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Comuna do Lépi está a renascer das cinzas

Justino Vitorino| Lépi

O administrador da comuna do Lepi disse, ao Jornal de Angola, que a circunscrição regista avanços significativos, sobretudo nos domínios da saúde, educação, agricultura e energia e águas.

Várias infra-estruturas de impacto social estão a ser construídas e outras estão em fase de reabilitação para melhorar a imagem da vila
Fotografia: Francisco Lopes | Huambo

O administrador da comuna do Lepi disse, ao Jornal de Angola, que a circunscrição regista avanços significativos, sobretudo nos domínios da saúde, educação, agricultura e energia e águas.
Este facto, sublinhou Francisco Tchikete, aumenta a qualidade de vida das populações desta comuna do município do Longonjo.
Várias infra-estruturas sociais estão a ser construídas e outras em fase de reabilitação, no âmbito do programa de reconstrução nacional, dando uma nova imagem à comuna. 
O administrador afirmou que, no que toca à educação, durante o ano lectivo de 2010 foram matriculados mais de sete mil alunos do primeiro ciclo do ensino secundário, ensino de adultos e alfabetização, mas que cerca de quatro mil ficaram fora do sistema de ensino.
O ensino na comuna, assegurado por 150 professores, dispõe de 30 salas. No ano passado, por iniciativa das comunidades, foram construídas dez de escolas comunitárias, cada uma com seis salas, o que permitiu a inserção de 409 crianças que se encontravam fora do sistema normal de ensino por falta de estabelecimentos.
Quanto ao material didáctico, disse que no ano lectivo de 2010 foram distribuídos gratuitamente vários manuais, principalmente da primeira à quarta classe, o que permitiu melhorar a qualidade do ensino e a aprendizagem na comuna.
Não obstante os avanços que se registam no sector, frisou, há, ainda, um défice considerável de salas na comuna.
Francisco Tchikete garantiu que a administração vai trabalhar junto das comunidades para serem construídas, nos próximos tempos, mais escolas comunitárias.
A administração, anunciou, tem previsto a construção de casas para os professores que, por enquanto, têm de percorrer longas distâncias para chegarem ao local de trabalho.  
 
Novas perspectivas no sector da saúde

 
A rede sanitária na comuna do Lépi é constituída por um centro de saúde e três postos médicos, situados nos sectores do Bongo, Sandongo e Calenga Njolo.
A assistência à população é assegurada por 45 técnicos, 30 dos quais enfermeiros auxiliares e 15 enfermeiros gerais.
No ano passado, disse o administrador, foram feitas quatro campanhas de vacinação contra a poliomielite, que abrangeram milhares de crianças, com idades até aos cinco anos. Como doenças mais frequentes referiu as diarreicas agudas, as respiratórias, a malára e parasitoses intestinais. 
O Lépi, lamentou, ainda enfrenta grandes dificuldades quanto ao transporte de doentes, que afluem às unidades sanitárias da comuna sede.
“ Há vezes que temos de recorrer a meios privados para podermos transportar os doentes da sede para o hospital municipal,” afirmou.  
Outro aspecto que também preocupa o sector tem a ver com as largas distâncias que os doentes percorrem, desde as aldeias às unidades sanitárias da sede da comuna.
Sobre o abastecimento de medicamentos afiançou que tem sido regular, apesar de, nos últimos dias, se registarem algumas anomalias. 
 
Fortes chuvas
 
A população do Lépi é maioritariamente camponesa. Batata rena, milho, feijão, massambala, mandioca, jinguba e hortícolas são os produtos mais cultivados na região.
O administrador comunal disse que as chuvas que se abateram sobre a região prejudicaram, de certa maneira, a produção familiar, sobretudo dos solos das baixas, as nacas.
As chuvas, lembrou, não prejudicaram só os produtos do campo, também provocaram o desabamento de escolas do ensino primário, casas, postos e centros de saúde.   
O governo provincial, através da Direcção Provincial da Agricultura, referiu, prestou especial atenção aos camponeses, com a venda de fertilizantes a baixos custos. A comuna beneficiou de 60 toneladas de fertilizantes, que possibilitaram a ampliação das áreas de cultivo.
Quanto às vias de acesso às principais zonas de produção agrícola, designadamente aos sectores do Sandombe e Ndumbo, afirmou, estão totalmente degradadas, impossibilitando o escoamento dos produtos.
A comuna tem uma cooperativa e 17 associações de camponeses, que beneficiam de apoios de várias Organizações Não-Governamentais, que intervêm nos programas de desenvolvimento rural e de combate à fome e à pobreza. 
      
Energia e água

O Lépi dispõe de dois grupos geradores, um deles de 150 KVA, que se encontra avariado devido a uma descarga eléctrica que afectou a placa.
Nesta altura, confirmou administrador, a comuna tem a funcionar um grupo gerador de 50 KVA, que apenas serve para a iluminação pública devido à fraca capacidade de distribuição de energia aos bairros periféricos.  A administração, referiu, está a envidar esforços para, a breve trecho, repor o fornecimento de energia.    Francisco Tchikete revelou que a administração comunal, dentro dos planos de acção para este ano, prevê aumentar a capacidade da rede de iluminação pública, no âmbito do programa de investimentos público do governo da província do Huambo.
No sector das águas, disse, foram montados, este ano, na circunscrição 17 chafarizes, que funcionam em pleno.

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