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Casos de malária e anemia preocupam as autoridades

Juliana Domingos | Huambo

O surgimento de novos casos de malária e o aumento de casos de anemia estão a preocupar as autoridades sanitárias da província, anunciou ontem, no Huambo, o director em exercício da pediatria do Hospital Central.

Em entrevista ao Jornal de Angola, Nicolau Feliciano afirmou que nos últimos meses nota-se o surgimento, com intensidade, de casos de malária e o aumento de casos de anemia, principalmente em pacientes menores de cinco anos.
O número de crianças com malária na pediatria do Hospital Central pode rondar os 183 pacientes, sem contar com os casos de anemia, e apontam-se como principais causas o lixo, falta de higiene em alguns casos, o não uso adequado do mosquiteiro e a falta de limpeza nos arredores das residências.
Para mudar o quadro, Nicolau Feliciano disse que o Governo e seus parceiros sociais gizaram vários programas, como a sensibilização das populações sobre as elementares normas de higiene, a promoção de campanhas de limpeza, o saneamento do meio, o desencorajamento do uso de medicamentos caseiros, incentivo ao uso correcto de mosquiteiros e apelos a uma alimentação saudável.
O Governo da província pretende também aumentar as campanhas de humanização dos serviços de saúde junto dos seus profissionais, para tornar mais acessíveis os cuidados médicos e permitir que os doentes cheguem aos balcões médicos sem muitas dificuldades. O director em exercício mostrou-se também preocupado com o facto de muitos doentes chegarem muitas vezes tardiamente às unidades sanitárias e outros optarem também por auto-medicação. Apelou aos pais e encarregados de educação no sentido de incentivarem as crianças a usar roupas compridas, principalmente ao anoitecer, quando estiverem em lazer, para evitar que o mosquito encontre espaço para pousar directamente no corpo do menor.
“Nos últimos tempos temos notado o aumento de óbitos nas comunidades causados pelo surgimento de intensos focos de malária e o crescimento de casos de anemia, principalmente de pacientes menores de cinco anos”, salientou.
Nicolau Feliciano afirmou que apesar de algumas dificuldades relacionadas com a falta de espaço nas salas de internamento da pediatria, a tendência é melhorar sempre o atendimento ao doente e humanizar os serviços.
Além das medidas de prevenção levadas a cabo pelas autoridades sanitárias, existem ainda outras de âmbito comunitário, relacionadas com a eliminação de charcos de água em residências, promoção de campanhas de limpeza nas comunidades, evitar pneus nos quintais ou nas proximidades das residências.
“A sensibilização visa mudar o comportamento das populações, sobretudo as mulheres, por serem elas que cuidam dos menores”.
A situação, segundo Nicolau Feliciano, atinge também outras unidades sanitárias, como centros materno-infantis, maternidade e unidades orgânicas dependentes da direcção geral do hospital central do Huambo.

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