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Capital ecológica de Angola em risco

Com o abate indiscriminado de árvores, a pretensão das autoridades locais tornar o Huambo a capital ecológica de Angola corre sério risco.

Com o abate indiscriminado de árvores, a pretensão das autoridades locais tornar o Huambo a capital ecológica de Angola corre sério risco. Esta é a opinião de vários habitantes ouvidos pela nossa reportagem.
António Jamba disse que é preciso tomar medidas para acabar com o fenómeno, apontando como solução o apoio institucional aos camponeses familiares, que procuram sobreviver fazendo carvão, e alargar a utilização pelas populações do gás butano.
“Eu diria mesmo que é necessário que a utilização do gaz de cozinha seja incentivado em todo o país, porque o abate de árvores para carvão é feito em todo país”, alertou.
Acrescentou que, embora aqui e acolá o Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF), esteja a criar polígonos florestais, a verdade é que o processo de abate é muito mais dinâmico e não é acompanhado por igual processo de reflorestamento. “São cada vez mais as clareiras em lugares onde ontem eram matas densas”, disse.  
Para o estudante João Hossi, não basta plantar árvores para renovar as florestas que estão a ser destruídas, é preciso prestar educação ambiental às populações e impedir que continuem a abater indiscriminadamente árvores para fazer carvão. “O que se passa é que há interesses económicos instalados, que devem ser imediatamente travados, sob pena de o Huambo se transformar em deserto”, alertou. 
Pelo menos 38.869 árvores diversas vão ser plantadas, nos próximos meses, em vários perímetros e polígonos florestais da província do Huambo, numa iniciativa do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF), inserida no seu programa de repovoamento e fomento florestal.
O chefe da brigada provincial do IDF, Andrade Moreira Bahu, em declarações recentes à imprensa, explicou que o processo de plantação de árvores começa em Outubro e vai se estender até ao mês de Março de 2011, altura em que a chuva diminui de intensidade na região.
Informou que serão plantadas 11.650 árvores de cedro, 12.985 de eucaliptos, 13.934 de pinheiros e 300 acácias de ornamentação.
Estas espécies, segundo o responsável do IDF no Huambo, já se encontram nos viveiros da instituição, aguardando somente pelo início da época chuvosa, para que as mesmas sejam plantadas em locais definitivos.
Andrade Moreira Bahu afirmou que o IDF vai igualmente continuar a fornecer árvores aos fazendeiros para tornar célere o processo de fomento florestal na região.
Disse também que, além das árvores de madeira e de ornamentação, a instituição dispõe, nos seus viveiros, de outras, nomeadamente de mangueiras (48), abacateiros (200), café arábica (675) e 355 flores diversas.
Realçou que durante a primeira fase de plantação de árvores, decorrida entre os meses de Janeiro a Março deste ano, foram plantadas 10.200 mudas de diferentes espécies, principalmente eucaliptos, cedros e pinheiros, além de terem fornecido a fazendeiros das províncias limítrofes um total de 35 mil árvores.
Mais de quatrocentos milhões de kwanzas são necessários para estancar 18 ravinas, nos municípios do Huambo (capital da província), Caála, Longonjo e Tchindjendje, que ameaçam cortar a circulação rodoviária em alguns troços principais e secundários destas circunscrições.
Segundo o director das Obras Públicas na província do Huambo, José Adolfo Morguier, que se manifestou preocupado com a “progressão de algumas ravinas”, o sector das Obras Públicas não possui recursos financeiros para estancar o avanço das ravinas, que, por enquanto, são as que mais preocupam.
Destas, explicou, oito encontram-se no município do Huambo, sete na Caála, duas no Longonjo e uma no Tchindjendje.

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