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Cidade Universitária permite voos altos

Fernando Cunha|Huambo

A Universidade José Eduardo dos Santos pertence à quinta Região Académica do Ensino Superior, que engloba as províncias do Huambo, Bié e Moxico.

A Universidade José Eduardo dos Santos vai ter uma cidade universitária que permitie o desenvolvimento do Ensino Superior
Fotografia: Francisco Lopes

A Universidade José Eduardo dos Santos pertence à quinta Região Académica do Ensino Superior, que engloba as províncias do Huambo, Bié e Moxico. O Campus Universitário deve arrancar em 2015. O reitor, Cristóvão Simões, anunciou que já existe um terreno na comuna da Calima, com mais de 700 hectares, cedido pelo Governo Provincial do Huambo.
A Cidade Universitária está a ser projectada para mais de 30 mil alunos, números que a instituição pretende atingir nos próximos 15 anos. No “campus” ficam instaladas todas as faculdades já existentes e aquelas que forem criadas futuramente, instalações desportivas, lares para os estudantes e ainda zonas experimentais para as faculdades que necessitem de estudar os solos.
“A Cidade Universitária vai mobilizar enormes recursos financeiros e se o que está projectado for seguido sem interrupções, vamos arrancar com as obras de edificação do Campus Universitário já em 2015”, assegura Cristóvão Simões.
Este ano lectivo, iniciado há 15 dias, a Universidade José Eduardo dos Santos tem 3.372 alunos matriculados e em 2012 pretende admitir entre 1.500 e 2.000 novos estudantes.
“Em 2012, desejamos chegar aos 6.500 alunos e dentro de seis anos pensamos atingir os dez mil alunos. Mas tudo isso vai depender do investimento em infra-estruturas, incentivos financeiros que nos permitam aumentar o nível académico dos professores e materializar o grande sonho de construção do Campus Universitário”, afirma o reitor.
O reitor Cristóvão Simões disse que a Universidade José Eduardo dos Santos tem 232 docentes para 3.372 alunos inscritos no presente ano lectivo. Em relação aos docentes, a universidade tem ao seu serviço licenciados com médias iguais ou superiores a 14 valores, mestres e doutores.

Qualificação de professores

“Temos em marcha um projecto que visa aumentar o número de professores com mestrados e doutoramentos. Sabemos que é um processo que leva tempo, por isso mesmo, nos próximos cincos anos vamos funcionar com muitos licenciados, alguns mestres e poucos doutores”, disse.
A inserção regional da Universidade José Eduardo dos Santos está em marcha. O reitor Cristóvão Simões explica que o processo de implantação decorre de acordo com o plano traçado pelo Executivo, apesar das dificuldades que foram surgindo ao longo do primeiro ano de vida da instituição.
“Temos dificuldades com o corpo docente, maioritariamente formado por professores estrangeiros que asseguram em quase 100 por cento o funcionamento dos cursos de Medicina, Enfermagem e Engenharia. Até nos cursos de Economia e Veterinária, onde já leccionam muitos professores angolanos, temos professores estrangeiros. Nos Institutos Superiores do Bié e do Moxico o corpo docente é todo composto por professores estrangeiros. Temos pela frente o grande desafio de formar aceleradamente professores angolanos”, afirmou Cristóvão Simões.
“Temos muitos quadros com qualidade para a docência. Porém, não é fácil enquadrá-los devido à obrigatoriedade dos concursos públicos para a sua contratação. E isso não depende da Universidade, mas sim dos Ministérios da Administração Pública, Finanças e do Ensino Superior. Se tivermos necessidade de contratar professores fora do âmbito do concurso público temos de ter meios financeiros próprios para pagar os seus honorários, e neste momento a Universidade não tem meios financeiros próprios para esse efeito”, diz o reitor.

Curso de Medicina

Independentemente das dificuldades vividas, o reitor garante que os cursos ministrados na Universidade José Eduardo dos Santos funcionam dentro do perspectivado. O curso de Medicina é o que funciona melhor.
“O curso de Medicina ainda está no seu começo, com alunos do primeiro e segundo anos. No primeiro ano temos 85 alunos, no segundo 75. As aulas funcionam regularmente no Hospital Universitário. Queremos juntar ao curso de Medicina, cursos de Enfermagem e de Análises Clínicas, que funcionam no Instituto Superior Politécnico Ho Chi Min”, disse o reitor.
A Faculdade de Ciências Agrárias, além do curso de Agronomia, tem o curso de Engenharia Florestal que conta com o apoio científico da Universidade de Córdoba, Espanha. O curso de Veterinária, além do curso clássico, vai ser alargado à tecnologia alimentar.
O curso de Direito, disse o reitor, resolveu o crónico problema da falta de docentes, que obrigava os alunos a irem prestar provas a Luanda: “estamos melhor que no passado, porque os alunos eram obrigados a deslocar-se a Luanda para prestar provas. Agora trazemos os professores ao Huambo para aqui ministrarem as aulas e realizarem as provas. A Faculdade de Direito realiza toda a sua actividade lectiva no Huambo”.

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