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Comuna da Chiaka prepara o progresso

António Canepa |Chiaka

A sede da comuna da Chiaka era, até pouco mais de dois anos, um aglomerado de casas rudimentares, sem o mínimo de condições para atrair qualquer visitante.

Construção de mais uma escola vai acolher crianças fora do sistema de ensino
Fotografia: Francisco Lopes

A sede da comuna da Chiaka era, até pouco mais de dois anos, um aglomerado de casas rudimentares, sem o mínimo de condições para atrair qualquer visitante.
A população vivia todo o tipo de dificuldades e carências. Faltava de tudo e as crianças, para estudar, tinham de percorrer longas distâncias, contra todos os perigos, e as vias de acesso eram completamente intransitáveis.
Localizada a 36 quilómetros a Norte da vila do Tchindjendje e com uma população estimada em 11 mil habitantes, a comuna da Chiaka é uma referência histórica, por ter sido o centro do reino com o mesmo nome, que jogou um papel importante na luta de resistência contra o colonialismo.
O reino tornou-se importante pela sua produção de alimentos, o que lhe permitia abastecer outros reinos da região, durante a luta de resistência.
A localidade esteve votada ao abandono e, durante o conflito armado, ficou esquecida, como confidenciou António Liahuka, camponês. Hoje, porém, com a paz, Chiaka vive o grande exemplo do que está a acontecer, um pouco por todo o país, em que a implementação de programas está a melhorar a vida das populações.
Há dois anos, o governo do Huambo lançou o desafio de erguer naquela localidade infra-estruturas sociais básicas, começando por reabilitar as vias de acesso, para que as populações possam viajar confortavelmente, e produzir e vender livremente os seus produtos.
Um orçamento de 140 milhões de kwanzas foi disponibilizado pelo governo da província para a reconstrução da comuna, que inclui a montagem do sistema de captação, tratamento e distribuição de água potável, a residências para o administrador comunal, o palácio, o comando comunal da Polícia Nacional, o centro médico, com capacidade para atender 12 pacientes, e um jango comunitário.
Várias obras estão na fase conclusiva, como é o caso da escola, o centro médico, o jango e outras ainda estão no início. Constam também das obras a construção de um campo de futebol onze e um centro recreativo para a juventude.
 
Agricultura e comércio
 
O comércio ainda é tímido na comuna. O administrador municipal em exercício do Tchindjendje, Quintino Kuvika, lançou um apelo para a realização de investimentos em diversos sectores que, em vários aspectos, carecem de infra-estruturas e precisam de ser redinamizados.
A região é potencialmente agrícola e é produtora de vários géneros alimentares e pecuários. De acordo com as autoridades do município, estas potencialidades podem ser utilizadas para o desenvolvimento do município e, em geral, da comuna em particular.
A Chiaka produz milho, feijão, trigo, batata rena e doce, banana, mandioca e tantos outros produtos, entre legumes e hortaliças. Joaquim Luhaku, um dos mais velhos interpelados pela nossa reportagem, disse que a comuna pode fornecer muita comida ao município.
“Antigamente outras populações vinham até aqui comprar milho, feijão, até mesmo trigo, mas hoje isso já não acontece, porque há falta de mais apoio. As vias não estão em condições, principalmente nesta época de chuvas”, frisou.
Para combater a fome e a pobreza, mais de duas mil pessoas estão envolvidas na campanha da produção de alimentos, tendo sido criadas 27 associações de camponeses.
O governador da província, Albino Malungo, disse que vai apoiar os agricultores e camponeses da comuna para o aumento da produção.
Uma das medidas anunciadas por Albino Malungo reside na terraplanagem da estrada principal que liga a vila do Tchindjendje à comuna e a colocação de mais meios de transporte público e mini autocarros todo-o-terreno durante a época chuvosa.
Mário Tchissoka, 45 anos de idade, é camponês e pede mais apoio ao governo da província. “Queremos mais apoio em fertilizantes, pesticidas, sementes e tractores. A nossa comuna é produtora de comida, não podemos continuar a passar fome”, asseverou.

Educação e saúde

O administrador em exercício do município do Tchindjendje, Quintino Kuvika, disse que a educação continua a ser uma das prioridades das autoridades, pois o município ainda tem cerca de duas mil crianças fora do sistema normal de ensino. Além das salas construídas pelo Estado, as populações têm participado na construção de outras nas aldeias e ombalas.
Na comuna, foi construída uma escola de raiz, com seis salas de aulas, além de outras provisórias. Vários professores vão ser recrutados para aumentar o número de docentes na localidade.
Actualmente, 12 enfermeiros asseguram os serviços sanitários na comuna, cujas patologias mais frequentes são a malária, doenças respiratórias e as diarreias agudas.

Energia e água

A comuna não tem energia, mas o governo da província garantiu que, em breve, vai ser adquirido um grupo gerador para abastecer a sede comunal, tanto como o fornecimento da água potável, a ser assegurado por um sistema de captação e tratamento montado de raiz.

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