Províncias

Comuna do Chipeio recupera vocação histórica

Justino Vitorino e Azevedo Faria | Chipeio

Chipeio, no município da Ecunha, província do Huambo, é uma comuna cuja história está ligada à produção agrícola em grande escala, ao turismo e à formação de sacerdotes.

Expansão dos serviços da Saúde permitem baixar os índices de mortalidade na região
Fotografia: Francisco Lopes |

Chipeio, no município da Ecunha, província do Huambo, é uma comuna cuja história está ligada à produção agrícola em grande escala, ao turismo e à formação de sacerdotes.
O administrador local, Filipe Catiavala, disse ao Jornal de Angola que, durante muito tempo, a comuna foi centro de formação de muitos intelectuais, que hoje servem o país e em particular a província.
Foi esta comuna que durante a época colonial albergou o Seminário Menor da Arquidiocese do Huambo, antes da sua transferência para a capital da província, devido à guerra.
Aqui encontra-se também um dos melhores centros turísticos da região, a Ilha dos Amores, uma referência obrigatória para os visitantes e turistas que se deslocam ao Huambo em férias ou passeio.
O centro turístico é muito procurado pelos namorados e, pela sua localização geográfica, serve igualmente de inspiração a músicos, poetas e escritores.
O Governo Provincial, no âmbito dos seus programas para o desenvolvimento da região, construiu a sede da administração comunal, a residência do administrador e do administrador adjunto, uma escola de quatro salas e fez a terraplanagem das estradas que ligam a vila da Ecunha à sede comunal, a localidade de Capacuito a Tchipipa e Tchipipa a Londuimbali.
Estão também em curso na vila a reabilitação das ruas e pavimentos e outras infra-estruturas de impacto social, com vista a dar uma melhor imagem à sede da comuna e melhorar a vida na localidade. A população do Chipeio é maioritariamente camponesa, e tem como culturas principais a batata rena, milho, feijão, massambala, mandioca, ginguba e hortícolas.
O administrador Filipe Catiavala afirmou que este ano se perspectiva uma boa colheita, a maioria das famílias produziu o suficiente para garantir a alimentação e a comercialização dos seus produtos e aumentar o rendimento dos lares.
”As chuvas caem com regularidade e daquilo que estamos a ver no terreno, este ano não vai haver fome”, apontou o administrador comunal do Chipeio. 
O Governo Provincial do Huambo, através da Direcção da Agricultura e Desenvolvimento Rural, distribuiu e vendeu fertilizantes aos camponeses a custos baixos.
“A comuna beneficiou de quantidades aceitáveis de fertilizantes, o que possibilitou a ampliação das áreas de cultivo”, realçou.
As principais dificuldades são a degradação das vias de acesso às principais zonas de produção, fundamentais nas localidades de Cambia, Cambalundo e Chitatamela.
A comuna tem uma cooperativa e controla 17 fazendas que beneficiam do apoio de várias ONG e do programa de desenvolvimento rural e de combate à pobreza.  

Assistência médica garantida
         
A rede sanitária no Chipeio é constituída por um centro de saúde com capacidade para dez camas e quatro postos médicos nas aldeias de Cambia, Chitatamela, Camgombe e sector de Cambalundo, garantida por 30 técnicos, entre enfermeiros auxiliares e gerais.
Milhares de crianças, dos zero aos cinco anos, foram vacinadas contra a poliomielite no ano passado e este programa, segundo o administrador, vai continuar.
Filipe Catiavala apontou como necessidade urgente a falta de ambulâncias para apoiar os doentes que afluem às unidades sanitárias da comuna sede.
“Às vezes temos de recorrer a meios privados para podermos transportar os doentes da sede para o hospital municipal”, afirmou.   
Outro aspecto que também preocupa o sector tem a ver com a falta de laboratórios de análises clínicas para a realização de exames médicos. A comuna do Chipeio beneficia de abastecimento regular de medicamentos.  
As doenças mais frequentes são as diarreicas agudas, respiratórias, malária e gástricas, mas adiantou que faltam técnicos de enfermagem para que a saúde chegue mais para lá da sede e aldeias próximas.
Mais de sete mil alunos do primeiro ciclo e do ensino secundário foram matriculados no presente ano lectivo. As aulas são ministradas por 203 professores. A comuna dispõe de 12 salas de construção definitiva e 24 escolas comunitárias, cada uma com seis salas, o que permitiu a inserção de milhares de crianças que se encontravam fora do sistema normal de ensino por falta de estabelecimentos escolares. Apesar disso, o número ainda é insuficiente, tendo em conta o crescimento acelerado da população estudantil. Filipe Catiavala garantiu, contudo, que tudo está a ser feito para a construção de mais escolas.

Tempo

Multimédia