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Campanhas contra a gravidez precoce

Juliana Domingos e Mário Clemente | Huambo

A Maternidade Provincial do Huambo registou, desde Janeiro, 421 casos de gravidez em menores, dos quais 55 resultaram em cesarianas,  informou ontem a ginecologista e obstetra Vitória Kitumba.

Vista parcial da cidade do Huambo onde decorrem campanhas de sensibilização para diminuir os casos de gravidez precoce
Fotografia: Francisco Lopes|Huambo

Vitória Kitumba falava num encontro entre médicos, especialistas e membros da sociedade civil e advertiu para os riscos físicos e psicológicos que as adolescentes podem enfrentar no futuro.  
“Muitas adolescentes chegam a contrair patologias graves no parto prematuro, aborto espontâneo, muitas vezes provocado pela tentativa de se livrarem  da gestação com recurso a medicamentos e    realizados em  postos de saúde clandestinos”. informou Vitória Kitumba, que acrescentou que muitas  adolescentes  acabam por morrer, por não terem ainda o organismo preparado para enfrentar uma cesariana.
“A   famílias devem reforçar a passagem da mensagem e a informação sobre a sexualidade dentro de casa, encorajar as adolescentes a participar em palestras nas escolas, quebrar os tabus e orientá-las desde as primeiras idades”, pediu  Vitória Kitumba, que apontou a falta de condições sociais para as adolescentes poderem sustentar um filho como um dos factores que dificulta a sua formação académica e profissional. “Muitas  jovens que engravidam, às vezes sem saber, quando descobrem o seu novo estado entram em conflito com a situação e recorrem a um fármaco perigoso usado para provocar o aborto, com consequências  trágicas no futuro”, disse Vitória Kitumba, que acrescentouu que a situação não preocupa apenas os médicos  mas  toda a sociedade e exortou aos pais e encarregados de educação a terem em conta a gravidade destes casos para o país e para as próprias famílias.
“O número de pais e mães adolescentes tem vindo a crescer consideravelmente na sociedade e é necessário que os educadores tenham mais coragem para conversar com filhos acerca da sexualidade”, concluiu   Vitória Kitumba. Por outro lado, quatro armazéns grossistas da cidade do Huambo estão sujeitos a “medidas cautelares” por falta de facturas de importação de produtos que tinham à venda, disse ontem ao Jornal de Angola  inspector chefe da Direcção Provincial do Comércio.
Dinis Muenho afirmou que “como medida cautelar foram abertos quatro processos por irregularidades” e que todos os grossistas que não apresentem comprovativos de aquisição, proveniência e qualidade dos produtos correm o risco de lhes ser suspensa a actividade até cumprirem o estipulado por lei. O inspector-chefe referiu que duas brigadas de técnicos da Direcção Provincial do Comércio, em colaboração com os Serviço de  Investigação Criminal e da Polícia Económica, desenvolvem iniciativas para levar os grossistas a cumprirem os preços estipulados para os produtos da cesta básica.
Dinis Muenho declarou que já foram contactados 16 grossistas e estão agora a ser analisados os processos de importação e as facturas de aquisição para se apurar se são cumpridas as margens de lucro para os infractores serem autuados.

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