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Cachiungo em franco crescimento

António Canepa | Cachiungo

O município do Cachiungo, na província do Huambo, está a crescer a um ritmo acelerado, deixando para a história o rosto sofrido de há alguns anos. A vila é um verdadeiro postal que desenha através da sua beleza e ar acolhedor o quão promissores serão os próximos tempos.


 O município do Cachiungo, na província do Huambo, está a crescer a um ritmo acelerado, deixando para a história o rosto sofrido de há alguns anos. A vila é um verdadeiro postal que desenha através da sua beleza e ar acolhedor o quão promissores serão os próximos tempos.
Localizado a 65 quilómetros a Nordeste da cidade do Huambo, no KM 503 do Caminho de Ferro de Benguela, o município do Cachiungo, com uma extensão de 2.947 quilómetros quadrados e uma população estimada em 152.153 habitantes, distribuídos em 301 aldeias que compreendem as suas três comunas – Chiumbo, Chinhama e a sede municipal –, faz parte da rota obrigatória para quem viaja para o Leste do país.
Ao entrar na vila, o visitante depara-se logo com a nova realidade e uma nova dinâmica com que se desenvolve a vida, e com uma população hospitaleira e que olha para o futuro com muita confiança.
Muito trabalho está a ser feito no município do Cahiungo e os últimos anos têm sido decisivos para a sua gente, que tudo faz para que a vila seja também um cartão de visita para que todos que se desloquem ao município, em trabalho ou em negócios, encontrem ali um lugar cada vez mais acolhedor e aprazível.

Infra-estruturas

Várias infra-estruturas, entre escolas, centros e postos médicos, vão completando, aos poucos, o quadro do programa do governo que visa aumentar a oferta dos serviços sociais básicos às populações e melhorar a vida dos cidadãos.
Um grande mercado, ainda que informal, recebe, logo à entrada, o ilustre visitante e mostra as enormes potencialidades agrícolas e pecuárias da região e o rosto de um povo trabalhador. Inúmeros produtos do campo são ali comercializados, entre a batata rena, a batata-doce, tomate, a cebola, alho e o seu rico mel, do qual Cachiungo é o maior produtor na província do Huambo.
Alfredo Canjimbi, abordado pela reportagem do Jornal de Angola para falar sobre a produção alimentar, na região, disse que nos últimos tempos aumentaram os níveis de produção de quase tudo e estimou esperar que este ano as colheitas venham a superar os anos anteriores, caso não aconteça estiagem ou um outro imprevisto, tendo em conta os apoios que os camponeses e agricultores têm recebido por parte do Governo e de outras organizações ligadas ao sector.
Camponeses associados em cooperativas e outros agrupamentos têm recebido apoio do Governo e de alguns empresários singulares para aumentar a produção no município e combater a fome nas comunidades onde residem.
“O maior problema que o município tem está relacionado com a falta de um mercado seguro para escoar os nossos produtos e vender. Nós temos comida, basta olhar para o mercado”, declarou Alfredo Canjimbi, que, ainda assim, disse estar confiante que, com a conclusão das vias, “a situação vai ser ultrapassada”.
Lucas Kangombe, funcionário público, disse, por seu turno, que a vida no município melhorou muito. As pessoas já conseguem adquirir produtos alimentares a preços mais acessíveis, em comparação aos tempos passados.
“Na vila e em algumas comunas, o ambiente de comércio já se nota com maior intensidade. As pessoas conseguem facilmente o que precisam e, na maioria dos casos, os preços estão ao alcance de todos, incluindo dos vendedores ou trabalhadores informais”, disse.
Arnaldo Lukamba, estudante, disse que a vila tem conhecido uma grande movimentação, principalmente aos fins-de-semana. “Temos alguns lugares de lazer onde os jovens se podem divertir, sobretudo aos finais de semana ou dias feriados. Mas, precisamos de mais espaços de recreação, porque a vida está a tornar-se cada vez mais dinâmica na nossa vila e o que temos neste momento não chega”, frisou.

Ruas e jardins

Ruas limpas, jardins a florir, passeios reabilitados acrescentam à bela vista do Cachiungo o encanto de um lugar onde qualquer cidadão gostaria de estar. A vila oferece também vários serviços de qualidade aos seus habitantes e visitantes.
Um hospital com mais de trinta camas suporta a rede sanitária do município, que tem como patologias mais frequentes a malária, as diarreias agudas e doenças intestinais. Entretanto, o reduzido número de técnicos e enfermeiros tem dificultado, em algumas ocasiões, estes serviços, conforme indicou uma fonte próxima do hospital.
Mas, ainda assim, a vida na vila decorre sem muitos sobressaltos. Outras actividades como a educação, o saneamento básico e a reabilitação de infra-estruturas caminham a passos seguros.
Um condomínio com vinte casas foi construído para acolher quadros interessados em trabalhar para o desenvolvimento económico e social do município.
Várias salas de aulas foram erguidas de raiz no município e espera-se que, no próximo ano lectivo, mais estudantes ingressem no sistema normal de ensino, o que vai aumentar a eficiência do sector.
Antes, o município contava com apenas 26 salas de aulas, mas este número triplicou e este ano passou para 98. Muitas salas de aulas construídas com material precário foram também erguidas em toda extensão do município e actualmente já somam 57. Muitos jovens poderão frequentar o ensino médio e profissional, sem ter que se deslocar à sede da província. Um Instituto Médio Politécnico foi inaugurado este ano e vai absorver mais de dois mil estudantes em várias especialidades.
Uma escola primária com 12 salas de aulas completa o leque do quanto se faz no município no sector da Educação. Milhares de crianças vão deixar as ruas e os locais informais para ter aulas em lugares condignos.
Estradas e vias de acesso que ligam a sede às comunas, ombalas e aldeias estão a ser reabilitadas, para facilitar a circulação de pessoas e mercadorias entre a cidade e o meio rural. Muitos agricultores rurais vêm com muita satisfação esta acção que lhes vai possibilitar a venda dos seus produtos.
Um trabalho gigantesco está a ser desenvolvido na estrada que liga a sede do Cachiungo ao município do Bailundo, via Chiumbo. O velho tapete de asfalto está a ser substituído por um outro novo, numa empreitada a cargo da empresa Mota Engil.
A via, normalmente, é utilizada por automobilistas que saem do litoral com destino ao Leste ou à província do Kuando-Kubango, passando pelo Bié, sem terem necessidade de escalar necessariamente a cidade do Huambo. O administrador do Cachiungo, António Cotingo, apelou aos empresários da província e de outras partes a investirem no município, tendo em conta as oportunidades que oferece.
“Cachiungo hoje já é um local onde todos os seus filhos e não só se sentem orgulhosos. Quem passou por ele em 2000 e se torna a passar agora, confirma esse facto”, reafirmou.
A vila do Cachiungo foi fundada a 14 de Abril de 1913 pelo português Duarte Teixeira, mais conhecido por “Cayeye”, e tomou o nome de Bela Vista e sede do concelho do mesmo nome, criado pela portaria nº 9433 de 1956.
Reza a história que o nome Cachiungo tem como origem as cataratas ou quedas de águas que se encontravam junto do rio Kutato, que produzia um bom eco/som que atraía os viajantes que iam em colunas, do Leste para o Oeste e vice-versa, levando óleo de palma, borracha, sal e escravos. Era o local onde descansavam os viajantes depois de longas caminhadas. Este som é denominado “ochiungo”, em língua nacional umbundu. Dali o local passar a chamar-se morro Cachiungo, nome atribuído à vila em 1976.

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