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Comuna do Hengue a caminho do desenvolvimento

Adolfo Mundombe | Hengue

A comuna do Hengue, município do Bailundo, província do Huambo, está a sair do anonimato e a avançar para o desenvolvimento, com a construção de mais infra-estruturas sociais e o surgimento de serviços básicos.

Administrador adjunto Tomás Sumbelelo disse que a grande preocupação das autoridades locais tem a ver com as péssimas condições das estradas
Fotografia: Dolina Miguel| Hengue

Localizado a mais de cem quilómetros da sede do município, a comuna do Hengue é a mais distante da cidade do Huambo e faz fronteira com as províncias de Malange e Kwanza-Sul.
Em tempos idos, muitos não faziam ideia da existência desta região, dada a sua localização geográfica e por ser uma terra onde a guerra quase nada poupou, dificultando os acessos. Hoje, a população reconhece os avanços que está a ter e o quão fácil se tornou viajar até àquelas terras.
O administrador adjunto da comuna, Tomás Sumbelelo, disse ao Jornal de Angola que o Hengue está a caminhar para o desenvolvimento, com a recuperação e construção de várias infra-estruturas sociais e o crescimento da rede de serviços básicos, há já alguns anos inexistentes.
O sector da saúde e educação estão entre as principais prioridades do programa. A grande preocupação das autoridades tem a ver com as péssimas condições das estradas que ligam os troços rodoviários da Missão Católica do Janju, no Luvemba, ao rio Cupassi, no Waku Kungo, província do Kwanza-Sul, dificultando as trocas comerciais com as localidades vizinhas.
As populações do Hengue fazem os seus negócios na vizinha província do Kwanza-Sul, passando pela Missão do Janju, Cruzamento e Cassongue, daí a preocupação das autoridades comunais em ver as estradas reabilitados.
O administrador garantiu que assim que forem criadas as condições, vão ser levadas a cabo obras naquelas vias.  O sector da agricultura vai ganhando o seu espaço. O administrador confirmou que os camponeses têm recebido, em cada época agrícola, sementes, catanas, enxadas, adubos e fertilizantes e as colheitas têm sido satisfatórias.

Região é rica em produtos

A região é rica em produtos como milho, feijão, mandioca, ginguba e hortícolas. É notória a abertura de mais lojas, cantinas, lanchonetes e alguns locais de diversão para os jovens, graças a este movimento que permite aos habitantes da localidade, antes considerada de difícil acesso, adquirir facilmente bens materiais e de consumo a partir dos grandes centros urbanos. “ Houve um avanço significativo no comércio, os agricultores que beneficiaram de crédito automóvel ajudam a vida das populações da nossa comuna a tornar o dia-a-dia mais dinâmico”, referiu o administrador adjunto,Tomás Sumbelelo.

Serviços básicos


A comuna é iluminada por um grupo gerador de 40 kvas, que funciona das 18h00 à meia-noite. O abastecimento do combustível e a sua manutenção dependem da administração municipal.
A sede da vila do Hengue tem igualmente água canalizada, bombeada através de um sistema de irrigação para os tanques de distribuição às populações.
Tomás Sumbelelo considerou que, neste contexto, já se justifica a presença de uma operadora de telemóvel na comuna, tendo em conta o desenvolvimento que ela está a ter nos últimos tempos. No quadro do programa de reconstrução e recuperação de infra-estruturas, o Hengue conta com um centro de saúde de raiz, com a capacidade para 20 camas, consultório médico, áreas de cirurgia, ginecologia, consultas pré-natais, entre outras.
Com 26 técnicos de enfermagem, dos quais 15 enfermeiros e outro pessoal de apoio, a saúde no Hengue está bem, de acordo com o dirigente local. São atendidos, em média, 25 a 30 pacientes, número que pode subir com o aumento de mais serviços. Além do centro de referência, Hengue  têm mais três unidades sanitárias, distribuídas pelas ombalas mais populosas da circunscrição. A comuna não tem problemas com medicamentos e os doentes graves são evacuados para o hospital municipal por uma ambulância entregue pela direcção provincial da Saúde.

Doenças mais frequentes

As doenças mais frequentes na região são as diarreicas agudas, parasitoses intestinais, bronquite, pneumonia e respiratórias.
A comuna tem 21 estabelecimento de ensino, do primeiro e segundo ciclo. Cerca de 12.570 alunos foram matriculados, da iniciação à 9ª classe.
As aulas são asseguradas por 176 professores, insuficientes para dar resposta à procura. Para resolver esta situação são necessários mais cem professores e a construção de novas salas.

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