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Cacoma à espera de melhores dias

Justino Vitorino|Cacoma

Apesar das dificuldades, os habitantes da comuna de Cacoma, município do Ukuma, na província do Huambo, não desarmam, mantêm a esperança de uma vida melhor.

Governador ao centro garante que há uma estratégia para melhorar as condições sociais
Fotografia: Dolina Miguel

Apesar das dificuldades, os habitantes da comuna de Cacoma, município do Ukuma, na província do Huambo, não desarmam, mantêm a esperança de uma vida melhor. Vários desafios foram lançados pelas autoridades para, a breve trecho, a localidade poder também dar sinais de crescimento económico e social.
A comuna debate-se com dificuldades de vária ordem, como a falta de escolas, centros e postos de saúde para atender os 14.658 habitantes que se estima ter a região.
O governo provincial do Huambo está a traçar estratégias para melhorar as condições das populações que vivem nas zonas distantes dos grandes centros urbanos.
Localizada a 45 quilómetros a norte da sede municipal do Ukuma,  Cacoma é, também, uma fonte potencial de produtos agrícolas, de cuja actividade depende a maioria dos habitantes.
O governador da província, Faustino Muteka, numa recente visita à localidade, prometeu dias melhores não só para os habitantes da comuna da Cacoma, como para os de toda a província, graças a acções de grande impacto social e de muito trabalho.
"Por isso estou cá, a governar o Huambo há quase sete meses e o governo tem de ter um programa, de conhecer o orçamento geral da província", disse, adiantando:
"Se realizássemos tarefas, sem primeiro conhecermos as necessidades, neste momento de reconstrução e desenvolvimento da província, fazíamosulos com os olhos e ouvidos tapados".
O governo provincial, referiu, começou por efectuar visitas aos municípios para manter contacto directo com as populações e ouvir os seus problemas, aspirações, para inserir no orçamento da província as tarefas julgadas necessárias para o desenvolvimento das próprias comunidades, nos domínios político, económico e social.
 
 Escolas e professores

A comuna da Cacoma tem apenas duas escolas de construção definitiva, cada uma com três salas de aulas.
Para cobrir a totalidade da região são precisos, pelo menos, 21 estabelecimentos, cada um deles com seis salas para o ensino primário e quatro, para o primeiro ciclo, disse o administrador local. 
 Cacoma tem 72 professores, que leccionam desde o ensino primário à 8ª classe e, afirmou Inocêncio Henrique, necessita de mais de 70 para atender as quatro povoações que compõem a circunscrição: Quirono, Manje, sede comunal e Kacucu.
 O administrador revelou que, neste ano lectivo, se matricularam 4.158 alunos, dos quais 2.450 estão no sistema normal de ensino e que os restantes não estudam devido à escassez de professores e de escolas.
 "Precisamos de 40 mais professores e queremos enquadrar 580 alunos que desistiram nos anos anteriores por razões várias", disse.
 A repartição municipal de Educação garantiu o enquadramento de mais professores depois do concurso público, realizado em Maio.
 "Estamos na expectativa e acreditamos que os órgãos competentes nos vão garantir um número maior de professores, embora ainda não determinado", sublinhou.
   
Saúde com boas perspectivas

 
A comuna tem um centro de saúde na sede comunal, inaugurado recentemente pelo governador, com capacidade para internar dez pacientes e atender 25 diariamente.  Faustino Muteka inaugurou, na mesma altura, casas para os quadros e técnicos da comuna.
 Os serviços sanitários dispõem de 21 técnicos, número que o administrador comunal considera insuficiente, tendo em conta os 14.658 habitantes e o tamanho da comuna. 
  Inocêncio Henrique disse serem necessários mais técnicos, entre básicos e médios, e auxiliares de limpeza, para alargar e melhorar os serviços na comuna.
 O sector da saúde, recordou, era, até à inauguração do centro, um dos maiores problemas de Cacoma. “Graças a Deus, temos hoje um centro de saúde que vai atender não só a população da sede, mas também das povoações vizinhas”, disse visivelmente emocionado.
 A unidade sanitária custou ao governo provincial mais de 25 milhões de kwanzas. A sua construção e apetrechamento enquadram-se no âmbito do programa de aumento e melhoria dos serviços sociais básicos às populações.
 O estabelecimento dispõe de banco de urgência, maternidade, sala de partos, farmácia, laboratório, puericultura, medicina, cirurgia e pediatria, além de áreas administrativas.   O administrador afirmou que este é o primeiro passo, pois a comuna pode melhorar o atendimento sanitário, com a construção de postos nas outras povoações para que as pessoas que vivem distantes deixem de percorrer longas distâncias à procura de assistência médica e medicamentosa.
 As principais doenças que se registam na comuna de Cacoma são as diarreicas, respiratórias agudas e intestinais, sarna, tétano, malária e VIH/ Sida.
 No primeiro semestre deste ano foram registados pelos serviços de saúde da comuna mais de quatro mil casos de malária.

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