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Fábrica de cerveja estimula crescimento económico

Fula Martins | Huambo

O Parque industrial da província do Huambo está em relançamento com o surgimento de várias unidades fabris. Com a inauguração no mês de Novembro da Nova Companhia de Cerveja do Huambo, após 19 anos de paralisação e 14 meses a funcionar em regime experimental, a unidade fabril tem capacidade para produzir 576 mil garrafas por hora, num total de 15 a 20 mil grades por dia.

Uma parte da fábrica onde os trabalhadores estão a labutar seriamente o que permite a não importação do produto
Fotografia: Fula Martins

O Parque industrial da província do Huambo está em relançamento com o surgimento de várias unidades fabris. Com a inauguração no mês de Novembro da Nova Companhia de Cerveja do Huambo, após 19 anos de paralisação e 14 meses a funcionar em regime experimental, a unidade fabril tem capacidade para produzir 576 mil garrafas por hora, num total de 15 a 20 mil grades por dia.
Situada na zona industrial da Chiva, no bairro São João, o empreendimento industrial constitui um passo significativo no crescimento socioeconómico da província. A fábrica começou a ser reabilitada em 2007, com a montagem de equipamentos da última geração de fabrico alemão, num investimento de 61 milhões de dólares num esforço do grupo BHI, pertencente à CASTEL numa parceria com o Executivo.
Constituída por uma linha de enchimento, a unidade fabril dispõe ainda de um laboratório e um centro médico.
A fábrica, “NOCEBO” está a produzir dois tipos de cerveja, a Cuca normal e a Dopell Muních, cerveja preta. 
O director da fábrica, Cristian Mariette , afirmou que a sua empresa está a fazer a prospecção dos mercados da República Democrática do Congo, Namíbia e Zâmbia, para exportação de cerveja.
O primeiro passo para a concretização desse objectivo, referiu, passa por comercializar o produto nas localidades fronteiriças para depois ir para os principais centros urbanos dos países vizinhos.
A exportação da cerveja para os mercados africanos e europeus faz parte da estratégia da Nova Companhia de Cerveja do Huambo nos próximos anos.
As pesquisas estão a ser efectuadas nos mercados na República Democrática do Congo, Namíbia e Zâmbia e resultados preliminares indicam que 2015 é a data prevista para que a cerveja Cuca chegue aos países vizinhos.
Cristian Mariette, director-geral da fábrica, explicou que a concretização desse objectivo passa pela melhoria das condições das vias de acesso. “Estamos optimistas e pensamos que dentro de pouco tempo vamos ver a cerveja Cuca ser consumida na República Democrática do Congo, Namíbia e Zâmbia, as condições estão a ser preparadas”, disse.
Cristian Mariette referiu que a empresa pretende garantir a consolidação do mercado nacional através do fornecimento regular de cerveja às províncias do centro sul e nordeste com destaque para Bié, Moxico, Lunda-Sul, Huíla, Kuando-Kubango, Lunda-Norte, Cunene, Kwanza-Sul e Malange.

Garantia de emprego

Com a entrada em funcionamento da companhia “NOCEBO” foram criados 247 postos de trabalho directos e 100 indirectos, na sua maioria preenchidos por jovens naturais do Huambo.
Maria Manuela de 22 anos, analista de laboratório, disse que encontrou o seu primeiro emprego na Companhia de Cerveja “NOCEBO” depois de várias tentativas falhadas. “Com o salário que ganho já consigo pagar parte dos meus estudos e ajudar a família”, disse.
Guilherme Nangueve, trabalhador da linha de enchimento, disse que a reabilitação da fábrica de cerveja veio criar condições de emprego a muitos jovens.
Sodré Canganjo, também da linha de enchimento, disse ao Jornal de Angola que no passado tinha dificuldades para encontrar trabalho “e hoje, com a reabilitação da fábrica, tive a sorte de conseguir o meu primeiro emprego”. Pediu aos empresários para investirem na província. “O Huambo é fértil em tudo, por isso por não vacilem em investir nesta cidade”, disse.

Produtos em armazém

Com apenas uma linha de enchimento, a fábrica dispõe de grande quantidade de cerveja em armazém, aguardando pela sua comercialização e distribuição em todo o país. “Temos muita cerveja em armazém aguardando apenas pela sua distribuição e comercialização”, disse Cristian Mariette.
A Nova Companhia de Cerveja do Huambo é herdeira da antiga Companhia União de Cervejas de Angola CUCA. A província do Huambo, a par de Luanda, Benguela e Bengo é a quarta província com maior número de projectos contemplados no programa do Executivo para criação de novas indústrias.
O parque industrial do Huambo já foi no passado um dos mais importantes do país, daí a necessidade do seu relançamento para o desenvolvimento. A cerveja tem um processo de fabricação que começa na moagem do malte, que pode ser armazenado em silos ou sacos. É moído em moinhos de rolos ou martelos para que o amido contido no seu interior fique exposto para ser transformado durante o processo. O malte moído é misturado com água em temperaturas pré-estabelecidas para que comece a acção de enzimas, que transformam o amido em açúcares.  
Após ter todo o amido transformado, a “pasta” formada  é levada ao filtro onde cascas e bagaço são separados do líquido açucarado chamado mosto, que já tem cor de cerveja.

Fervura do Mosto

O mosto é fervido durante alguma tempo (60 a 90 minutos) para que substâncias não desejáveis se volatilizem, proteínas coagulem e o mosto seja esterilizado.
Nesta etapa também é adicionado o lúpulo, responsável por fornecer o amargor e aroma característico da cerveja. O mosto fervido passa por um processo de decantação onde as proteínas coaguladas no processo anterior são depositadas no fundo das cubas, enquanto o mosto límpido é retirado pela parte lateral/superior.
O mosto é resfriado a temperaturas baixas (7 a 12 graus) dependendo do tipo de fermentação que vai sofrer e do tipo de levedura a ser utilizado. Após ser resfriado, a levedura (fermento) é inoculada e a mistura é colocada numa cuba para ser fermentada.
Durante alguns dias, os açúcares do mosto são consumidos pela levedura e são transformados em álcool e CO2, além de calor. Estes tanques possuem temperatura controlada para que a fermentação seja sempre homogénea. A fermentação pode ocorrer entre os 8 e 15 graus aproximadamente, levando de dois a 20 dias, dependendo da cerveja a ser fabricada.
O mosto fermentado é cerveja crua. Ela é maturada em baixas temperaturas (zero graus ou menos) por períodos que podem levar alguns dias ou semanas. Nesta fase, algumas substâncias ainda são transformadas pela levedura em suspensão na cerveja, além de haver separação da levedura da cerveja (decantação), incorporação de CO2 e retirada de alguns gases formados durante a  fermentação.
A cerveja maturada é filtrada para ficar límpida e brilhante, como a que bebemos nos bares ou em casa.
Nesta fase é ainda adicionado mais CO2 e podem ser adicionados estabilizantes de espuma e anti-oxidantes.
A cerveja, após a filtração, é acumulada em cubas que alimentam as linhas de enchimento. As linhas podem encher latas e garrafas.  Após embalada, a cerveja é pasteurizada para que possa ter estabilidade microbiológica durante os meses que fica armazenada.

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