Províncias

Falta energia no Huambo

Estácio Camassete | Huambo

O baixo nível da albufeira da barragem hidroeléctrica do Gove, provocado pela estiagem registada na passada época chuvosa, está na base das restrições no fornecimento de energia eléctrica às cidades do Huambo, Caála e Cuito, na província do Bié, disse ontem o director do Aproveitamento Hidroeléctrico (AHG) daquela unidade de produção, Pedro Sebastião

Panorâmica da cidade do Huambo que regista nos últimos tempos restrições no fornecimento de energia
Fotografia: Francisco Lopes | Edições Novembro

De acordo com as explicações técnicas, para a barragem do Gove produzir energia eléctrica precisa de nível pleno de armazenamento de água avaliado em 1.590 metros, considerado o ponto mais alto, enquanto o nível nominal médio é de 1.588 metros e o mínimo de 1.572 metros. Actualmente estes níveis estão situados no mínimo, equivalente a 1.571 metros.
“A vazão das águas de reposição de caudais encontra-se numa cifra de 15 metros cúbicos por segundo, proveniente dos rios Cunene, Tembo e Kunhongamua, porque deve existir uma relação entre o afluente onde provêm estas águas e a quantidade de água que a turbina precisa para gerar energia”, sublinhou, acrescentando que “a quantidade de água que entra na albufeira deve ser maior da que a turbina precisa para produzir energia”. A albufeira da barragem do Gove foi concebida para receber uma quantidade máxima de 117 metros cúbicos por segundo, média 52,7 e mínima 14,4 metros cúbicos e actualmente a que recebe é muito baixa em relação aos níveis necessários.
O quadro actual é que o contributo dos rios confluentes da barragem do Gove traz menos de 15 metros cúbicos por segundo, uma vez que uma turbina de 20 megawwats para gerar energia precisa de 51 metros cúbicos de água por segundo e, no caso o Gove, que tem três turbinas, para gerar energia eléctrica seriam necessários cerca de 153 metros cúbicos por segundo, correspondentes a 60 megawatts.
O director do AHG disse que, tão logo a situação da albufeira melhore, vai se normalizar a produção da energia eléctrica para as cidades do Huambo, Caála e Cuito, na província do Bié.
Pedro Sebastião António disse que, actualmente a produção de energia a partir da barragem hidroeléctrica do Gove é de 5 a 10 Megawatts, uma situação que considerou de crítica, podendo entrar em casos de imergência, de forma a recuperar o sistema eléctrico no Huambo e Bié.
Para inverter este quadro, disse, tudo vai depender dos níveis das chuvas que se abaterem nos próximos meses sobre o Huambo, para se atingir a capacidade máxima da barragem na produção de luz para toda a cidade e na época da quadra festiva.
Segundo previsões do INAMET haverá chuvas fortes em Novembro, numa ordem de 20 a 40 milímetros de água, que vão abastecer os rios. Devido a actual situação, o regime de exploração entra numa fase especial de fornecimento de luz às cidades do Huambo, Caála e Cuíto.Já se registam chuvas na província do Huambo mas estas ainda não enchem a albufeira, porque primeiro vão ser absolvidas pelo solo e só depois da saturação dos mesmos poderá restabelecer a albufeira, processo que leva mais alguns meses, porque esta só atinge o pico, isto é os 1590 metros, nos meses de Março ou Abril, o que garante a produção em pleno.
A barragem hidroeléctrica do Gove foi inaugurada em 2012 pelo então Presidente da República, José Eduardo dos Santos, e funciona com 60 técnicos. Por outro lado,o reforço das medidas preventivas das doenças, para a promoção da saúde pública nas comunidades, constitui prioridade da nova directora da Saúde na província do Huambo. Em declarações à imprensa, momentos após ao seu empossamento, Jovita Cachuequele André disse que as medidas vão ser  efectivadas  com palestras e campanhas de educação sobre a saúde, de modo a  atingir índices mais baixos de morbi e mortalidade.
Jovita Cachuequele André disse que vai prestar  maior atenção à saúde materno-infantil,  para  elevar a taxa de natalidade e, consequentemente, o desenvolvimento demográfico da região. 
Adiantou que, apesar da actual situação macroeconómica que o país atravessa, a Direcção da Saúde no Huambo vai trabalhar  no reforço do armazenamento  de medicamentos, apetrechamento das unidades hospitalares com equipamentos e meios técnicos, assim como enquadramento de novos profissionais.
O novo director provincial da Indústria, Geologia e Minas, João Pedro da Fonseca, disse que vai trabalhar na reestruturação do sector, por meio da catalogação das indústrias em funcionamento na província e as que se encontram paralisadas.

                                            Reabilitação das vias entre as prioridades
A reabilitação das vias secundárias, para facilitar o escoamento dos produtos agropecuários do campo para cidade, constitui o principal desafio do novo director das Obras Públicas na província do Huambo.
Henrique Lázaro Capessa disse que a intenção é evitar a deterioração de produtos por dificuldades de escoamento devido ao mau estado das vias de acesso, numa altura em que o Governo tem as atenções viradas para o sector da agricultura.
Henrique Lázaro Capessa apontou a requalificação dos bairros e a consolidação das obras de melhoramento da imagem das cidades e vilas, para a promoção do desenvolvimento equilibrado, como prioridades do seu sector.
“Assumimos as funções com muita responsabilidade, por isso vamos  trabalhar na melhoria da qualidade das obras, da certificação das empresas prestadoras de serviço e no reforço da fiscalização das mesmas”, disse Henrique Lázaro Capessa.
Por sua vez, o novo director provincial  dos Transportes, Correios e Telecomunicações, Joaquim Celestino Salinga, disse que o fomento e a definição das políticas de melhoramento e ordenamento do tráfego rodoviário constam entre as principais metas. O novo administrador do município do Bailundo, Luís Garcia Caíca, disse que o desenvolvimento do sector social da municipalidade constitui a maior aposta, por ser a área mais vulnerável.
“A atracção de investimentos públicos e  privados para os sectores da agricultura, comércio e hotelaria e turismo é outro desafio, para  os jovens locais terem acesso ao emprego”, disse o administrador Luís Garcia Caíca, para concluir: “A intenção é tornar o Bailundo, a 75 quilómetros da cidade do Huambo, numa região de referência nacional do ponto de vista de desenvolvido económico-social”.

Tempo

Multimédia