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Camponeses pedem reabilitação das vias de acesso

Adolfo Mundombe | Lunje

O estado da via que liga a comuna do Lunge à sede do Bailundo, no Huambo, continua a prejudicar os habitantes de várias aldeias e ombalas que devido à situação não conseguem escoar produtos para os principais centros de consumo.

Bento Kacthiyo é o administrador comunal
Fotografia: Adolfo Mundombe | Lunje

O estado da via que liga a comuna do Lunge à sede do Bailundo, no Huambo, continua a prejudicar os habitantes de várias aldeias e ombalas que devido à situação não conseguem escoar produtos para os principais centros de consumo.
O administrador comunal do Lunje referiu ao Jornal de Angola que “a região é potencialmente agrícola, mas muitos produtos cultivados não chegam aos principais centros e acabam por se estragar devido ao mau estado das vias”.
Bento Kacthiyo afirmou ser urgente reabilitar das vias para melhorar a vida da população.
A comuna do Lunje tem vários troços rodoviários a precisarem de ser reabilitados como os casos dos da vila/Cassenje, vila/Ngolongo e Ngandalinha/Mungo, normalmente utilizados pelos camponeses para escoar os produtos.
“Neste momento todas as atenções estão viradas para o troço Bailundo/Lunje e Lunje/Cassenje e a administração municipal prometeu iniciar os trabalhos no primeiro trimestre deste ano”, disse.
A população do Lunje, declarou, está ansiosa por ver algumas estradas reabilitadas para poder produzir mais e escoar os produtos.
O soba grande da ombala Lunje, Angelino Santos, disse ao Jornal de Angola que o que mais o preocupa é a reabilitação do troço que liga a comuna à vila do Bailundo, pois no estado em que está prejudica a população da região que tem de percorrer mais de 33 quilómetros a pé para adquirir na vila do Bailundo bens de primeira necessidade.

Camponeses receberam adubo

Os camponeses e cooperativistas das ombalas e aldeias da comuna receberam adubo na primeira fase da presente campanha agrícola, com a subvenção do Governo Provincial do Huambo, o que permitiu baixar de cinco para três mil kwanzas o saco de 50 quilos.
O administrador comunal afirmou que devido à regularidade da chuva, os camponeses do Lunje esperam uma boa colheita e não viver a crise de alimentos registada no ano passado. A comuna, referiu, tem uma cooperativa que contribui para o aumento de produção e por isso este ano recebeu um crédito agrícola, fertilizantes e adubos para a correcção dos solos entregues pela direcção da Agricultura e Desenvolvimento Rural.
“Temos a Associação Palestina, que beneficiou também de crédito bancário para actividades agrícolas e aos poucos muitas outras associações vão surgindo na comuna”, afirmou o administrador.

Água e luz

A comuna é abastecida regularmente de energia eléctrica das 18 horas à meia noite, por um grupo gerador de 100 KVA, adquirido o ano passado pela administração municipal do Bailundo, enquanto um sistema de captação garante o fornecimento de água vinte e quatro horas por dia.
Nas aldeias estão disponíveis manivelas que funcionam com um sistema solar para o abastecimento de água, no quadro de um programa do governo do Huambo que será extensivo a toda a província.
Antónia Longué, residente na aldeia de Sachipanguele, reconhece alguns progressos da comuna do Lunje, mas diz que o maior constrangimento é a estrada que liga Cassenge ao Bailundo.
“Tem sido muito difícil viajar neste troço, poucos carros circulam. Para se deslocarem ao Bailundo os populares utilizam motorizadas, que cobram 700 kwanzas por corrida”, lamentou. As pessoas limitam-se mesmo a viajar a pé até à sede do município para conseguir alguns bens como sal, sabão, óleo porque a comuna não tem lojas, sublinhou Antónia Longué.
Na comuna funciona apenas uma cantina onde se pode adquirir alguns produtos, mas as populações queixam-se dos elevados preços praticados. Um litro de óleo vegetal custa 300 kwanzas, uma barra de sabão é vendida a 250 kwanzas, o quilo de sal a 150, cerveja a 75 cada, o mesmo valor para o refrigerante e vinho gaivota 250.
Paulina Jamba, 18 anos, também residente, disse que os jovens carecem de espaços de lazer, nomeadamente um jango cultural e campos para a prática desportiva. “O nosso dia-a-dia tem sido simples, sem recreação, ou seja casa/escola, lavra e vice-versa”, disse, pedindo mais escolas de formação profissional.   Com um centro médico na sede e cinco postos de saúde nas ombalas de Ulundu, Cassenje, Tchilemba, Tchilombe e Ngolongo, o quadro sanitário no Lunje melhorou significativamente.
Estas unidades assistem as populações das vinte ombalas e dezasseis aldeias, que constituem a comuna do Lunge, mas o administrador local garante a construção de mais postos nas ombalas de Chicala, Etunda e Epanda.
Os casos mais frequentes são as parasitoses, doenças respiratórias, diarreicas agudas, estomacais, febre tifóide, tosse, entre outras.
O soba Angelino Santos reconheceu os vários esforços do governo e assinalou a saúde como um dos sectores que mais tem crescido. “No passado foi difícil falar de saúde na comuna, mas, hoje, várias infra-estruturas sociais já funcionam como deve ser. As populações recebem cuidados médicos localmente e os alunos estudam até a 10ª classe, apesar de existirem poucas escolas de construção definitiva”, afirmou o administrador.

Educação e recreação


A maior parte das escolas foram construídas pelos encarregados de educação, com o apoio da administração comunal, mas, para este ano, as autoridades apostaram em mais escolas definitivas. Bento Katchiyo frisou que o número de professores na comuna é insuficiente (146), para milhares de crianças que anualmente ingressam no sistema de ensino. Lunje possui uma escola de formação de professores para a capacitação de muitos jovens, sobretudo os que terminam a 9ª classe.

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