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"Fazenda Esperança" recupera toxicodependentes

Victória Quintas |Catchiungo

A província do Huambo conta, desde o fim-de-semana passado, com um centro de reabilitação de toxicodependentes, denominado “Fazenda Esperança”, localizado na missão católica “Vavayela”, no município de Catchiungo.

O projecto foi criado com o objectivo de devolver a esperança de vida aos dependentes de drogas do Huambo e de outras regiões
Fotografia: Victória Quintas|

A província do Huambo conta, desde o fim-de-semana passado, com um centro de reabilitação de toxicodependentes, denominado “Fazenda Esperança”, localizado na missão católica “Vavayela”, no município de Catchiungo.
O projecto foi criado com o objectivo de devolver a esperança de vida aos dependentes de drogas do Huambo e de outras regiões do país, “desde que demonstrem vontade própria de permanecerem no local”, segundo os promotores da iniciativa.
Neste momento o projecto acolhe 15 jovens, todos do sexo masculino, mas os responsáveis esperam receber mais pessoas que necessitam de tratamento, já nos próximos meses.
O Arcebispo do Huambo, D. José de Queirós Alves, disse, numa missa que marcou a abertura do centro, que a entrada em funcionamento do projecto “Fazenda Esperança” vai devolver a esperança de vida a muitos jovens toxicodependentes locais e de toda Angola, “para que voltem a dar o seu contributo ao desenvolvimento da sociedade”.
O prelado reconheceu que o índice de jovens toxicodependentes tende a aumentar, o que preocupa os familiares e lançou um apelo para que muitos deles se dirijam à nova instituição, para receber tratamento.  
“Os irmãos têm que se apoiar mutuamente, para que de um ou de outro modo possamos receber a liberdade dada por Cristo, com vista a construirmos uma sociedade mais fraterna”, referiu D. José de Queirós Alves, acrescentando que a obra da “Fazenda Esperança” está inserida numa acção de fé, que se junta ao amor de Deus, que devolve esperança de vida aos jovens que necessitam de ajuda.
Também presente na cerimónia, o governador do Huambo, Faustino Muteka, louvou a iniciativa do projecto “Fazenda Esperança” e realçou a disponibilidade de apoio do governo provincial no processo de recuperação dos jovens toxicodependentes, como uma das formas de o Estado ajudar na formação das futuras gerações.
O governo do Huambo, sublinhou, vai também apoiar na reabilitação do magistério primário da Missão Católica de Vavayela, para assegurar a formação académica das crianças em idade escolar. 

Ingresso voluntário

O presidente do projecto “Fazenda Esperança”, a nível mundial, Nelson Geovanelli, disse que, para que um toxicodependente possa ingressar na “Fazenda Esperança”, é necessário que o mesmo tenha vontade própria para se recuperar. 
“Não podemos aceitar apenas quando o pai e a mãe querem. O jovem dependente tem que se manifestar, através de uma carta e nela descrever que é um dependente químico que precisa de ajuda. Com isso, nós elaboramos o processo de internamento”, adiantou, notando que o espaço é aberto e o jovem dependente pode permanecer por um período de um ano.
Nelson Geovanelli referiu que o processo de recuperação é feito através de um tripé, designadamente, o trabalho como meio de auto-sustentação, a espiritualidade baseada no evangelho e a vida em família. “Isso significa que os internos vão viver como se fossem uma família, o período de internamento é gratuito e os jovens vão trabalhar na agricultura e pecuária, cujos produtos são vendidos para manter a sustentabilidade da fazenda”, assegurou. 

Esperança dos jovens

O projecto “Fazenda Esperança” recebeu e já está a tratar, numa primeira fase, 15 jovens do sexo masculino dependentes de drogas, com terapias que possam rapidamente ajudá-los a recuperar.
O jovem Carlos da Graça não quis esperar pelo período da abertura da Fazenda. Veio de Luanda em busca de ajuda para a sua recuperação. Conta que, depois de começar a consumir drogas, as pessoas começaram a afastar-se dele. Por isso, percebeu que estava num mau caminho e partiu para a província do Huambo em busca de ajuda, porque, disse, “tinha ouvido falar da existência do projecto Fazenda Esperança”. 
“Passei por várias situações. Tinha quase tudo, a começar pelo amor da minha família, mas não percebi e comecei a consumir drogas. Enveredei pela delinquência e com isso as pessoas começaram a evitar-me”, confessou Carlos Graça.
Há um mês no Huambo, diz que soube do projecto de recuperação de toxicodependentes por intermédio da sua irmã mais velha, que o incentivou a ingressar na “Fazenda Esperança”.
Não quis esperar pelo fim da reabilitação da fazenda, “pois percebi que aqui estava a minha oportunidade de mudar de vida”.
A “Fazenda Esperança” foi fundada há 28 anos no Brasil e conta actualmente com 69 comunidades distribuídas por vários países.
Já recuperou mais de 15 mil toxicodependentes e actualmente trabalha na recuperação de três mil jovens, em vários países.
As comunidades da “Fazenda Esperança” estão espalhadas por mais de 18 países, na América Latina e África.
Antes da sua implantação em Angola, estiveram há cinco anos em Moçambique, onde ajudaram à reabilitação de jovens toxicodependentes sem encargos para as pessoas ou para as suas famílias. É uma instituição auto-sustentada, que recebe apoio da Igreja Católica e de todos os que abraçam a causa dos dependentes químicos.
 A “Fazenda Esperança” chegou ao Huambo por iniciativa do Arcebispo D. José de Queirós Alves.

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