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Centro de Reabilitação Física em risco de encerrar

Marcelino Dumbo | Huambo

O Centro de Medicina e Reabilitação Física Doutor António Agostinho Neto, no bairro da Bomba Alta, na cidade do Huambo, necessita de, pelo menos, mil milhões de kwanzas para revitalizar a linha de produção de próteses, paralisada há mais de um ano, devido à falta de matérias-primas.

No passado o centro produzia centenas de próteses e de muletas por dia
Fotografia: Jornal de Angola

O Centro de Medicina e Reabilitação Física Doutor António Agostinho Neto, no bairro da Bomba Alta, na cidade do Huambo, necessita de, pelo menos, mil milhões de kwanzas para revitalizar a linha de produção de próteses, paralisada há mais de um ano, devido à falta de matérias-primas.
O director do centro, José Chioca, disse que está apreensivo quanto ao futuro dos doentes. A reactivação plena dos serviços, sobretudo o fabrico de próteses abaixo e acima do joelho, muletas, precisa de grandes investimentos.
Também é preciso iniciar com urgência as obras de reabilitação e ampliação do próprio centro, como foi planificado previamente pelo Executivo, “mas está tudo dependente da disponibilização das verbas”.
Fundado em 1979, com objectivo de ajudar à recuperação de pessoas debilitadas fisicamente, o Centro Ortopédico doutor António Agostinho Neto foi, de acordo com o seu director, o primeiro a ser criado no país e dos poucos em África, com características específicas, viradas para a recuperação de doentes e a fabricação própria das próteses.
O centro tem recebido muitas solicitações de pessoas com deficiência física de todo o país, “mas não está a ser possível dar resposta a esses pedidos, devido aos problemas que enfrentamos”, disse José Chioca.

Produção de próteses

A linha de produção de próteses abaixo do joelho e também de muletas está paralisada há mais de um ano, devido à escassez de matéria-prima, facto que, segundo José Chioca, deixa o centro de “mãos atadas” para satisfazer os pedidos.  No passado, o centro produzia em média 70 a 90 próteses por dia e 120 a 150 pares de muletas por mês, números que satisfaziam as solicitações vindas de todo o país.
José Chioca explicou que apesar da situação actual, os trabalhos não paralisaram na sua totalidade, uma vez que o centro presta serviços nas áreas de reparação de próteses, muletas, fisioterapia e medicina. “Esta é a forma que encontramos para mantermos o equilíbrio psicológico dos nossos pacientes”, disse o director do centro. A manutenção dos serviços conta com os apoios de organizações e empresas, designadamente da Carci do Brasil, Farmácia Universal e de uma ONG Sul-Africana. Com capacidade para internar 60 pacientes, o centro atendeu de Janeiro de 2010 a Setembro do ano em curso, sete mil doentes, provenientes das províncias de Benguela, Huíla, Kuando-Kubango, Moxico, Bié e Huambo. Os serviços de fisioterapia atendem, em média, 300 a 400 doentes por mês, mas o material e equipamento utilizado não é dos melhores, disse o director do centro. Mas está previsto o envio de algum material de origem sul-africana que vai servir para apoiar os serviços de ortopedia.
O centro dispõe de quatro técnicos superiores de fisioterapia, igual número de bacharéis nas  área das próteses, médicos que colaboram na área de reabilitação e dez enfermeiros.

Projectos do centro

A reabilitação e ampliação do edifício, a instalação de novos equipamentos, o aumento da capacidade de internamento de 60 para 250 camas e a criação de serviços de cirurgia plástica, fazem parte dos projectos e prioridades traçadas pela direcção do Centro de Medicina e Reabilitação Física da Bomba Alta doutor António Agostinho Neto.
José Chioca fisse que depois da ampliação vão surgir grandes melhorias na prestação de serviços.
As dificuldades vividas pela instituição são do conhecimento do Ministério da Saúde, por via da Direcção Provincial de Saúde, e também do Governo Provincial.

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