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Famílias desalojadas do prédio África Hotel

Adolfo Mundombe | Huambo

Oficiais do Tribunal Supremo desalojaram na sexta-feira oito famílias, do prédio África Hotel, na cidade do Huambo, alegadamente, sem aviso prévio.

Oficiais do Tribunal Supremo desalojaram na sexta-feira oito famílias, do prédio África Hotel, na cidade do Huambo, alegadamente, sem aviso prévio.
O edifício de um piso albergava cerca de 42 famílias, muitas delas ali residentes há mais de 30 anos. Na sexta-feira foi a vez dos moradores do rés-do-chão deixarem o prédio, enquanto os do primeiro andar aguardam pela sua vez.
Celso Santos, mandatado pelo Tribunal Supremo, disse que as oito famílias foram desalojadas porque o edifício, localizado numa das principais avenidas da cidade, tem dono e não é uma residência, mas sim um hotel. “O edifício tem três proprietários. Numa primeira fase, estamos a fazer o despejo desta parte de baixo para ser devolvida ao proprietário legal”, explicou
De acordo com o representante legal, os proprietários recorreram ao Tribunal Supremo que, por sua vez, deliberou a devolução do imóvel aos seus legítimos donos.  Celso Santos afirmou que o processo de despejo dos moradores decorre desde 2005 e que “os ocupantes foram notificados, antes de serem desalojados, para que deixassem os apartamentos voluntariamente”.
Sónia Inês, de 30 anos, uma das despejadas, disse ter ido morar no prédio com o pai, antigo funcionário do Estado, há 15 anos.
Argumenta que quando lá chegaram as condições eram péssimas e tiveram que requalificar o edifício para ter o aspecto que apresenta hoje.
Segundo ela, o proprietário reuniu-se com os moradores em Junho do ano passado, altura em que prometeu uma indemnização de 12 mil dólares a cada família. “Mas isso não aconteceu e hoje surge o despejo coercivo. Aonde vamos dirigir-nos?” questionou indignada.
Susana Catarina, outra ex-ocupante do imóvel, afirmou que nunca foram avisados. Garante que ela e os seus familiares foram surpreendidos e que agora não têm para onde ir.
O Jornal de Angola  contactou a administração municipal do Huambo  que assegurou que os membros  das oito famílias desalojadas serão albergadas condignamente num local a indicar.

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