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Cada vez mais dificil transitar pelas ruas da Caála

Estácio Camassete | Caála

Para circular nas muito degradadas ruas da vila da Caála, no Huambo, as pessoas, quer circulem a pé ou de automóvel, encontram uma série de dificuldades e têm de se submeter a grandes exercícios de ginástica, para enfrentar poeira, buracos, crateras, lombas e, no tempo chuvoso, as águas paradas e lamas.

Circular a pé ou de automóvel na Caála requer uma especial atenção devido a quantidade de buracos abertos em algumas artérias
Fotografia: Francisco Lopes

O estado a que chegaram as ruas está a empobrecer a imagem da vila, conhecida durante muito tempo como a capital do milho, devido às potencialidades agrícolas e por ali se encontrarem os maiores silos da região.
O taxista João Manuel disse estar constantemente a trocar os acessórios à viatura, como a suspensão e os amortecedores, por estes não resistem ao impacto dos buracos e crateras abertas na vila.
O município encontra-se encravado entre dois eixos rodoviários nacionais, que ligam as províncias de Benguela e da Huíla, as únicas vias que estão em bom estado.
O automobilista António Lando também afirmou estar preocupado com o estado das estradas da sede da Caála e considerou que elas não oferecem condições para o serviço de táxi, devido à acentuada degradação.
Além de prejudicar as viaturas, o mau estado das vias contribui, directa ou indirectamente, para o atraso e desempenho dos trabalhadores e estudantes que as usam para chegar aos postos de trabalho e escolas.
A funcionária pública Cândida Rebeca, residente no bairro Mangumbala, arredores da vila, referiu que as estradas apresentam muitos ressaltos e no tempo seco levantam muita poeira, causando várias doenças, além do desconforto que são para os peões.
Nos últimos dias, os moto-taxistas, conhecidos por kupapatas, têm-se recusado a transportar clientes para determinadas ruas da vila, o que penaliza em grande escala trabalhadores e alunos.
Apesar das grandes dificuldades, na antiga vila Robert Williams nem tudo corre mal. Os sinais de desenvolvimento também já são visíveis nalguns sectores, com o surgimento de serviços bancários, novas escolas, centros comerciais, restaurantes, hospedarias e hotéis.
Simultaneamente, decorre a modernização dos serviços sanitários a nível da vila, assim como há a circulação regular do comboio do Caminho-de-Ferro de Benguela, meio que está a dar outro dinamismo à vida dos munícipes, principalmente na ampliação dos negócios e da actividade comercial.
 A Caála conta com uma estação de rádio local do grupo Rádio Nacional de Angola e uma delegação da Angop, para garantir informação actualizada aos munícipes.
O chefe de secção da repartição municipal de Planeamento, Castelo Kapoko Kandumbo, anunciou que existe um plano de desenvolvimento local para o quinquénio 2013/2017, que contempla acções nos sectores da educação, saúde, saneamento básico, agricultura, comércio, indústria e outros.
Nos próximos tempos, os habitantes do sector do Acolongondjo, na comuna do Cuima, vão passar a ter uma nova escola de carácter definitivo, com 12 salas.No sector da agricultura, existem projectos para a criação de uma empresa de mecanização agrícola municipal, para facilitar a vida aos agricultores e camponeses nas próximas campanhas. A administração adquiriu alguns tractores com respectivas alfaias, para ser dada outra dinâmica à actividade agrícola e criar mais fontes de sustento para as populações, no quadro do programa de combate à pobreza.
As autoridades estão ainda a desenvolver acções que visam melhorar o saneamento básico da municipalidade e promover mais higiene na vila e nos bairros periféricos.
O sector do comércio vai ser revigorado em breve, uma vez que estão em fase de conclusão as obras de construção de um centro de conservação de alimentos agrícolas, na comuna da Calenga, zona potencialmente agrícola.
A população da sede municipal recebe luz eléctrica da barragem do Ngove, durante 24 horas ao dia, enquanto as sedes comunais são abastecidas por grupos geradores.
A sede municipal da Caála e alguns bairros periféricos também têm água canalizada. Nas comunas, as populações são abastecidas através de pequenos furos, criados pelas administrações locais.
A nível de habitação, o chefe da repartição municipal de Ordenamento do Território, Urbanização e Ambiente, arquitecto João Carlos Pereira, explicou que decorre na Caála um projecto de construção de quatro mil casas sociais, na reserva fundiária da Lenha, num perímetro de 1.700 hectares. A administração municipal definiu três planos de urbanização nas zonas do Cangoti, Codume, Musili e Calai Brita com novos projectos, numa superfície de dois mil talhões para a autoconstrução dirigida.
João Carlos Pereira esclareceu que, desde 2007, já foram entregues cerca de 2.500 talhões, prevendo-se a distribuição de outras parcelas na zona do Codume, em Outubro.
Foi igualmente feita a marcação de terreno do pólo industrial, num espaço de 1.083 hectares, com capacidade para 40 fábricas.
A sede do município da Caála, que ascendeu à categoria de vila a 15 de Julho de 1970, tem 3.680 quilómetros quadrados e cerca de 190 mil habitantes.
 Nesse ano designava-se vila Robert Williams, em homenagem ao britânico com o mesmo nome, que impulsionou a construção do Caminho-de-Ferro de Benguela.
A 15 de Junho de 1970 foi elevada à categoria de vila, através da portaria 17.011, pelo então governador-geral de Angola, tenente-coronel Camilo Augusto de Miranda Rebocho Vaz.

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