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Cada vez mais jovens em profissões artesanais

Marcelino Dumbo e Adolfo Mundombe | Huambo

Milhares de jovens no Huambo encontram nos pequenos negócios ou em profissões artesanais exercidas em espaços ao ar livre forma de custearem os estudos e até de sustentarem famílias

Benedito Chitangueleca e José António começaram aos 12 anos a aprender a ser alfaiates. Hoje trabalham na praça do bairro da Calomanda, arredores da cidade, e, disseram ao Jornal de Angola, vão continuar na profissão “enquanto não aparece outra coisa melhor”.
 “Vou continuar a ser alfaiate, pois apesar de não ganhar muito dinheiro, dá para garantir a assistência à família”, disse José António.
O segredo nesta profissão, afirmou Benedito Chitangueleca, “é saber coser tudo” para conseguir ganhar o dinheiro para as necessidades do dia-a-dia principalmente da saúde.  À semelhança dos sapateiros, barbeiros e de outros ofícios, os alfaiates até há pouco eram pessoas mais velhas, mas agora já se vêem muitos jovens a exercerem aquelas profissões.
A dificuldade de acesso aos empregos formais, na maioria das vezes por falta de habilitações académicas, leva cada vez mais jovens a enveredar por pequenos negócios, como lavagem de viaturas, venda ambulante, abertura de barbearias, salões de beleza e serviços de táxis. O barbeiro  Justino Chitumba referiu ter sido ter sido esta a forma que encontrou para evitar envolver-se “em práticas menos boas” para ganhar dinheiro.  Nos mercados principais da Quissala, Kapango, bairro São Luís, Cambiote, Cacilhas, Santo António e Calombringo surgiram pequenos núcleos organizados que se dedicam a ser alfaiates, modistas, sapateiros e barbeiros. Os preços variam. Um corte normal de cabelo custa entre 200 e 300 Kwanzas e os concertos de roupa entre 50 e 200 kwanzas.
Fatos e vestidos, que nunca levam menos de dois dias a serem feitos, ficam entre quatro mil a seis mil kwanzas.  A grande dificuldade em ser costureiro ou alfaiate é a escassez de material, principalmente de máquinas, agulhas e linhas. Frederico Camosso, alfaiate antigo, declarou ao Jornal de Angola que não se cansa de incentivar filhos, sobrinhos e netos a optarem pela a profissão que “dá para as despesas e levar uma vida digna”. Felismina Menezes recorre com frequência a estes serviços de rua porque “são eficientes embora com alguma demora” e mais baratos dos que os praticados nos mercados da cidade.
As barbearias nem sempre reúnem as condições indispensáveis para o exercício da actividade. O material utilizado, sobretudo as máquinas, nem sempre é desinfectado, o que pode provocar doenças no coro cabeludo.
Anacleto Pedro, barbeiro, que garantiu que antes de iniciar o trabalho organiza a sala, arruma os instrumentos para facilitar a actividade e atrair mais clientes, disse lamentar a falta de profissionalismo de alguns colegas que exercem a profissão sem mínimas condições higiénicas e apenas a pensar no lucro fácil. 
  “É necessário manter a higiene nestes espaços, por serem frequentados por muitas pessoas”, recordou.  Paulino Cavissa e Aires Alexandre também são barbeiros e comungam das ideias do colega quanto à importância da higiene .
O médico Nsungu Dimakaya disse que não se deve usar álcool etílico e petróleo depois do corte de cabelo e lembrou que as máquinas e as lâminas devem ser lavadas e esterilizadas em água a ferver durante uma hora e meia.
 “Muitos barbeiros não têm noção do perigo que podem causar aos clientes, pois somente estão os preocupa ganhar dinheiro”, disse.

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