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Falta de serviços básicos dificulta desenvolvimento

Justino Vitorino | Bongo

O sector do Bongo, no município do Longonjo, no Huambo, tem falta de quase tudo. A população reclama a instalação de serviços sociais básicos e a reabilitação e construção de infra-estruturas destinadas a melhorar as condições de vida das populações.

Sector do Bongo na província do é potencialmente agrícola e os habitantes semeam principalmente massabala e hortícolas
Fotografia: Francisco Lopes


Na localidade, encontra-se a Missão da Igreja do Sétimo Dia que, durante muitos anos, contribuiu para a formação de jovens, muitos dos quais são hoje quadros e funcionários do Estado.
O Bongo é desolador, com um tecido social a precisar de uma atenção especial, para que a vida das suas populações melhore nos próximos tempos. O sector tem falta de escolas, centros e postos de saúde, e algumas pontes estão degradadas.
O administrador adjunto do sector, Aurélio Luciano, disse que o Bongo precisa com urgência de iluminação pública e casas para quadros, e lembrou que as autoridades traçaram um plano director que visa melhorar as ruas e algumas estradas secundárias e terciárias.
Além de faltarem professores, são necessárias mais escolas, sobretudo de construção definitiva, já que a localidade apenas dispõe de uma e cinco de carácter provisória. No presente ano lectivo, 1.500 alunos foram matriculados da iniciação à 9ª classe e este número pode duplicar nos próximos anos, devido ao aumento de crianças em idade de ingressarem no sistema normal de ensino.
A repartição da educação dispõe de 44 professores, mas para preencher o quadro são necessários mais 70. Em relação ao material didáctico, Aurélio Luciano realçou haver o suficiente para os alunos estarem munidos, já que foram distribuídos, gratuitamente, milhares de manuais, o que está a permitir melhorar a qualidade do ensino e a aprendizagem. “Todas as crianças receberam material didáctico gratuito, o que tem contribuído muito para a aceleração do processo de ensino e aprendizagem”, disse o administrador, que considera a merenda escolar um incentivo para os alunos do sector, que felizmente beneficia deste projecto.O plano traçado pela administração contempla a construção de uma escola de formação de professores auxiliares para o ensino primário e a ampliação da rede escolar a algumas ombalas e aldeias distantes da vila.

Missão adventista

O pastor da Missão da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Colino Gomes, também lamentou a falta de docentes e de salas de aulas.“O u­niverso de professores admitidos à luz do concurso público para o sector da Educação do Bongo está muito aquém das expectativas, tendo em conta o índice de analfabetismo prevalecente na localidade, sobretudo entre a população feminina”, notou. Na região não existem alfabetizadores, situação que tem também tem preocupado as autoridades locais, que tudo fazem para que nos próximos tempos os adultos também possam receber formação, à semelhança do que a­contece nas outras regiões do município do Longonjo.
Nesta perspectiva, a administração pretende recrutar jovens voluntários com conhecimentos, para estender a acção formativa às zonas de maior concentração populacional, de modo a reduzir o índice de analfabetismo. A assistência médica e medicamentosa na localidade não corresponde às necessidades da população. O sector conta apenas com duas unidades sanitárias, sendo um posto de saúde e um centro de referência da Missão da Igreja Adventista do Sétimo Dia.
O chefe da repartição da Saúde, Valentim Leornado, solicitou o alargamento da rede sanitária, principalmente nas povoações de Capacote e Canjulo, que ficam a vários quilómetros da sede. Um grupo de 12 trabalhadores, entre técnicos, enfermeiros auxiliares e pessoal de apoio hospitalar assegura o funcionamento da rede sanitária. As doenças mais frequentes na circunscrição são as diarreicas agudas, respiratórias, malária, parasitoses intestinais e bronquite.
Para diminuir os casos mais frequentes, a administração vai incentivar a construção de latrinas, uso de mosquiteiros para crianças menores de cinco anos e mulheres grávidas.
 A água potável também ainda é um problema, apesar de no âmbito do programa “Água para Todos” terem sido abertos vários furos, que beneficiaram centenas de consumidores.
De acordo com o administrador adjunto, o programa de abastecimento de água vai ser extensivo a outras aldeias e ombalas daquela circunscrição.

Comércio na localidade

A actividade comercial é fraca e quase inexistente, uma vez que a única que se pratica é a informal, que tem ajudado os moradores do sector a resolver alguns dos seus problemas.
As trocas comerciais e o escoamento de produtos do campo para os principais mercados têm sido afectados pelo mau estado das vias. Espera-se que com a reabilitação das estradas secundárias e terciárias a situação venha a melhorar.
Os camponeses beneficiaram recentemente de fertilizantes para o arranque da campanha agrícola, no âmbito do programa de desenvolvimento e extensão rural.
O administrador adjunto do sector, Aurélio Luciano, disse que a distribuição de sementes tem permitido o aumento da alimentação. O sector da agricultura tem registadas 54 associações de camponeses e seis cooperativas, 25 das quais receberam crédito de campanha.
Com uma população calculada em 6.306 habitantes, o Bongo é potencialmente agrícola e os habitantes dedicam-se ao cultivo de batata rena, feijão, massambala, mandioca, soja, milho e hortícolas.

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