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Cidade do Huambo melhora a imagem

Marcelino Dumbo|Huambo

A reabilitação das ruas dos bairros da cidade do Huambo e a construção de novos arruamentos em zonas onde nunca existiram, decorrem a bom ritmo, com o trânsito a ficar cada vez mais fluído.

A asfaltagem das ruas secundárias e terciárias está a dar outra dinâmica aos bairros periféricos da cidade
Fotografia: Francisco Soares

 
A reabilitação das ruas dos bairros da cidade do Huambo e a construção de novos arruamentos em zonas onde nunca existiram, decorrem a bom ritmo, com o trânsito a ficar cada vez mais fluído. As obras estão a cargo da Brigada de Construção da Casa Militar, em parceria com a empresa de construção civil Angolaca.
Mais de 80 quilómetros de estradas e ruas nas comunas e bairros periféricos do Huambo foram asfaltadas, com vista a melhorar a circulação do trânsito. A rede viária está degradada porque desde 2002 que não tem obras de beneficiação e manutenção. Ao longo dos últimos anos, apenas actuaram as brigadas tapa buracos. Com o lançamento de actual empreitada tudo mudou no Huambo e zonas periféricas. A empreitada em curso é fiscalizada pela Direcção Provincial das Obras Públicas e a nossa reportagem constatou que as obras estão a ser executadas com recurso a tecnologias avançadas.
O chefe da Brigada de Reabilitação de Estradas da Casa Militar, Simão Pedro, disse ao Jornal de Angola que, desde Fevereiro de 2007, altura em que arrancaram os trabalhos de pavimentação das ruas, já foram realizadas obras no casco urbano e nos bairros da Colomanda, São João, Benfica, Cacilhas e São Pedro.
Neste momento decorrem obras nas comunas Comandante Vilinga, Comandante Nzaji, Comandante Bandeira, Comandante Xavier Samacau, Comandante Joaquim Kapango e nas vias que dão acesso ao mercado da Quissala, também na cidade do Huambo.
Simão Pedro afirmou que a empreitada é resultado do programa aprovado pelo Executivo em parceria com o Gabinete de Reconstrução Nacional e visa melhorar as ruas da cidade e dos bairros periféricos.
As obras, além da reabilitação e asfaltagem das ruas e estradas municipais, compreendem também a sinalização luminosa do pavimento. Apesar de não ter revelado o valor da empreitada, Simão Pedro afirmou que todos os custos são suportados pelo Gabinete de Reconstrução Nacional. Estão nas obras 190 trabalhadores, dos quais 20 expatriados. Os trabalhos da grande empreitada empregam pouca mão-de-obra porque estão a ser usadas tecnologiasde ponta, o que, segundo o tenente-coronel Simão Pedro, tem vindo a facilitar, de forma substancial, os trabalhos.  
Estão também a ser construídas nos bairros novas vias, para evitar os congestionamentos nas ruas e estradas antigas. Simão Pedro frisou que apesar de algumas dificuldades de carácter interno e externo, os trabalhos decorrem de forma normal.
Os únicos problemas de vulto com que se deparam os trabalhadores que executam as obras estão relacionados com a aquisição de acessórios e peças sobressalentes para as máquinas, e com a desordem no trânsito devido à ausência de sinalização em algumas zonas.
O administrador da comuna Xavier Samacau, António Kahiti, visivelmente satisfeito, disse que as obras são muito importantes e vão melhorar a vida das populações do bairro e de todos os residentes da cidade do Huambo.
 António Kahiti apontou a área do cemitério municipal, alguns troços dos bairros S. Bento, Calilongue e Calundo, e a zona que dá acesso à escola missionária S. Francisco de Assis, como as que precisam de intervenção mais urgente, tendo em conta a sua precariedade no tempo das chuvas.
As construções anárquicas constituem os grandes obstáculos na execução das obras. O chefe da brigada de construção, tenente-coronel Simão Pedro, frisou que, no quadro do projecto de reabilitação, além do Huambo, a Brigada de Reabilitação de Estradas da Casa Militar realiza o mesmo tipo de obras nas cidades de Benguela, Malange e Ndaltando.
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 Automobilistas satisfeitos
 
Os automobilistas e outros utentes das vias estão satisfeitos com as melhorias registadas nas principais estradas da região e em particular das ruas dos bairros do casco urbano. Os benefícios proporcionados têm sido também destacados pela população local, que nota a redução do tempo das viagens e a diminuição de avarias nos veículos.
“Há melhorias consideráveis, porque no passado havia muitas dificuldades na circulação, sobretudo nas vias de acesso ao município sede do Huambo e aos restantes municípios. As estradas estavam esburacadas. Agora que estão a ser reabilitadas, já permitem viagens seguras para as várias localidades”, afirmou Agostinho Tchicunga.
 Natália Jamba, uma jovem que se encontrava na paragem à espera de táxi, disse que está muito satisfeita com as obras, “porque as duas rotas que dão acesso ao maior mercado, estão a ser devidamente reabilitadas, as ravinas que constituíam perigo ao tráfego foram estancadas. Corríamos muito perigo, sobretudo nas pontes, que ameaçavam desabar, devido às ravinas, que cada vez mais se aproximavam, criando engarrafamentos, de peões e de veículos”.

Código de Estrada

Augusto Rodrigues Sapalo, um automobilista que faz o percurso Alemanha/Benfica, pede aos outros automobilistas para respeitarem regras do Código de Estrada e para terem uma condução cuidadosa, “para ver se conseguimos reduzir as mortes por acidentes provocados pelo excesso de velocidade, estimulado pelo uso do álcool”.
As quitandeiras Amélia Chali, Vitória Wimbo e Emiliana Freitas destacaram o bom estado das ruas da cidade e periferia do Huambo e das vias de acesso aos municípios.
A melhoria do estado da rede viária permitiu uma maior oferta de transportes públicos que o Executivo fez às populações do Huambo.
“Gastávamos mais de 200 kwanzas por dia em táxis, com os nossos sacos e cestos de negócios. Agora com os autocarros gastamos o máximo 90 kwanzas. Estamos muito bem, porque conseguimos ter alguns lucros”, afirmou, satisfeita, Emiliana Freitas.
Alguns moto-taxistas abordados pelo Jornal de Angola em várias paragens próximas do Nosso Super, no bairro do S. Pedro, foram unânimes em dizer que pelo estado actual das estradas, o Governo Provincial, através das empresas envolvidas na sua reabilitação, deve montar “quebra molas” para evitar acidentes causados por condutores “emocionados” pelo bom estado das estradas.
Os moto-taxistas negam serem eles os principais causadores de acidentes e embaraços ao trânsito na cidade do Huambo: “os culpados somos nós, os condutores de veículos de todo o tipo, que se não tivermos cuidado acabamos por provocar acidentes”, referiu um táxista.
 

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