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Ensino especial em nova escola

Estácio Camassete| Huambo

A única escola virada para o ensino especial do Huambo funciona há um ano. Tem seis salas com capacidade para 80 alunos e este ano lectivo estão matriculados 370 alunos, que frequentam aulas da iniciação à nona classe. São ensinadas todas as disciplinas da reforma educativa.

O estabelecimento funciona agora no bairro Académico depois da sua transferência das instalações provisórias da zona do São João
Fotografia: Estácio Camassete| Huambo

A única escola virada para o ensino especial do Huambo funciona há um ano. Tem seis salas com capacidade para 80 alunos e este ano lectivo estão matriculados 370 alunos, que frequentam aulas da iniciação à nona classe. São ensinadas todas as disciplinas da reforma educativa.
Um ano depois da entrada em funcionamento, a escola de ensino especial do Huambo recebe alunos com deficiências auditivas e visuais, dificuldades motoras, deficiências intelectuais e com dificuldades na aprendizagem.
O seu director, Justo Fernando, diz que os pais e encarregados de educação dão todo o apoio à escola, o que facilita o trabalho dos professores: "para nós é muito importante a presença dos familiares, porque facilita a aprendizagem e melhora a motivação dos alunos".
A escola de ensino especial do Huambo está situada no bairro Académico, depois de ter passado por instalações provisórias no bairro São João e pelo colégio Baptista, no bairro Benfica, onde funcionou até Janeiro de 2010. Em Abril do ano passado ficou concluído o novo edifício onde hoje funciona.
Desde que a nova escola foi inaugurada, o número de alunos cresceu significativamente. Justo Fernando explica que a maioria chega à escola por via familiar, mas muitos são indicado pelas escolas, porque lhes foram detectados problemas de aprendizagem e por isso necessitam de atenção especial.
"Trabalhar com estes alunos requer muita atenção e paciência, visto que a sua capacidade de concentração é limitada. Isso requer do professor muita agilidade e alta capacidade de motivação", disse Justo Fernando. A escola não tem dificuldades, garante o director. Os professores são constantemente qualificados na especialidade que leccionam dentro ou fora da província. A quantidade do material didáctico é boa e há máquinas suficientes para escrever em linguagem Braille.
Numa turma de ensino especial, além da formação, perícia e dotes especiais requeridos ao professor, são aconselhadas turmas com pouco alunos para um melhor aproveitamento. Justo Fernando diz que "o número elevado de alunos numa turma é prejudicial devido às dificuldades que apresentam na aprendizagem".

Métodos especiais

Durante as aulas os professores usam métodos especiais. Os alunos com dificuldades auditivas e visuais praticam linguagens especiais e os que têm problemas intelectuais exigem do professor uma preparação adequada, já que os alunos "aprendem fazendo".
A escola de ensino especial do Huambo, no ano lectivo passado, beneficiou do Programa Merenda escolar, do Ministério da Educação. Este ano está previsto manter este apoio aos alunos. Justo Fernando diz que "as estatísticas do Programa de Merenda Escolar da província provam que a criança permanece com vontade na escola quando sabe que a meio da manha ou da tarde tem uma refeição. Onde não existe a merenda, as crianças reclamam de fome e querem ir para casa".
Justo Fernando está preocupado com os alunos que frequentam a nona classe. Neste momento são cinco e a instituição não tem para onde encaminhá-los para prosseguirem os seus estudos.
"Temos falado com a direcção do Instituto Médio de Educação, a fim de incluir estes alunos na escola de formação de professores, porque eles já possuem agregação pedagógica na área de especialidade e quando terminarem, podem ser docentes e formar os outros alunos que requerem cuidados especiais", explica Fernando Justo. O psicólogo Alberto Praia considera a criança com necessidades de educação especial, aquela que aparentemente pode estar bem, mas padece de uma deficiência física, motora ou intelectual.
Este aluno quando está a frequentar uma escola do ensino geral, não singra e nem sempre os professores detectam que ele necessita de cuidados especiais.
Para Alberto Praia, uma criança de uma escola especial, se não for acompanhada com cuidado, pode sentir-se excluída socialmente. Muitas vezes estas crianças interrogam porque razão os seus colegas e amigos estudam numa escola e elas noutra. E querem saber o porquê da sua escola ser chamada de escola especial. Alberto Praia é de opinião que as escolas especiais não devem ser isoladas das outras que fazem parte do sistema de ensino geral, e aconselha mesmo a que algumas turmas especiais deviam ser inseridas nas escolas do ensino geral. "É importante que se leve em conta este assunto".

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