Províncias

Cidade celebra hoje o aniversário

Estácio Camassete | Huambo

A cidade do Huambo comemora hoje 99 anos desde que lhe foi atribuída essa categoria pelo então governador-geral da província portuguesa de Angola, general Norton de Matos.

Com o alcance da paz a região recuperou o tempo perdido e com o esforço de todos a cidade vai mostrando uma nova imagem
Fotografia: Estácio Camassete |Huambo

A cidade do Huambo comemora hoje 99 anos desde que lhe foi atribuída essa categoria pelo então governador-geral da província portuguesa de Angola, general Norton de Matos.
O Huambo ascendeu à categoria de cidade através da portaria número 10.40, assinada por Norton de Matos a 8 de Agosto de 1912, para ser elevada 43 dias depois do despacho oficial.
A cidade não nasceu de uma aldeia ou de um povoado que foi crescendo, mas sim em consequência do acampamento dos trabalhadores ferroviários. Aliás, a criação oficial da nova cidade, a 21 de Setembro, coincidiu com a realização da primeira viagem do comboio dos Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB), no ano em que foi concluída, levando a bordo Norton de Matos de Benguela para o Huambo, facto que marcou a abertura oficial da linha férrea.
O Caminho-de-Ferro de Benguela foi claramente decisivo no surgimento da cidade do Huambo, explicou o historiador Venceslau Kasese ao Jornal de Angola, uma vez que os engenheiros e o pessoal ligado à construção dos mesmos realizou um trabalho profundo ao longo da via, o que deu origem à descoberta de várias regiões.
Ao explorar o Planalto Central, o colono não só notou que o Huambo possuía bom clima e muitos rios, como percebeu que as terras eram bastante férteis para a produção agrícola.
É então criada a estação agrícola Granja do Huambo, uma estação de experimentação de sementes para lançamento de produtos nesta localidade, dando mais tarde origem ao Instituto Agronómico de Angola, hoje Faculdade de Ciências Agrárias (FCA).  Venceslau Kasese refere que, em 1928, o projectista da cidade foi nomeado governador geral da então colónia de Angola e baptizou a cidade com o nome de Nova Lisboa, lançando a ideia de transformar a Cidade Vida em capital de Angola e do império português em terras ultramarinas. No entanto, tal nunca chegou a acontecer.
O actual museu do Huambo foi a casa de passagem dos trabalhadores dos correios e no edifício da clínica da Polícia Nacional funcionou o primeiro bispado. Em frente ao edifício onde funciona actualmente o registo civil do Huambo, existe uma residência antiga que foi a primeira escola primária da cidade.
O Huambo não foi poupado pela guerra, factor que atrasou, por décadas, o sonho dos seus habitantes de desenvolver a região.
No entanto, com o alcance da paz no país, recuperou o tempo perdido e com o esforço de todos os seus filhos, e não só, vai sendo reposto o funcionamento das infra-estruturas destruídas, mostrando uma nova imagem, tendo actualmente o estatuto de segunda cidade do país, com um parque industrial invejável, um centro académico de referência e estando proposta para se tornar futuramente capital ecológica.
A reabilitação e apetrechamento com tecnologia de ponta do Hospital Central mostra a preocupação do Executivo em relação a este sector, que é uma das prioridades na vida nacional. Constitui a unidade de referência, com capacidade de internamento para mais de 800 doentes e atende não só as populações do Huambo, mas também das províncias vizinhas.
Além disso, conta também com um hospital especializado, o Sanatório, para atender patologias específicas, como a tuberculose e outras doenças infecto-contagiosas.
Da mesma forma, foi equipado com tecnologia de última geração, multiplicou o número de funcionários, entre médicos, enfermeiros, técnicos e pessoal administrativo, dando oportunidades de criação de mais empregos, principalmente na camada juvenil, para aqueles que terminaram a formação nesta área.
“para isso é necessário que se crie mais emprego para os jovens”.

Tempo

Multimédia