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Comuna da Cumbila vive falta de chuvas

Adolfo Mundombe | Kumbila

A falta de chuvas que se regista desde o início da campanha agrícola deste ano na comuna daCumbila, município do Londuimbali, província do Huambo, preocupa as autoridades locais.

Agricultores satisfeitos com a posição da administração municipal em estabelecer uma moratória para o reembolso do crédito
Fotografia: Francisco Lopes|Huambo

 A falta de chuvas que se regista desde o início da campanha agrícola deste ano na comuna daCumbila, município do Londuimbali, província do Huambo, preocupa as autoridades locais.
O administrador da comuna, Afonso Sambongue, disse ao Jornal de Angola que a maioria das plantações de batata rena, milho, feijão e hortícolas secou, na primeira época da campanha, por insuficiência das chuvas. Mais de 15 toneladas de sementes de produtos diversos perderam-se.
A maioria dos camponeses adquiriu as sementes no quadro do crédito de campanha agrícola.
“Temos certeza que os camponeses se empenharam no cultivo dos seus produtos a contar com o reembolso, mas a falta de chuvas fez com que muitas das plantações não germinassem, e das que germinaram muitas secaram, por falta de água”, disse.
Aproveitando os fertilizantes já colocados nos terrenos, os camponeses semearam feijão da segunda época, mas este acabou por secar também. Como alternativa, os camponeses foram encorajados a cultivar bata rena, feijão, mandioca e batata-doce nas zonas húmidas das baixas dos rios.
A comuna da Cumbila tem nove associações de camponeses, sendo seis nas Ombalas e três na sede da localidade, onde está concentrada a maioria da população, estimada em 11.232 habitantes, distribuídos em 38 aldeias. Após uma visita de constatação dos técnicos da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA), as autoridades locais decidiram estabelecer uma moratória no reembolso dos créditos.
Mariana Nangueve, camponesa há oito anos, diz que a situação é preocupante, mas mostrou-se satisfeita com a decisão tomada pela administração comunal, em estabelecer uma moratória para o reembolso do crédito. “Estamos a prever fome, porque todos os cultivos secaram. Como é que vamos pagar o que devemos ao Estado, se nem mesmo para comer temos”, questionou-se, acrescentando que, tal como ela, a maioria dos trabalhadores procura formas para enfrentar a situação.
Anfonso Tchitungu, 43 anos, camponês, afirma que este ano as coisas pioraram, quase nada sobrou das sementes que utilizaram para a campanha. “A situação está complicada, não sabemos como vamos sobreviver”, afirmou.   A comuna possui uma muito reduzida actividade comercial, os poucos agentes comerciais que existem na vila têm dificuldades em adquirir os produtos e bens de primeira necessidade, devido ao mau estado de algumas vias.
Mas o administrador da comuna, Afonso Sambongue, garantiu que existe já um programa estruturado para melhorar as vias e a reabilitação de algumas infra-estruturas degradadas na sede da vila e arredores. A vila conta com nove lojas, que comercializam alguns produtos, como sal, sabão, óleo alimentar, arroz e massa.  Devido ao desabamento da ponte que liga a Estrada Nacional à comuna, o fornecimento de produtos decaiu. Os agentes comerciais enfrentam dificuldades em transportar os produtos da vila do Londuimbali para a sede da comuna e muitos camponeses não se conseguem deslocar para levar os produtos aos mercados urbanos.
Antes, a circulação era feita em menos de uma hora. Agora, com o desabamento da ponte, esta é feita em mais de duas horas, passando pela vila da comuna de Galanga.
A circulação de pessoas e bens entre a comuna de Cumbila e a sede do município de Londuimbali foi cortada há pouco mais de 15 dias, em consequência do desabamento da ponte sobre o rio Cuvômbua, provocada por um camião basculante carregado de brita, que servia as obras da construção de uma escola na sede da comuna.
O administrador Afonso Sambongue afirmou ao Jornal de Angola que o motorista foi negligente, porque, mesmo sabendo que o peso transportava no camião era muito superior à capacidade da ponte, insistiu em atravessar com a carga, o que provocou o desabamento da estrutura.
A comuna da Cumbila tem um centro e um posto de saúde. Dispõe de oito técnicos, entre enfermeiros e trabalhadores auxiliares. Outro posto de saúde funciona fora da sede, numa comunidade de maior concentração populacional, com três enfermeiros.
De acordo com o administrador local, está prevista a construção de novos postos de saúde e a ampliação do centro de saúde comunal, obras que arrancam em breve.
O centro de saúde da vila possui uma ambulância para facilitar a evacuação de doentes para a sede do município do Londuimbali. Para a cobertura sanitária são necessários mais três postos de saúde e enfermeiros. As doenças mais frequentes na área são a malária, pneumonia, doenças diarreicas agudas e complicações durante e pós-parto. No sector da Educação, foram matriculados no presente ano lectivo 3.235 alunos da iniciação à 9ª classe.
A comuna conta com 104 professores, distribuídos por 12 escolas, sendo cinco de construção definitiva. As demais são comunitárias e de construção rudimentar. Afonso Sambongue adiantou que existem ainda aldeias distantes das localidades onde não há professores.

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