do Cuando.

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