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Falta de fertilizantes compromete colheita

Adolfo Mundombe | Vila Franca

O administrador do sector de Vila Franca do Keve, comuna da Galanga, província do Huambo, Manuel Justino, disse ontem ao Jornal de Angola que o ano agrícola 2010/2011 está comprometido, sobretudo para as culturas do milho e feijão, devido à falta de fertilizantes para os camponeses.

Administrador Manuel Justino
Fotografia: Jornal de Angola

O administrador do sector de Vila Franca do Keve, comuna da Galanga, província do Huambo, Manuel Justino, disse ontem ao Jornal de Angola que o ano agrícola 2010/2011 está comprometido, sobretudo para as culturas do milho e feijão, devido à falta de fertilizantes para os camponeses.
Manuel Justino disse que as fortes chuvas que se abateram na região, até Maio, e a falta de condições financeiras dos camponeses individuais e organizados em cooperativas, para aquisição de adubos, dificultaram sobremaneira a campanha agrícola deste ano.
A população de Vila Franca dedica-se principalmente à produção de milho, feijão, hortícolas e banana. Neste momento, a sua principal dificuldade é o escoamento da produção para os grandes centros de consumo, devido à falta de transportes.
Clamam, por isso, das estruturas da agricultura apoio em meios rolantes para evitar que a produção se deteriore nos campos agrícolas.
Manuel Justino disse que, no âmbito do programa do governo de combate à pobreza nas povoações, o sector de Vila Franca do Keve foi abrangido com um plano de micro-crédito de campanha, para o próximo ano agrícola, que inicia em Outubro. Porém, até ao momento, os camponeses da região ainda não foram abordados pelas instituições que velam pelo crédito, o que está a levantar preocupações devido à proximidade da campanha agrícola.

Falta de professores

O administrador de Vila Franca do Keve mostrou-se preocupado com a falta de professores e a insuficiência de escolas do I e II ciclos nas diversas aldeias que pertencem ao sector. Actualmente, apenas cinco escolas comunitárias e 38 professores estão disponíveis na localidade, para uma população em idade escolar obrigatória que ronda as três mil.
O chefe de repartição de Educação da Vila Franca do Keve, João Sassuque, referiu ao Jornal de Angola que muitas das escolas existentes na região não reúnem condições de acomodação condigna para os alunos. “Muitos são os alunos que estudam debaixo das árvores e outros em capelas”, clarificou.
João Sassuque denunciou o caso de professores que se furtam a trabalhar nas aldeias da Vila Franca do Keve. “Muitos concorreram apenas para conseguir o número de agente na função pública, depois disso buscam transferência para a sede da província, o que tem prejudicado o bom funcionamento da repartição de Educação do nosso sector.” No presente ano lectivo, segundo João Sassuque, a escola nº 46 da Vila Franca do Keve, a única construída de raiz, matriculou 813 alunos do ensino primário, enquanto 428 crianças da vila se encontram fora do sistema normal de ensino.
“Temos recebido pressão por parte dos sobas e encarregados das aldeias de Mogimbo, Samahina, Nacayengo, Tchimbaca e Kuhunja, que solicitam a presença de professores nas suas aldeias, já que as crianças destas localidades há muito que não são instruídas.”

Energia e água

Manuel Justino referiu que a distribuição da energia eléctrica é regular, o mesmo não se passando com a água, devido a alguns problemas técnicos com o sistema de captação e tratamento.
“Na época seca os habitantes de Vila Franca do Keve têm muitas dificuldades com a distribuição de água, já que o caudal do riacho onde está instalado o grupo gerador e o sistema de tratamento e distribuição baixa e não se consegue puxar a água e mandá-la para os tanques de distribuição.”
A vila possui um posto de saúde, construído de raiz, com capacidade para atender em média 25 a 30 pacientes por dia.
Sete técnicos de enfermagem trabalham no centro, um número considerado exíguo para atender a população das 22 aldeias.
As epidemias mais frequentes no povoado de Vila Franca são as doenças diarreicas agudas e a malária.

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