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Falta de salas e de docentes deixa crianças sem estudar

Adolfo Mundombe | Vila Franca

O sector da Vila Franca do Keve, na comuna da Galanga, no município do Londuimbali, Huambo, tem apenas uma escola de construção definitiva, com oito salas de aula, da era colonial, que está com fissuras e tem-se revelado insuficiente para acolher o número elevado de alunos, segundo o administrador Manuel Viegas.

Estão a ser criadas as condições para que todas as crianças sejam inseridas no sistema de ensino
Fotografia: Arão Martins | Edições Novembro

“Existem, para colmatar o défice de salas, escolas provisórias, construídas pela população, com adobes, mas o grande problema tem sido a falta de professores”, sublinhou Manuel Viegas, acrescentando que “a procura por uma vaga é enorme. Temos recebido também alunos da vizinha comuna da Pambangala, no Cruzamento, município de Cassongue, no Cuanza-Sul.”
Segundo o administrador Manuel Viegas, os 34 professores do quadro orgânico do sector da Educação da comuna, que leccionam da iniciação à 6ª classe, são insuficientes para atender os mais de 2.565 alunos matriculados no presente ano lectivo.
O administrador do sector da Vila Franca do Keve disse já terem solicitado à Administração Comunal da Galanga a construção de uma nova escola, sem avançar as dimensões, cujas obras arrancam nos próximos dias.
O fornecimento de medicamentos, a partir da Direcção Municipal da Saúde, não tem sido suficiente para atender os inúmeros doentes, dos quais alguns idos do Cruzamento de Cassongue, sendo as doenças mais frequentes as diarreicas agudas, malária, febre tifóide, hipertensão arterial e anemia severa, disse Manuel Viegas, acrescentando que o centro de saúde local tem uma ambulância para a evacuação dos pacientes para o Hospital do Alto-Hama.

Escoamento de produtos
O mau estado das vias no sector da Vila Franca do Keve, que dão acesso às áreas agrícolas, tem dificultado o escoamento dos produtos dos camponeses, como feijão, milho, mandioca, batata-doce, ginguba e hortícolas, segundo o administrador Manuel Viegas.
“Há camponeses que colhem acima de cinco toneladas de produtos diversos, mas não conseguem deslocar-se para os vender, devido ao mau estado das estradas, obrigando-os a despachar a preços módicos aos comerciantes idos de Luanda, Cabinda, Uíge e Benguela, o que provoca a perda do poder de compra dos camponeses”, sublinhou Manuel Viegas.
Segundo o administrador do sector da Vila Franca do Keve, “é urgente que se recupere as estradas que dão acesso aos campos agrícola, no sentido de beneficiar os camponeses e incentivá-los a produzir mais.”
O sector controla quatro associações de camponeses, composto por 25 a 30 elementos e, segundo o administrador, os associados recebem muito tarde os adubos, sementes e fertilizantes, o que tem prejudicado a actividade agrícola.
De referir que os habitantes do sector da Vila Franca do Keve, ainda de acordo com o administrador Manuel Viegas, estão privados, há quatro anos, do consumo de água potável, devido a uma avaria registada no sistema de captação e distribuição, equipado com painéis solares, construído em 2009.
A falta de luz, sobretudo a iluminação pública, é outra preocupação que afecta, desde 2017, a vila, devido a uma avaria no grupo gerador.
O sector da Vila Franca do Keve tem cerca de 7.845 habitantes, maioritariamente camponeses.

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