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Cidade completa mais um ano de existência

António Canepa | Huambo

Agitação total, festa e folia é o ambiente que o Huambo vive, há mais de uma semana. A capital do Planalto Central comemora, hoje, dia 21 de Setembro, 98 anos desde que ascendeu à categoria de cidade.

Vista parcial da capital do Planalto Central que até a independência se chamou Nova Lisboa
Fotografia: Francisco Lopes | Huambo

Agitação total, festa e folia é o ambiente que o Huambo vive, há mais de uma semana. A capital do Planalto Central comemora, hoje, dia 21 de Setembro, 98 anos desde que ascendeu à categoria de cidade.
A urbe, que até a independência se chamou Nova Lisboa, foi fundada pelo antigo governador-geral de Angola, o português Norton de Matos, em 1912, o mesmo ano em que foi inaugurada a linha férrea, que liga a portuária cidade do Lobito ao Leste do país.
Para saudar os 98 anos, a edição 2010 das festas da cidade decorre desde o dia 20 de Agosto com numerosas actividades desportivas, músico-culturais, sociais, debates radiofónicos e palestras sobre a sua fundação, cultura e hábitos do povo do Huambo.
A realização da grande prova de automobilismo e motociclismo, com motorizadas de 600 cc, torneio de xadrez, prova de atletismo, circuito do Huambo “Cidade Vida”, exposições, e de feiras itinerantes, nos diferentes bairros da cidade, são os principais atractivos da efeméride, que junta também filhos da terra aos residentes das outras províncias.
A cidade ficou praticamente pequena para os milhares de visitantes e turistas que desde os diferentes pontos do país afluíram ao Huambo para participar nas comemorações dos 98 anos da sua fundação.
Este ano, as festas do Huambo acontecem num ambiente em que o governo leva a cabo um vasto programa de melhoramento e embelezamento da urbe, com vista a proporcionar aos visitantes e munícipes um clima de maior conforto, tranquilidade e segurança.
O governo promete levar energia eléctrica e água às casas dos citadinos, dentro dos próximos tempos, facto pelo qual estão a ser realizados trabalhos de beneficências nas principais linhas de transmissão e centros de captação e tratamento e distribuição para a cidade.

Vias rodoviárias reparadas

Das várias tarefas em desenvolvimento na cidade, destacam-se a reabilitação das principais vias rodoviárias, as ruas e ruelas dos bairros periféricos para facilitar o trânsito e, consequentemente, a redução da sinistralidade.
As principais vias que ligam os bairros ao centro da cidade foram quase todas reabilitadas. A empreitada vai se estender também à reparação e recuperação dos passeios e lancis, a reabilitação de outras infra-estruturas sociais e saneamento básico.
Falando de estradas, o mesmo se pode dizer de pontes e pontecos, ampliação da rede escolar, construção de centros e postos de saúde, acesso das populações ao programa de combate à fome e à pobreza.

Turismo e rede hoteleira

A cidade oferece também ao visitante outros atractivos, como jardins, espaços verdes e lugares de interesse económico e social. A rede hoteleira está também em franco crescimento, e é pensando no turismo que o executivo local traçou a política de fomento do turismo, para atender a demanda que cresce dia após dia na cidade.
A actual rede hoteleira ainda está muito aquém de responder à demanda, já que nos últimos anos a cidade do Huambo tem sido paragem de muitos turistas e pessoas que procuram passar momentos diferentes, sobretudo aos fins-de-semana.
A cidade recebe, semanalmente, centenas de visitantes dos vários pontos do país, incluindo pessoas que se deslocam em negócio, em trabalho ou mesmo em passeios.
Tendo em conta a importância da cidade do Huambo no contexto geográfico, político económico e social, as autoridades apelam ao empresariado e pessoas singulares a investir mais no sector do turismo e hotelaria da cidade, em particular, e na província em geral para fazer da mesma um lugar melhor para se viver.
Assim, constitui grande desafio para o executivo a ampliação da rede hoteleira, o melhoramento do saneamento básico e a afirmação da cidade como capital ecológica de Angola.
A cidade do Huambo tem dois momentos importantes, que a história não pode deixar de registar. O da sua fundação e o da sua inauguração como cidade.

Mais sobre a cidade

Foi em 1928 que o projectista da cidade, o engenheiro Vicente Ferreira, então também governador da província de Angola, atribuiu à cidade o nome de Nova Lisboa, com o propósito de que esta passasse a ser a capital da colónia, tendo em conta a sua arquitectura e o clima da região, que se assemelha ao de Lisboa.
Segundo fontes históricas, o desenvolvimento da cidade surge muito antes de 1912, com o fim das invasões militares, depois da criação do Forte da Quissala, a única unidade militar portuguesa na época, já que os demais estavam no Huambo com fins comerciais.
Mas, o seu crescimento aconteceu rapidamente nos últimos anos da década de 60, com o surgimento de um parque industrial forte e a intensificação da actividade económica mais diversificada.
A cidade do Huambo já conheceu momentos melhores, mas com o tempo tem dado passos firmes para a sua recuperação. É hoje referência e considerada postal do país.

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