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Estradas do Catchiungo facilitam comércio local

João Constantino | Catchiungo

De uma vila pacata há pouco menos de três anos, Catchiungo, na província do Huambo, passou a ser um ponto de paragem obrigatória para qualquer cidadão que queira efectuar negócios, viajar em serviço ou lazer para as províncias do Bié, Kuando-Kubango e Moxico.

Zona urbana central com nova imagem da vila de Catchiungo
Fotografia: Francisco Lopes

De uma vila pacata há pouco menos de três anos, Catchiungo, na província do Huambo, passou a ser um ponto de paragem obrigatória para qualquer cidadão que queira efectuar negócios, viajar em serviço ou lazer para as províncias do Bié, Kuando-Kubango e Moxico.
A estrada de acesso, reabilitada, está a facilitar a movimentação e o transporte de pessoas e bens para as principais cidades do Centro e Leste, e vice-versa. O escoamento dos produtos agrícolas para os mercados dos centros urbanos está mais facilitado, dinamizando assim a actividade económica.
A reparação das principais infra-estruturas sociais e vias terciárias satisfez a população da localidade, que vê assim maiores possibilidades de prosperar com o aumento das vendas dos produtos agrícolas e o consequente aumento do rendimento familiar.
A Administração Municipal investiu, no quadro do Programa de Investimento Municipal (PIM) referente a 2009-2010, cerca de 375 milhões de kwanzas na reabilitação de pontes e terraplanagem das estradas que ligam a sede municipal às comunais e ombalas.
Segundo o administrador municipal, José Manuel dos Santos, foi reabilitada e ampliada a escola secundária Ndunduma, com 12 salas, situada próximo da ponte sobre o rio Upumbuy, no troço da estrada Catchiungo-Chinhama.
José Santos garantiu à reportagem do Jornal de Angola que as obras continuam. “Ainda existe muito trabalho pela frente”, afirmou o administrador. De acordo com a fonte, a energia eléctrica, água, educação e saúde, bem como a reabilitação física da vila, são as maiores preocupações da Administração, que pretende servir da melhor maneira os cerca de 152.860 munícipes.
 
Falta de Bancos 

Apesar do crescente nível da actividade económica, o município do Catchiungo ainda não dispõe de serviços bancários. Para José Santos, essa realidade “trava o desenvolvimento da localidade”.
“A presença de bancos é uma forma de atrair os investidores, que por sua vez constituem mola para o desenvolvimento”, sentenciou o administrador. O município tem cerca de mil funcionários públicos, que para receberem os seus salários ou realizarem outras transacções bancárias têm de se deslocar a outros municípios, nomeadamente ao Huambo e ao Chinguar, na província do Bié.
José Manuel disse ainda que, quando chega a altura do pagamento dos salários aos funcionários da função pública, há instituições que ficam cerca de três dias com as portas fechadas ao público, “porque os trabalhadores têm de deslocar-se à cidade do Huambo para levantarem os seus salários”.
“Há a urgência de termos aqui agências bancárias. E o BPC não pode continuar a ser o único a fazer o processamento e pagamento dos salários da função pública”, disse.
Em todo o caso, o administrador deu a boa nova de que o Banco Africano de Investimentos (BAI) poderá abrir uma agência, ainda este ano, no espaço adjacente à Administração Municipal.  A ausência de serviços bancários, segundo o administrador, dificulta o surgimento de  empresários interessados em investir na região.

Sector da Educação

O sector da educação no município está à espera de dias melhores. Assim como no sector da saúde, a falta de quadros é uma dor de cabeça. Segundo o chefe de repartição da Educação, Ciência e Tecnologia, Afonso Sapalo, o sector necessita de 380 novos professores para o ensino primário e primeiro ciclo. No total são 4.909 alunos matriculados em 65 escolas.
As crianças com idade escolar fora do sistema de ensino são 1.500. Estas, segundo Afonso Sapalo, podem ainda ingressar no ensino no próximo ano, caso sejam construídas mais salas de aula. O funcionário público considera irrisório o número de professores que leccionam no município: um total de 735.
“Cerca de 1.400 crianças beneficiam de merenda escolar em três escolas. O número foi reduzido, já que no ano passado beneficiavam alunos de cinco escolas. Mas ainda assim não se registam desistências das aulas”, informou.
No ensino de alfabetização, segundo ele, estão matriculados 300 alunos, nas diversas aldeias do município. “Aguardamos pelo enquadramento dos professores que participaram no concurso de admissão à função púbica, para ver se conseguimos preencher as vagas existentes”, disse.
Inaugurado a 13 de Novembro de 2009, o Instituto Médio Politécnico do Catchiungo está apostado na formação de quadros médios nas especialidades de informática, construção civil (obras) e electricidade. A instituição também ministra cursos básicos de construção civil, informática e mecânica industrial.
No presente ano lectivo estão matriculados 507 estudantes, distribuídos por 16 turmas. 
Para o director do instituto, Samuel Bândwa Sabino, a falta de professores é a maior preocupação da direcção. Os cerca de 30 professores são considerados um contingente reduzido, quando comparado com as necessidades. 
“Necessitamos, com urgência, de mais 40 professores para preencher o quadro orgânico. Temos alguns professores que estão a ministrar duas ou três disciplinas por falta de mais docentes”, disse Samuel Sabino. O Instituto Médio Politécnico do Catchiungo foi concebido para acolher 2.260 alunos, mas arrancou com apenas 507, número que poderá subir para 900 em 2012. 
A instituição funciona com laboratórios de informática, química, física, ensaio de material de construção civil, electrotecnia, reparação de equipamento informático, máquinas eléctricas, electricidade e instalações eléctricas. Todos eles estão equipados com tecnologia de última geração.
Construído de raiz, o instituto possui 17 salas de aula, quatro oficinas, duas quadras polidesportivas, um anfiteatro e residência do director.  
Os primeiros formados serão lançados no mercado de trabalho no próximo ano, pois tanto a formação básica como a média têm a duração de três anos.

Casos de lepra  

O quadro do sector da saúde no município do Catchiungo é preocupante. Os casos de lepra tendem a crescer. Segundo o chefe da repartição de saúde, Paulino Kulivela, até à data foram notificados 23 casos, todos na comuna da Chinhama.
“Os pacientes são, na sua maioria, provenientes da província da Huíla, pois a comuna da Chinahama faz fronteira com o município do Cuvango”, explicou, acrescentando que todos os pacientes estão internados no centro de tratamento criado para o efeito.
A malária é outra doença que preocupa as autoridades, uma vez que o stock de medicamentos para o tratamento da doença esgotou faz tempo.
Existe no município do Catchiungo um hospital municipal, um centro médico e nove postos de saúde. Um único médico presta assistência aos 156.860 habitantes, auxiliado por 246 técnicos de enfermagem, o que é manifestamente insuficiente.
“Necessitamos de mais 300 técnicos, para cobrir as vagas existentes no sector. Aguarda-se pela reabilitação e ampliação do hospital municipal e temos necessidade de repor o stock de medicamentos que acabou o ano passado”, disse Paulino Kulivela.    
O responsável da saúde disse ainda que durante o primeiro semestre deste ano o município registou seis casos de HIV-Sida e 11 de tuberculose. “Estão na base da tuberculose a excessiva ingestão de bebidas alcoólicas caseiras e o consumo de tabaco”, concluiu.

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