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Falta de quadros condiciona desenvolvimento

António Canepa| Chicala Cholohanga

A falta de quadros especializados nos mais variados sectores no município de Chicala Cholohanga, na província do Huambo, está a dificultar o desenvolvimento socioeconómico da região, admitiu o administrador adjunto da localidade. 

Assistência médica e medicamentosa na região está muito aquém das expectativas em função do défice de técnicos no sector da Saúde
Fotografia: Eduardo Pedro

Afonso Viegas Candumba disse que o município enfrenta um défice elevado de técnicos, situação que preocupa as autoridades que tudo fazem para inverter a actual realidade, referindo que assim se torna difícil promover o desenvolvimento da região e melhorar a qualidade de vida das populações.
O sector da Saúde é o mais gritante, a julgar pelo número de habitantes do município, onde os poucos quadros existentes não são suficientes para dar resposta à procura, daí a necessidade de se investir mais nesta área considerado vital.
Com uma população estimada em pouco mais de 114 mil habitantes, o município de Chicala Cholohanga conta com 27 unidades sanitárias, entre hospital, centros e postos de saúde.
O Hospital Municipal, o único de referência na circunscrição, merece também uma atenção especial. Para melhorar o atendimento são necessários mais especialistas, para atender as doenças específicas.
Além da falta de quadros, o Hospital debate-se com dificuldades de energia. O grupo gerador tem muitas avarias.O Hospital municipal Chicala Cholohanga tem capacidade para 44 camas, conta com 109 trabalhadores, dos quais 88 efectivos e 22 contratados, entre pessoal médico, enfermeiros, técnicos básicos e administrativo, número considerado insuficiente, tendo em conta a procura dos serviços.
O Hospital atende em média 70 a 80 doentes, principalmente crianças, vindos das províncias do Bié, Cuando Cubango e Huambo. Aos fins-de-semana recebe vários casos de acidentes e outros de traumatismo.

Unidade sanitária


O número de unidades sanitárias existentes na região infelizmente não é acompanhado com a mesma dinâmica em termos de quadros, o que dificulta em grande medida o funcionamento eficaz do sector no município.

Expansão dos serviços


O chefe da Repartição Municipal de Saúde, Carlos Baltazar Hossi, disse que o município necessita de pelo menos 237 técnicos, além de um banco de sangue, morgue e expandir os serviços de diagnósticos laboratoriais às comunas. “Temos unidades sanitárias que trabalham com dois ou três enfermeiros. Além de recursos humanos, o sector depara-se também com falta de viaturas, sobretudo para deslocar os técnicos fora da sede do município”, lamentou. Baltazar Hossi disse que a repartição tem recebido mensalmente kits de medicamentos para o hospital, centros e posto médico.
As doenças mais frequentes a nível do município são as respiratórias agudas, diarreicas agudas, doenças de transmissão sexual, a cistozomiase, hipertensão arterial e intoxicação alcoólica. A Chicala Choloanga conta com um centro de aconselhamento e testagem voluntária de HIV/Sida.Os doentes seropositivos têm recebido uma dieta alimentar composta por leite, arroz, açúcar, óleo e fuba de milho, para que o paciente tenha uma alimentação saudável e controlada.
O sector da Educação não se defere muito o da Saúde. O município também ressente a falta de quadro nesta área, assim como na Agricultura, Construção e Ambiente, na Administração Municipal e em outras que, apesar de existirem condições de acomodação, verifica-se um grande vazio.

Os grandes desafios


A Administração Municipal tem como prioridade, no quadro do Programa de Combate à Pobreza e Desenvolvimento do Meio Rural, a recuperação das vias de acesso a todas às sedes comunais, para depois serem requalificadas as que liga as principais ombalas e aldeias de maior concentração populacional.
As autoridades locais, segundo o administrador adjunto do Chicala Choloanga, Afonso Vieigas, pretendem igualmente revitalizar o sector do Comércio para melhor servir os interesses dos munícipes.
Afonso Vieigas reconheceu que há muito por se fazer no sector do Comércio, mas para manter a máquina funcional disse ser necessário rever uma série de questões e mais tarde um programa  exequível que venha a beneficiar à população. Na sede do município foi construído uma nova centralidade com cem residências e muitas estas servem para acomodar os quadros e técnicos que queiram trabalhar na Chicala Choloanga.

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